Blog na sala de aula

Lorenzo Aldé
(Colaborou: Carmem Granja)

Velho aos 30 anos

Sabe quando você chega aos 30 se sentindo um velho? Não que minhas articulações acusem dores inéditas ou que minha memória esteja começando a falhar. Na verdade, este é um fenômeno comum desde o século passado. O sujeito nascia ouvindo rádio, passava a infância vendo TV em preto-e-branco e chegava à adolescência em cores, quando adulto ele conhece o videocassete, abandona os discos de vinil, se espanta com o fax, custa a entender o computador caseiro e chama os netos para ajudar com uma transação bancária via Internet.

Não foi o meu caso, mas a revolução tecnológica nestes tempos de virada de século, em vez de diminuir o seu ritmo, desembestou ladeira abaixo. Se meus primórdios testemunharam o tele-jogo (ancestral do já arcaico Atari) e descobriram o videocassete na infeliz Copa de 82, tive que rapidamente adaptar-me aos CDs (o que foi um prazer) e, na vida adulta, à crescente necessidade do uso de computador (aprendizado bem mais sofrido). Basta dizer que, em minha faculdade de Jornalismo, a sala de redação onde nos “preparávamos” para o mercado de trabalho era composta apenas de máquinas de escrever. Isto em 1993!

Hoje não consigo nem olhar por muito tempo para os videogames alucinógenos que fascinam tampinhas de gente, e ainda estou me perguntando se um dia terei DVD. Claro que sim, mas não sem resistência!

Calhou de eu ter que trabalhar com Internet, de modo que minha profissão me relembra a toda hora como fico defasado a cada segundo que passa.

Velho aos 30, enfim!

A Internet não pára

Não apenas para mim, a Internet é ainda um mundo novo. Há 10 anos, quase ninguém tinha sequer ouvido falar dessa tecnologia de comunicação que hoje faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

Como toda inovação tecnológica, com o tempo a Internet vem se modificando, à medida que as pessoas descobrem novas formas de usá-la. A primeira coisa que eu conheci nesse terreno, lá pelo ano de 1996, foi o correio eletrônico, também conhecido por seu nome americano: e-mail (lê-se “i-mêiou”). Hoje muita gente já o incorporou no seu dia-a-dia, mas trata-se de uma tremenda revolução: comunicar-se quase em tempo real com pessoas em qualquer lugar do mundo, enviar e receber documentos de trabalho, imagens, som, vídeo. Tudo ao custo de uma ligação local! Graças ao e-mail, reatei amizades enfraquecidas pelo tempo e pela distância. Alguém já falou: hoje, longe é um lugar que não existe.

A partir daí, conviver com a Internet tornou-se um aprendizado constante. Navegar timidamente pelos sites mais conhecidos foi o primeiro passo. Logo descobri que os sites de busca são ferramentas indispensáveis para encontrar o que se quer, pelo quase infinito mundo virtual afora. Notícias, cultura, esportes, política, humor, curiosidades, serviços… e o bicho-de-sete-cabeças que era a Internet já virou um fascinante companheiro.

Mas novos recursos não páram de surgir, nos surpreender e nos conquistar. Através dos bate-papos (chats), é possível conversar em tempo real (ao vivo) com gente comum, dos mais variados estilos, trocar idéias, se divertir, e quem sabe até namorar com a ajuda da rede. Não aconteceu comigo, e confesso que nunca me deslumbrei muito com os bate-papos virtuais. Mas uma vez aberta a porta da tecnologia, tem recursos para todos os gostos. O tal do ICQ, que nunca tomei a iniciativa de adotar, permite estar em contato com os amigos o tempo todo, enquanto estamos com o computador conectado. Para quem trabalha on-line, como eu, significa ter sempre companhia, mesmo estando sozinho (talvez por isso eu não me anime com o ICQ: um pouquinho de solidão até que faz bem).

Listas de discussão não chegaram a virar moda, mas são úteis para quem é fã ou especialista em algum assunto, e quer estar informado e conversando sobre ele com outros conhecedores ou simpatizantes. É mais um mecanismo a conectar pessoas distantes no espaço, mas próximas no pensamento. Minha experiência com listas de discussão? Participei de uma sobre o Botafogo, e me sentia em casa para soltar os bichos com outros torcedores fanáticos. Me desliguei pelo excesso de dedicação que a lista exigia. Choviam mensagens diariamente, e eu não tinha condições nem paciência de ler todas, muito menos responder.

O que há de mais recente? Quem tem a tecnologia da Internet via cabo já pode até ver filmes na web, e instalar microfone e câmera de vídeo no computador para falar, ouvir, ver e ser visto por amigos e parentes distantes. O telefone do futuro já chegou. E eu vou fingindo que não me surpreendo para não me tomarem por ultrapassado. A verdade é que somos todos constantemente ultrapassados pela tecnologia: estamos sempre correndo atrás.

Finalmente, há os blogs.

Blogando novas idéias

A mais nova moda na Internet são os blogs. Eles começaram tímidos, funcionando como sites pessoais bem simples. O conteúdo era mais ou menos como o de um diário íntimo (quem já não teve um?): a pessoa revelava seus sentimentos, experiências, pensamentos. A diferença é que este “diário” fica disponível para quem quiser ler. Normalmente, como em quase tudo na Internet, o autor do blog usa um codinome (em internetiquês: nick) para se expor sem receios.

Mesmo nessa primeira fase dos blogs, alguns deles eram bem interessantes. Numa espécie de “big brother” da Internet, até que é divertido acompanhar o dia-a-dia de uma pessoa que não conhecemos, ainda mais se ela escreve bem e tem idéias interessantes. É claro que, à medida que eles se multiplicaram, muita besteira surgiu. Tem gente que usa o seu blog para narrar ações comuns, totalmente sem graça: “Levantei, fui tomar café. Comi pão sem manteiga. Preciso comprar manteiga.”, e no dia seguinte “Comprei manteiga. Hoje eu comi pão com manteiga e café com leite”. Esta é outra característica dos blogs: eles são sempre atualizados, quase diariamente. Para quem tem o que dizer e para quem quer ler sempre um novo pequeno texto, isto é ótimo.

Graças à facilidade de criá-los e mantê-los, rapidamente os blogs se multiplicaram, e hoje já são milhares no Brasil. Muito mais do que simples “diários”, tornaram-se espaços para gente inteligente escrever suas idéias, seus gostos, sua vida. Os blogs costumam também dar a possibilidade para o leitor de comentar o que leu. Os comentários são publicados no blog, e às vezes rendem outras boas conversas. Quem lê constantemente o mesmo blog torna-se “conhecido” do autor (também chamado de blogger).

As possibilidades dos blogs ainda não foram inteiramente exploradas. A Educação, por exemplo, pode abrir novos canais de comunicação entre alunos e professor, incentivando, com isso, o convívio e a aprendizagem das tecnologias envolvidas.

O educador pode convidar os alunos para criarem, juntos, um blog da turma. Todo o processo – escolher o servidor, eleger e editar o visual, inscrever os participantes e decidir o nome e os “objetivos” do blog – pode ser feito coletivamente. Por exemplo: uma turma pode criar o blog “Dúvidas caseiras”, e todos os alunos, de casa (se tiverem Internet) ou da escola, vão colocando questões que aparecem em seu dia-a-dia para serem discutidas e solucionadas nas aulas. Um blog feito por várias pessoas tem a vantagem de estar sempre mostrando novos textos, imagens, idéias. Se cada aluno colaborar com o blog uma vez por semana, já serão várias novidades por dia.

(É bom lembrar que os servidores tiram do ar os blogs que ficam muito tempo sem atualizações.)

Também é possível fazer do blog um jornal com as novidades, curiosidades, notícias e fofocas da turma. Grupos de alunos poderiam assumir cada editoria (editorial; notícias da escola; notícias da turma; cultura; esportes; recreio; colunas de opinião; etc.) e o jornal estaria sempre fresquinho e sempre no ar, para quem quisesse ler. Blogs não costumam permitir diagramações muito diferentes. Neste caso, o importante seria mesmo o conteúdo do jornal, e não sua forma. Mesmo assim, não é difícil colocar imagens, fotos e outros recursos visuais no blog.

Os blogs contêm uma área de “arquivos”, onde textos antigos (publicados há mais de uma semana, 15 dias ou mês, a critério dos criadores) ficam armazenados e podem ser lidos. Este também é um bom recurso para guardar e deixar disponíveis trabalhos, textos e artigos de alunos e professores.

Outra opção muito interessante seria usar o blog no seu sentido original: uma página pessoal, com os pensamentos do dia-a-dia de cada aluno. Só que a criação dos blogs seria orientada em sala de aula, e todos os endereços ficariam disponíveis para a turma. Usando codinomes, os alunos e alunas colocariam ali suas idéias, suas visões de mundo, comentariam textos uns dos outros, entrariam em contato com outros blogs e sites. Certamente a iniciativa funcionará como um incentivo para que os alunos conheçam melhor a Internet e se deixem seduzir por ela, transformando informação em conhecimento.

E o professor? Ele também teria acesso aos blogs pessoais dos alunos, podendo sempre comentá-los, tirar dúvidas e selecionar bons textos e temas de discussão para levar para a sala de aula. Deixando os alunos livres para criar, sem compromisso de resultado ou nota, o professor obtém o que há de mais valioso nesta relação: passa a conhecer a cabeça de seus alunos, seus sonhos, medos, desejos e interesses.

Seja como for, levar o recurso dos blogs para a escola pode representar um salto na capacidade de comunicação dos alunos. Convidados a se divertir, eles estarão exercitando a leitura, a escrita, o senso crítico e a familiaridade com a informática.

Tudo isso vale também para o professor, que, como eu, já deve estar passando dos 30, e quer correr atrás das novas maravilhas da comunicação. Já provei e posso afirmar: blogar não dói nada, e é uma delícia…

Como criar um blog?

Vários sites oferecem hospedagem gratuita para blogs, e explicam passo a passo como criar e manter o seu. O único cuidado que se deve tomar é hospedar o blog em um site que tenha uma boa estrutura, pois problemas no “hospedeiro” podem fazer seus textos sumirem ou mesmo simplesmente acabar com blog da noite para o dia.

Um dos serviços gratuitos mais usados pelos blogs brasileiros é o Weblogger Brasil.

Entre os internacionais, podemos indicar o Blogger. O site traz instruções simples para a criação e manutenção de blogs. Mas é preciso saber inglês (não mais).

Obs.: O texto acima é bem antigo, apenas postei para mostrar a evolução no entendimento do uso e aplicação dos blogs.

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0062.html

Publicado em blog, sala de aula, tecnologia | 2 Comentários

>Pedagogia do Fingimento

>

Nildo Lage

É impossível falar de educação sem voltar os olhos para o passado. É mais impossível ainda fazer educação sem se apossar de heranças filosóficas, tendências… porque, desde os tempos remotos, a história é escrita por aqueles que a determinavam. E narrada por aqueles que tentam fazê-la.

Inácio de Loiola trouxe a novidade com a Companhia de Jesus, alarmado com a expansão do luteranismo na Europa. Não funcionou. A única saída foi a Reforma Pombalina da Educação, que descartou o Sistema Jesuítico… Daí por diante, a história foi se desfigurando, gerando “estórias”. E, há tempos, a sala de aula está perdendo a originalidade, deixando de ser um local de aprendizagem, reflexão, troca de conhecimentos, de experiências… Porque está se convertendo num campo de batalhas: professores desmotivados travam uma guerra com alunos impregnados de armas sociais — violência doméstica, urbana, psicológica, drogas, abandono social — que chegam com o intuito de brincar, se divertir para passar o tempo. O professor, menos preocupado ainda, passa por breves instantes pela sala para dar uma “espiada” e cumprir um contrato de trabalho, sem se incomodar com a aprendizagem e as experiências dos alunos.

Nesse jogo do faz-de-conta, princípios didáticos, filosóficos e éticos estão enfraquecendo no infértil terreno do conhecimento, porque violência, agressões, desrespeito mútuo estão consumindo a espécie-símbolo: o diálogo, que é o elo do relacionamento professor–aluno. A troca, a parceria, a afetividade estão abaladas, cada vez mais ausentes.

Nessa guerra na busca do saber, professores lançam conteúdos frívolos garganta abaixo e não cobram resultados. Alunos digerem o prato do dia e se sentem fartos… Uma avaliação para cumprir o protocolo, e lá se foi um bimestre. Um problema a menos. “Colões” e “decorebas” se dão bem. Os “menos espertos” fazem um “trabalhinho extra” para recuperar a nota, o tempo perdido… e lá se vão… O novo bimestre os espera.

Com tantas veias de escape, aprendizagem, conhecimento e saber nunca se encontram. Treinamento e capacitação trilham caminhos diferentes, e a essência da educação vai se esvaindo, perdendo originalidade pelos rincões do construtivismo, do sociointeracionismo, das tendências pedagógicas que surgem num piscar de olhos: Vygotsky, Piaget, Vallon, Ferreiro, Freire… De filosofia em filosofia, de pensamento em pensamento, a nova tendência “Crítica Social” vai surgindo, com o sonho de chegar para ficar.

Se não for puxado o freio de mão, em breve, teremos que escrever a nova “História da Educação”, porque os grandes pensadores terão as suas idéias ultrapassadas. Perderão espaço para os megaempreendedores que estão fazendo da educação um negócio da China, imbecilizando alunos, assolando a meta de formar cidadãos atuantes, críticos e participantes, convertendo-os em profissionais sem iniciativas, que decoram conteúdos e não são preparados para o mercado de trabalho, para encararem os desafios de um mundo que exige cada vez mais. A escola que temos é repleta de reentrâncias, preenchidas por rupturas, ranços, intrigas políticas, disputas pessoais, inúmeras bifurcações que conduzem analfabetos letrados por caminhos que se perdem nos atalhos para se chegar a uma educação de excelência, cujos condutores julgam estar no caminho certo.

Com isso, o conhecimento está se tornando um animal raro, porque, na educação da era digital, as fontes interdisciplinares da informação jorram, a cada passo, numa velocidade alucinante. E os alunos, na rota de colisão, são bombardeados pelo excesso de informações, muitas fúteis, e mantidos nas dependências da escola do novo tempo, como cobaias bitoladas, onde são polidos para se encaixar nos moldes de uma educação impositiva; aprendem três comandos: Ctrl+T, Ctrl+C e Ctrl+V. Capa, contracapa… Uma breve introdução para dissimular… “A minha pesquisa ficou perfeita”. O professor, mais perfeito ainda, dá um 10. Esse aluno é o CDF. Porque professor investigador — que leva seus alunos a descobrirem o novo, reavaliarem o velho, ampliarem os horizontes do conhecimento — está cada vez mais escasso, um mito nos corredores das escolas. O importante é não reprovar; que, ao final de cada ano, todos passem.

Com essas façanhas, cumpre-se mais uma meta: a estabelecida pela ONU para combater o analfabetismo nos países emergentes; e, sem receio de errar, o governo dispara em todas as direções: Educação a Distância, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), Programa Universidade para Todos (Prouni), Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)… São tantos caminhos que professores e alunos se chocam, se confundem, se perdem, não se entendem; e a verdadeira educação vem perdendo terreno para a educação burocrática que se agiganta em escolas de muralhas, de grades… De professores virtuais, de alunos onipresentes. O professor, centralizador do conhecimento, foi murchando, obrigado a ceder o espaço para o professor mediador, que, na verdade, medeia o tempo na sala de aula, à espera do passar do próprio tempo.

E o objetivo da verdadeira educação?
Ainda é a aprendizagem? A quem importa?

É hora de repensar os métodos traçados, os moldes pré-fabricados… Destruir a fórmula que determina o que deve ser ensinado e como deve ser aprendido. É hora de tirar a viseira de professores privados de buscar, de trabalhar a realidade de seus alunos e de construir o próprio conhecimento para reavaliar a sua prática e colocar a lente de educador, para ver o mundo além da sala de aula ou de uma janela cibernética.

É hora do negro e do índio terem os seus valores respeitados, a sua história resgatada, pois resgatá-la é resgatar a cultura, a história do País e da própria educação no Brasil. Respeitar as diversidades regionais, etnias, opiniões, culturas, porque, nos pavilhões e nas galerias do presídio do saber, as relações interpessoais estão deixando de existir. Existem apenas regras. E a educação, hoje, escreve uma história com dois finais: um para a minoria que tem recursos financeiros para pagar por uma educação de qualidade e outro para aqueles que são atirados pela janela das escolas públicas e são obrigados a se acomodar em salas superlotadas, sem recursos didáticos, sem carteiras, com professores despreparados, onde o autoritarismo se converteu em lei e está substituindo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). O eu roubou o espaço do nós, e, se não voltarmos a ser nós, a sala de aula será exatamente o que eu (o sistema) quero: muita informação e pouca aprendizagem.

É hora do Sistema de Ensino voltar-se para o eu desse aluno que sai da favela, do campo… Porque ainda acreditam que a educação é o caminho que leva à realização e é hora de polir esse eu, nos moldes dos sonhos, da vontade de ser e de existir de cada eu.

É preciso estreitar os laços de relacionamento entre escola, ensino, educação e família para que o aluno compreenda o mundo em que vive e se proponha, como cidadão, a mudá-lo. É como já dizia Freire: “Não é na resignação, mas na rebeldia frente às injustiças que nos afirmamos”. Porque professor é um título que se conquista com um diploma comprado ou conquistado, mas ser educador é uma singularidade exclusiva; essência rara que se desprende daqueles que fazem do ofício de ensinar a arte de formar cidadãos. É preciso que leis deixem de ser meros projetos constitucionais, que as camadas conquistem a igualdade e que a educação seja prioridade.

E, então, quando a política deixar de ser uma transição entre a campanha e a eleição, as armas sociais serão recolhidas pelos jovens e pelo professor. O prazer de ensinar se refletirá no de aprender, e aí, sim, haverá melhorias na educação. E a educação cumprirá a sua missão, porque terá uma verdadeira história para contar.

Publicado em criança, educação, emocional, fingimento, pedagogia, razão | Deixe um comentário

Pedagogia do Fingimento

Nildo Lage

É impossível falar de educação sem voltar os olhos para o passado. É mais impossível ainda fazer educação sem se apossar de heranças filosóficas, tendências… porque, desde os tempos remotos, a história é escrita por aqueles que a determinavam. E narrada por aqueles que tentam fazê-la.

Inácio de Loiola trouxe a novidade com a Companhia de Jesus, alarmado com a expansão do luteranismo na Europa. Não funcionou. A única saída foi a Reforma Pombalina da Educação, que descartou o Sistema Jesuítico… Daí por diante, a história foi se desfigurando, gerando “estórias”. E, há tempos, a sala de aula está perdendo a originalidade, deixando de ser um local de aprendizagem, reflexão, troca de conhecimentos, de experiências… Porque está se convertendo num campo de batalhas: professores desmotivados travam uma guerra com alunos impregnados de armas sociais — violência doméstica, urbana, psicológica, drogas, abandono social — que chegam com o intuito de brincar, se divertir para passar o tempo. O professor, menos preocupado ainda, passa por breves instantes pela sala para dar uma “espiada” e cumprir um contrato de trabalho, sem se incomodar com a aprendizagem e as experiências dos alunos.

Nesse jogo do faz-de-conta, princípios didáticos, filosóficos e éticos estão enfraquecendo no infértil terreno do conhecimento, porque violência, agressões, desrespeito mútuo estão consumindo a espécie-símbolo: o diálogo, que é o elo do relacionamento professor–aluno. A troca, a parceria, a afetividade estão abaladas, cada vez mais ausentes.

Nessa guerra na busca do saber, professores lançam conteúdos frívolos garganta abaixo e não cobram resultados. Alunos digerem o prato do dia e se sentem fartos… Uma avaliação para cumprir o protocolo, e lá se foi um bimestre. Um problema a menos. “Colões” e “decorebas” se dão bem. Os “menos espertos” fazem um “trabalhinho extra” para recuperar a nota, o tempo perdido… e lá se vão… O novo bimestre os espera.

Com tantas veias de escape, aprendizagem, conhecimento e saber nunca se encontram. Treinamento e capacitação trilham caminhos diferentes, e a essência da educação vai se esvaindo, perdendo originalidade pelos rincões do construtivismo, do sociointeracionismo, das tendências pedagógicas que surgem num piscar de olhos: Vygotsky, Piaget, Vallon, Ferreiro, Freire… De filosofia em filosofia, de pensamento em pensamento, a nova tendência “Crítica Social” vai surgindo, com o sonho de chegar para ficar.

Se não for puxado o freio de mão, em breve, teremos que escrever a nova “História da Educação”, porque os grandes pensadores terão as suas idéias ultrapassadas. Perderão espaço para os megaempreendedores que estão fazendo da educação um negócio da China, imbecilizando alunos, assolando a meta de formar cidadãos atuantes, críticos e participantes, convertendo-os em profissionais sem iniciativas, que decoram conteúdos e não são preparados para o mercado de trabalho, para encararem os desafios de um mundo que exige cada vez mais. A escola que temos é repleta de reentrâncias, preenchidas por rupturas, ranços, intrigas políticas, disputas pessoais, inúmeras bifurcações que conduzem analfabetos letrados por caminhos que se perdem nos atalhos para se chegar a uma educação de excelência, cujos condutores julgam estar no caminho certo.

Com isso, o conhecimento está se tornando um animal raro, porque, na educação da era digital, as fontes interdisciplinares da informação jorram, a cada passo, numa velocidade alucinante. E os alunos, na rota de colisão, são bombardeados pelo excesso de informações, muitas fúteis, e mantidos nas dependências da escola do novo tempo, como cobaias bitoladas, onde são polidos para se encaixar nos moldes de uma educação impositiva; aprendem três comandos: Ctrl+T, Ctrl+C e Ctrl+V. Capa, contracapa… Uma breve introdução para dissimular… “A minha pesquisa ficou perfeita”. O professor, mais perfeito ainda, dá um 10. Esse aluno é o CDF. Porque professor investigador — que leva seus alunos a descobrirem o novo, reavaliarem o velho, ampliarem os horizontes do conhecimento — está cada vez mais escasso, um mito nos corredores das escolas. O importante é não reprovar; que, ao final de cada ano, todos passem.

Com essas façanhas, cumpre-se mais uma meta: a estabelecida pela ONU para combater o analfabetismo nos países emergentes; e, sem receio de errar, o governo dispara em todas as direções: Educação a Distância, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), Programa Universidade para Todos (Prouni), Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)… São tantos caminhos que professores e alunos se chocam, se confundem, se perdem, não se entendem; e a verdadeira educação vem perdendo terreno para a educação burocrática que se agiganta em escolas de muralhas, de grades… De professores virtuais, de alunos onipresentes. O professor, centralizador do conhecimento, foi murchando, obrigado a ceder o espaço para o professor mediador, que, na verdade, medeia o tempo na sala de aula, à espera do passar do próprio tempo.

E o objetivo da verdadeira educação?
Ainda é a aprendizagem? A quem importa?

É hora de repensar os métodos traçados, os moldes pré-fabricados… Destruir a fórmula que determina o que deve ser ensinado e como deve ser aprendido. É hora de tirar a viseira de professores privados de buscar, de trabalhar a realidade de seus alunos e de construir o próprio conhecimento para reavaliar a sua prática e colocar a lente de educador, para ver o mundo além da sala de aula ou de uma janela cibernética.

É hora do negro e do índio terem os seus valores respeitados, a sua história resgatada, pois resgatá-la é resgatar a cultura, a história do País e da própria educação no Brasil. Respeitar as diversidades regionais, etnias, opiniões, culturas, porque, nos pavilhões e nas galerias do presídio do saber, as relações interpessoais estão deixando de existir. Existem apenas regras. E a educação, hoje, escreve uma história com dois finais: um para a minoria que tem recursos financeiros para pagar por uma educação de qualidade e outro para aqueles que são atirados pela janela das escolas públicas e são obrigados a se acomodar em salas superlotadas, sem recursos didáticos, sem carteiras, com professores despreparados, onde o autoritarismo se converteu em lei e está substituindo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). O eu roubou o espaço do nós, e, se não voltarmos a ser nós, a sala de aula será exatamente o que eu (o sistema) quero: muita informação e pouca aprendizagem.

É hora do Sistema de Ensino voltar-se para o eu desse aluno que sai da favela, do campo… Porque ainda acreditam que a educação é o caminho que leva à realização e é hora de polir esse eu, nos moldes dos sonhos, da vontade de ser e de existir de cada eu.

É preciso estreitar os laços de relacionamento entre escola, ensino, educação e família para que o aluno compreenda o mundo em que vive e se proponha, como cidadão, a mudá-lo. É como já dizia Freire: “Não é na resignação, mas na rebeldia frente às injustiças que nos afirmamos”. Porque professor é um título que se conquista com um diploma comprado ou conquistado, mas ser educador é uma singularidade exclusiva; essência rara que se desprende daqueles que fazem do ofício de ensinar a arte de formar cidadãos. É preciso que leis deixem de ser meros projetos constitucionais, que as camadas conquistem a igualdade e que a educação seja prioridade.

E, então, quando a política deixar de ser uma transição entre a campanha e a eleição, as armas sociais serão recolhidas pelos jovens e pelo professor. O prazer de ensinar se refletirá no de aprender, e aí, sim, haverá melhorias na educação. E a educação cumprirá a sua missão, porque terá uma verdadeira história para contar.

Publicado em criança, educação, emocional, fingimento, pedagogia, razão | 4 Comentários

>Informática e Educação

>Eduardo O C Chaves

Em uma sociedade informatizada, como a que rapidamente começa a se desenvolver no Brasil, o problema da educação em, para e pela informática é de vital importância e precisa abranger todos os níveis do ensino formal e, também, o ensino informal.

A preocupação com estes problema se demonstra no fato de que hoje temos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) em informática (incluindo Ciência da Computação, Análise de Sistemas, Engenharia de Sistemas, etc); cursos de graduação na mesma àrea nas melhores universidades e em muitas escolas isoladas; Habilitações de 2° Grau, em escolas regulares e técnicas, que formam Técnicos em Computação e Escolas de 1° e 2° Graus que, mesmo sem oferecer habilitação na àrea, possibilitam que seus alunos tenham, de várias formas, contato com a informática e com microcomputadores; além de pré-escola que, utilizando micros como instrumento didático e lúdico, permitem que a criança já se familiarize desde cedo com o equipamento que se tornou sinônimo da sociedade informatizada. Tudo isso, sem falar nos inúmeros cursos livres que proliferam em nossas cidades, voltados para pessoas que desejam utilizar o microcomputador como ferramenta de trabalho ou crianças interessadas em explorar um equipamento sem dúvida fascinante, etc.

Mas a educação que é fornecida nesses vários níveis não se distingue apenas pelo maior ou menor aprofundammento em um mesmo conjunto de questões. Os conteúdos, os enfoques, as metodologias, são caracteristicamente diferentes, dependendo não só do nível do curso, mas dos objetivos educacionais, que, por sua vez, são condicionados pela clientela a que se destinam os vários cursos ou programas de ensino. Falando em linhas bem gerais, poderíamos dividir os programas educacionais voltados para informática em três grandes grupos.

1. Educação em Informática

Em um primeiro grupo teríamos os programas educacionais voltados para a profissionalização na àrea de informática, que englobam desde cursos livres até cursos de pós-graduação, e têm por objetivo formar um profissional de informática ou de computação: um digitador de dados, um operador de computadores, um programador, um analista de sistemas, um engenheiro especializado em hardware ou sofware básico, etc.

O conteúdo desses cursos é, via de regra, tipicamente técnico. A metodologia de ensino, conquanto admita, e mesmo requeira, o uso dos equipamentos, é, na maior parte dos casos, característicamente tradicional e convencional. Infelizmente, é preciso observar, de um lado, que mesmo universidades até de renome freqüentemente ministram cursos de graduação em Computação sem que os alunos tenham acesso direto aos equipamentos. Por outro lado, é preciso também que se mecione o fato de que algumas escolas livres, particulares e seriamente preocupadas com educação, e não apenas com o lucro fácil, têm procurado ministrar estes cursos profissionalizantes através do uso intensivo de equipamentos, oferecendo, inclusive, oportunidade de estágio.

2. Educação para Informática

O segundo grupo de programas educacionais é voltado, via de regra, não para aqueles interessados em se profissionalizar em informática, mas isto sim, para aqueles desejosos de utilizar a informática como ferramenta de trabalho em sua área (geralmente já bem definida) de atuação profissional. Aqui não se ensinam análise e desenvolvimento de sistemas. Ensina-se, isto, sim o leigo em informática a utilizar programas aplicativos genéricos e versáteis, voltados ao usuário final, e que são vendidos em “pacotes”no mercado.

3. Educação pela Informática

O terceiro grupo de programas educacionais não está voltado nem para a profissionalização nem para o usuário final de pacotes aplicativos. Este grupo de programas educacionais está voltado para aqueles interessados em utilizar a informática (ou em ver a informática utilizada) como um meio de promover uma aprendizagem ativa, dinâmica, motivada, de outros conteúdos (matemática, física, química, biologia) como um instrumento que ajude no desenvolvimento cognitivo da criança, como uma ferramenta auxiliar do processo de pensar e de resolver problemas. Os conteúdos aqui variam, dependendo dos objetivos específicos que se deseja atingir. O que se pretende é que a informática contribua para o desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente.

É importante ter em mente esses três tipos de programas educacionais relacionados com a informática ao procurar um curso para fazer; o curso errado poderá matar o que poderia ser um futuro interessante e promissor: fazer com que uma criança ou um aluno de 1° grau freqüente um curso profissionalizante de informática, em que esta é o conteúdo básico a ser assimilado, pode levar a criança a detestar o assunto. Da mesma forma que, sugerir a um profissional liberal, interessado em aplicar o microcomputador em seus afazeres, que faça um curso de programação em BASIC, também é, provavelmente, condená-lo à, no mínimo perder algum tempo e/ou dinheiro, a menos que ele esteja realmente interessado em aprender a programar.

Na verdade, o que dissemos acerca de cursos, aplica-se também a livros e a outros recursos instrucionais. O que é necessário na “febre informática” que hoje assalta o país, é ter cuidado e procurar escolas que já têm lastro e tradição no setor, que têm genuína preocupação pedagógica e uma base de equipamentos que permita intenso uso de computadores durante as aulas, ou mesmo depois delas, diferenciando bem aquelas escolas realmentre interessadas em promover a educação em, para e pela informática, daquelas criadas por “arrivistas” interessados no lucro fácil e rápido, e que, portanto, procuram atender a uma demanda não muito descriminatória de uma maneira inescrupulosa.

Fonte: http://edutec.net/Textos/Self/EDTECH/cartgraf.htm

Publicado em educação, escola, informática, professor, sala de aula | Deixe um comentário

Informática e Educação

Eduardo O C Chaves

Em uma sociedade informatizada, como a que rapidamente começa a se desenvolver no Brasil, o problema da educação em, para e pela informática é de vital importância e precisa abranger todos os níveis do ensino formal e, também, o ensino informal.

A preocupação com estes problema se demonstra no fato de que hoje temos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) em informática (incluindo Ciência da Computação, Análise de Sistemas, Engenharia de Sistemas, etc); cursos de graduação na mesma àrea nas melhores universidades e em muitas escolas isoladas; Habilitações de 2° Grau, em escolas regulares e técnicas, que formam Técnicos em Computação e Escolas de 1° e 2° Graus que, mesmo sem oferecer habilitação na àrea, possibilitam que seus alunos tenham, de várias formas, contato com a informática e com microcomputadores; além de pré-escola que, utilizando micros como instrumento didático e lúdico, permitem que a criança já se familiarize desde cedo com o equipamento que se tornou sinônimo da sociedade informatizada. Tudo isso, sem falar nos inúmeros cursos livres que proliferam em nossas cidades, voltados para pessoas que desejam utilizar o microcomputador como ferramenta de trabalho ou crianças interessadas em explorar um equipamento sem dúvida fascinante, etc.

Mas a educação que é fornecida nesses vários níveis não se distingue apenas pelo maior ou menor aprofundammento em um mesmo conjunto de questões. Os conteúdos, os enfoques, as metodologias, são caracteristicamente diferentes, dependendo não só do nível do curso, mas dos objetivos educacionais, que, por sua vez, são condicionados pela clientela a que se destinam os vários cursos ou programas de ensino. Falando em linhas bem gerais, poderíamos dividir os programas educacionais voltados para informática em três grandes grupos.

1. Educação em Informática

Em um primeiro grupo teríamos os programas educacionais voltados para a profissionalização na àrea de informática, que englobam desde cursos livres até cursos de pós-graduação, e têm por objetivo formar um profissional de informática ou de computação: um digitador de dados, um operador de computadores, um programador, um analista de sistemas, um engenheiro especializado em hardware ou sofware básico, etc.

O conteúdo desses cursos é, via de regra, tipicamente técnico. A metodologia de ensino, conquanto admita, e mesmo requeira, o uso dos equipamentos, é, na maior parte dos casos, característicamente tradicional e convencional. Infelizmente, é preciso observar, de um lado, que mesmo universidades até de renome freqüentemente ministram cursos de graduação em Computação sem que os alunos tenham acesso direto aos equipamentos. Por outro lado, é preciso também que se mecione o fato de que algumas escolas livres, particulares e seriamente preocupadas com educação, e não apenas com o lucro fácil, têm procurado ministrar estes cursos profissionalizantes através do uso intensivo de equipamentos, oferecendo, inclusive, oportunidade de estágio.

2. Educação para Informática

O segundo grupo de programas educacionais é voltado, via de regra, não para aqueles interessados em se profissionalizar em informática, mas isto sim, para aqueles desejosos de utilizar a informática como ferramenta de trabalho em sua área (geralmente já bem definida) de atuação profissional. Aqui não se ensinam análise e desenvolvimento de sistemas. Ensina-se, isto, sim o leigo em informática a utilizar programas aplicativos genéricos e versáteis, voltados ao usuário final, e que são vendidos em “pacotes”no mercado.

3. Educação pela Informática

O terceiro grupo de programas educacionais não está voltado nem para a profissionalização nem para o usuário final de pacotes aplicativos. Este grupo de programas educacionais está voltado para aqueles interessados em utilizar a informática (ou em ver a informática utilizada) como um meio de promover uma aprendizagem ativa, dinâmica, motivada, de outros conteúdos (matemática, física, química, biologia) como um instrumento que ajude no desenvolvimento cognitivo da criança, como uma ferramenta auxiliar do processo de pensar e de resolver problemas. Os conteúdos aqui variam, dependendo dos objetivos específicos que se deseja atingir. O que se pretende é que a informática contribua para o desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente.

É importante ter em mente esses três tipos de programas educacionais relacionados com a informática ao procurar um curso para fazer; o curso errado poderá matar o que poderia ser um futuro interessante e promissor: fazer com que uma criança ou um aluno de 1° grau freqüente um curso profissionalizante de informática, em que esta é o conteúdo básico a ser assimilado, pode levar a criança a detestar o assunto. Da mesma forma que, sugerir a um profissional liberal, interessado em aplicar o microcomputador em seus afazeres, que faça um curso de programação em BASIC, também é, provavelmente, condená-lo à, no mínimo perder algum tempo e/ou dinheiro, a menos que ele esteja realmente interessado em aprender a programar.

Na verdade, o que dissemos acerca de cursos, aplica-se também a livros e a outros recursos instrucionais. O que é necessário na “febre informática” que hoje assalta o país, é ter cuidado e procurar escolas que já têm lastro e tradição no setor, que têm genuína preocupação pedagógica e uma base de equipamentos que permita intenso uso de computadores durante as aulas, ou mesmo depois delas, diferenciando bem aquelas escolas realmentre interessadas em promover a educação em, para e pela informática, daquelas criadas por “arrivistas” interessados no lucro fácil e rápido, e que, portanto, procuram atender a uma demanda não muito descriminatória de uma maneira inescrupulosa.

Fonte: http://edutec.net/Textos/Self/EDTECH/cartgraf.htm

Publicado em educação, escola, informática, professor, sala de aula | 3 Comentários

>"Blogueiros" na sala de aula

>CARTA CAPITAL
por André de Oliveira

O blog é uma ferramenta fácil, barata e que permite uma comunicação escrita dinâmica entre seus alunos

Os bloggers surgiram no fim da década de 1990 e nos últimos anos tiveram crescimento acentuado. São criados, no mundo, 120 mil blogs por dia, 1,4 por segundo. O blog é o espaço pelo qual muitos adolescentes interagem, trocam informações e revelam suas aspirações e gostos pessoais. Este recurso se limita, na maioria das vezes, a um espaço alternativo de produção cultural; no entanto, existem algumas experiências de uso de blog em sala de aula que se revelaram eficientes e úteis na aprendizagem da escrita e troca de informações. Por se constituírem em um espaço de multiplicação e renovação cultural, os blogs criaram um novo léxico entre os usuários, que se apropriam de termos do inglês para criar sua própria linguagem.

Por exemplo, o dono do blog é o “blogueiro” e o texto inserido por ele é um post. A palavra foi transformada em “postar”, ou também, “postagem”, que é o ato de publicação. No entanto, os novos termos não devem assustar o professor que está interessado em levar o blog para a sala de aula; isso é o que mostra a experiência da professora Márcia Vescovi Fortunato, que vem utilizando o recurso há dois anos e tem obtido ótimos resultados. Fortunato ministra uma oficina de prática de leitura e escrita no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo. O projeto consiste na criação de um blog por aluno. Cada estudante deve publicar suas impressões pessoais acerca de um livro ou autor. Desse modo, diversas habilidades são desenvolvidas, como o ganho de intimidade com o texto escrito e a familiarização com maiores cargas de leitura. Ana Carolina Guimarães Abrão, aluna do curso de Pedagogia, diz em seu post: “Sempre achei que iria ter muita dificuldade em escrever, mas vejo que não, o que está me aborrecendo é ter que ler tanta coisa para a faculdade. Eu gosto do que leio, mas o fato de haver prazos me atrapalha”.

“Esse exercício de escrita no blog é muito bom, acho que estou melhorando mesmo… Quem sabe tenha o mesmo processo com a leitura. Quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler!” Para que as produções dos alunos não possam ser encontradas em ferramentas de busca, como o Google, Fortunato utiliza um recurso que impede a circulação dos blogs em “buscadores”; no entanto, isso não impede que os internautas tenham acesso aos blogs.

Ferramenta para textos curtos

Márcia Fortunato usa o blog, com seus alunos, como uma espécie de bloco de anotações que servirá para a confecção de um futuro trabalho. A professora acredita que seu método aumenta o interesse do aluno, pois utiliza uma ferramenta moderna e dinâmica que permite a interação entres os estudantes. A cada publicação semanal que os alunos fazem, a professora interfere, dando sugestões e demonstrando sua opinião. Além disso, os estudantes podem interagir entre si, fazendo apontamentos ou opinando sobre o que foi escrito.

Existe, também, a manutenção de um blog pela professora, que aprofunda questões discutidas em aula, além de servir como uma espécie de ponto de encontro dos blogs dos alunos. Fortunato ressalta que o blog é uma ferramenta que preza textos curtos e de fácil manipulação. Sendo assim, um trabalho que demande grandes pesquisas e textos mais elaborados não deve utilizar o recurso.

O blog pode trazer diversos benefícios para a aprendizagem, como o aumento do espírito crítico dos alunos, a melhora na produção escrita e a maior familiaridade com a leitura e interpretação de textos informativos, literários e teóricos. Porém, o ponto alto é, talvez, a criação de uma maior intimidade do aluno com aquilo que ele produz. Na medida em que a produção do estudante é algo pessoal, o blog ajuda a ressaltar esse aspecto. Ao ser questionada se seria boa idéia fazer o uso da metodologia em turmas de Ensino Fundamental e Médio, Fortunato diz que sim: “O espírito do blog é o de uma ferramenta fácil, barata e que favorece a comunicação entre os estudantes, estimulando-os por meio da criação de um espaço pessoal”. A professora conclui dizendo que a metodologia pode ser aplicada a qualquer disciplina escolar, em qualquer instituição.

O blog no Ensino Médio

Maria Luiza Aburre, coordenadora de Língua Portuguesa da Escola Comunitária de Campinas e autora de livros didáticos para o Ensino Médio, é uma incentivadora de projetos que envolvam tecnologia e educação. Defendendo postura semelhante à de Márcia Fortunato, Aburre acredita que a experiência feita no Instituto Vera Cruz poderia, muito bem, ser aplicada no Ensino Médio e Fundamental. “O blog é um espaço interessante para o professor de Ensino Médio que tenha como preocupações não apenas desenvolver o texto, mas fazer com que o aluno esteja informado sobre questões da atualidade. Você pode, por exemplo, propor um tema de discussão por semana e fazer com que os alunos o discutam no blog”, diz Maria Luiza.

Temas da atualidade e livros pedidos nas listas dos principais vestibulares do Brasil poderiam virar o centro de diversas discussões via internet. A única ressalva feita por Aburre é de que a criação do blog de cada aluno acarreta a exposição na internet do texto do estudante e, principalmente, sua exposição aos colegas de classe. Para isso, é oferecida uma opção: a criação de um blog para a sala inteira; deste modo, o professor poderia controlar de perto o que é produzido pelos seus alunos, mantendo a seriedade do método. Caberia ao educador criar um tópico de discussão por semana e selecionar alunos para serem redatores e mediadores das discussões decorrentes do tema. Ao final da semana, os estudantes poderiam criar um texto acerca do assunto discutido no blog e os melhores textos seriam publicados, evitando, desse modo, a exposição dos textos de todos os alunos. No entanto, Maria Luiza não recusa a idéia de Márcia, apenas diz que a criação de um blog e a subseqüente publicação de temas dependem de um compromisso e maturidade que, talvez, os alunos do Ensino Médio não tenham. Isso cabe ao professor definir.

O blog, usado como recurso didático tem muito a contribuir para o aprendizado escolar, conforme as professoras constatam. O que deve ser entendido pelo educador é que “a ferramenta mudou, mas a natureza da habilidade que precisa ser construída nos alunos, não. O professor deve ser o responsável por criar um senso crítico no aluno; assim como faz com livros, deve fazer também com a internet. Nem todos os livros são bons, nem tudo o que está presente na internet tem qualidade, mas ao contrário do que se pensa, existe muita coisa boa na rede. Por isso o professor não pode se abster desse mundo virtual”, diz Maria Luiza Aburre. O blog, ela acredita, é um bom começo para se iniciar uma aproximação com a internet e aumentar o interesse dos estudantes.

Fonte: http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=574417

Publicado em alunos, blog, blogueiros, pedagogia, professor, recursos, sala de aula | Deixe um comentário

"Blogueiros" na sala de aula

CARTA CAPITAL
por André de Oliveira

O blog é uma ferramenta fácil, barata e que permite uma comunicação escrita dinâmica entre seus alunos

Os bloggers surgiram no fim da década de 1990 e nos últimos anos tiveram crescimento acentuado. São criados, no mundo, 120 mil blogs por dia, 1,4 por segundo. O blog é o espaço pelo qual muitos adolescentes interagem, trocam informações e revelam suas aspirações e gostos pessoais. Este recurso se limita, na maioria das vezes, a um espaço alternativo de produção cultural; no entanto, existem algumas experiências de uso de blog em sala de aula que se revelaram eficientes e úteis na aprendizagem da escrita e troca de informações. Por se constituírem em um espaço de multiplicação e renovação cultural, os blogs criaram um novo léxico entre os usuários, que se apropriam de termos do inglês para criar sua própria linguagem.

Por exemplo, o dono do blog é o “blogueiro” e o texto inserido por ele é um post. A palavra foi transformada em “postar”, ou também, “postagem”, que é o ato de publicação. No entanto, os novos termos não devem assustar o professor que está interessado em levar o blog para a sala de aula; isso é o que mostra a experiência da professora Márcia Vescovi Fortunato, que vem utilizando o recurso há dois anos e tem obtido ótimos resultados. Fortunato ministra uma oficina de prática de leitura e escrita no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo. O projeto consiste na criação de um blog por aluno. Cada estudante deve publicar suas impressões pessoais acerca de um livro ou autor. Desse modo, diversas habilidades são desenvolvidas, como o ganho de intimidade com o texto escrito e a familiarização com maiores cargas de leitura. Ana Carolina Guimarães Abrão, aluna do curso de Pedagogia, diz em seu post: “Sempre achei que iria ter muita dificuldade em escrever, mas vejo que não, o que está me aborrecendo é ter que ler tanta coisa para a faculdade. Eu gosto do que leio, mas o fato de haver prazos me atrapalha”.

“Esse exercício de escrita no blog é muito bom, acho que estou melhorando mesmo… Quem sabe tenha o mesmo processo com a leitura. Quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler!” Para que as produções dos alunos não possam ser encontradas em ferramentas de busca, como o Google, Fortunato utiliza um recurso que impede a circulação dos blogs em “buscadores”; no entanto, isso não impede que os internautas tenham acesso aos blogs.

Ferramenta para textos curtos

Márcia Fortunato usa o blog, com seus alunos, como uma espécie de bloco de anotações que servirá para a confecção de um futuro trabalho. A professora acredita que seu método aumenta o interesse do aluno, pois utiliza uma ferramenta moderna e dinâmica que permite a interação entres os estudantes. A cada publicação semanal que os alunos fazem, a professora interfere, dando sugestões e demonstrando sua opinião. Além disso, os estudantes podem interagir entre si, fazendo apontamentos ou opinando sobre o que foi escrito.

Existe, também, a manutenção de um blog pela professora, que aprofunda questões discutidas em aula, além de servir como uma espécie de ponto de encontro dos blogs dos alunos. Fortunato ressalta que o blog é uma ferramenta que preza textos curtos e de fácil manipulação. Sendo assim, um trabalho que demande grandes pesquisas e textos mais elaborados não deve utilizar o recurso.

O blog pode trazer diversos benefícios para a aprendizagem, como o aumento do espírito crítico dos alunos, a melhora na produção escrita e a maior familiaridade com a leitura e interpretação de textos informativos, literários e teóricos. Porém, o ponto alto é, talvez, a criação de uma maior intimidade do aluno com aquilo que ele produz. Na medida em que a produção do estudante é algo pessoal, o blog ajuda a ressaltar esse aspecto. Ao ser questionada se seria boa idéia fazer o uso da metodologia em turmas de Ensino Fundamental e Médio, Fortunato diz que sim: “O espírito do blog é o de uma ferramenta fácil, barata e que favorece a comunicação entre os estudantes, estimulando-os por meio da criação de um espaço pessoal”. A professora conclui dizendo que a metodologia pode ser aplicada a qualquer disciplina escolar, em qualquer instituição.

O blog no Ensino Médio

Maria Luiza Aburre, coordenadora de Língua Portuguesa da Escola Comunitária de Campinas e autora de livros didáticos para o Ensino Médio, é uma incentivadora de projetos que envolvam tecnologia e educação. Defendendo postura semelhante à de Márcia Fortunato, Aburre acredita que a experiência feita no Instituto Vera Cruz poderia, muito bem, ser aplicada no Ensino Médio e Fundamental. “O blog é um espaço interessante para o professor de Ensino Médio que tenha como preocupações não apenas desenvolver o texto, mas fazer com que o aluno esteja informado sobre questões da atualidade. Você pode, por exemplo, propor um tema de discussão por semana e fazer com que os alunos o discutam no blog”, diz Maria Luiza.

Temas da atualidade e livros pedidos nas listas dos principais vestibulares do Brasil poderiam virar o centro de diversas discussões via internet. A única ressalva feita por Aburre é de que a criação do blog de cada aluno acarreta a exposição na internet do texto do estudante e, principalmente, sua exposição aos colegas de classe. Para isso, é oferecida uma opção: a criação de um blog para a sala inteira; deste modo, o professor poderia controlar de perto o que é produzido pelos seus alunos, mantendo a seriedade do método. Caberia ao educador criar um tópico de discussão por semana e selecionar alunos para serem redatores e mediadores das discussões decorrentes do tema. Ao final da semana, os estudantes poderiam criar um texto acerca do assunto discutido no blog e os melhores textos seriam publicados, evitando, desse modo, a exposição dos textos de todos os alunos. No entanto, Maria Luiza não recusa a idéia de Márcia, apenas diz que a criação de um blog e a subseqüente publicação de temas dependem de um compromisso e maturidade que, talvez, os alunos do Ensino Médio não tenham. Isso cabe ao professor definir.

O blog, usado como recurso didático tem muito a contribuir para o aprendizado escolar, conforme as professoras constatam. O que deve ser entendido pelo educador é que “a ferramenta mudou, mas a natureza da habilidade que precisa ser construída nos alunos, não. O professor deve ser o responsável por criar um senso crítico no aluno; assim como faz com livros, deve fazer também com a internet. Nem todos os livros são bons, nem tudo o que está presente na internet tem qualidade, mas ao contrário do que se pensa, existe muita coisa boa na rede. Por isso o professor não pode se abster desse mundo virtual”, diz Maria Luiza Aburre. O blog, ela acredita, é um bom começo para se iniciar uma aproximação com a internet e aumentar o interesse dos estudantes.

Fonte: http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=574417

Publicado em alunos, blog, blogueiros, pedagogia, professor, recursos, sala de aula | Deixe um comentário

>Projeto Cinema no Caldeirão – 13/12

>Fazer uma crítica de uma animação é algo complicado, mas fazer uma crítica de uma ÓTIMA animação, consegue ser muito mais difícil. Quando a coisa é ruim, tentamos achar todos os defeitos possíveis e impossíveis para meter o sarrafo em tudo e jogar diretor, equipe e produção, lá pra baixo sem um pingo de misericórdia e com muito ódio no coraçãozinho. Mas e quando TUDO é perfeito? Do começo ao fim, tudo encaixando numa perfeita harmonia que te deixa com aquela cara de bobo? Daqueles que você só quer assistir, sem preocupação, simplesmente aproveitando cada momento de prazer que o filme proporciona…

Wall-E, o nono filme de animação da Pixar, é irretocável e cada vez mais percebemos que a principal preocupação não é a qualidade gráfica dos cenários – que são simplesmente PERFEITOS, mas sim os personagens e o momentos que eles criam para nós, espectadores.

Quer um exemplo? Quando falamos em Procurando Nemo, o que vem primeiro em nossas cabeças? As aventuras de Nemo e seu papi ou o impressionante gráfico dos oceanos? E Monstros S.A.? Carros? Os Incríveis?

O filme começa com uma forte cena, mostrando uma rápida panorâmica do nosso planeta Terra desde o espaço até a superfície, com pilhas e pilhas de lixo deixados pelos humanos. Em meio a essa bagunça toda, surge então o nosso simpático e solitário robozinho e sem qualquer trilha sonora, o título é exibido. Wall-E nada mais é que uma história de amor entre dois robôs com missões diferentes, mas o propósito único de ajudar a humanidade. Mas não pense que a Pixar se esqueceu da ação. Ela está lá, na medida e na hora exata e sempre acompanhada de um ótimo toque de humor que fica a cargo do robozinho.

Eu poderia ainda completar e ficar aqui escrevendo horas sobre a belíssima arte gráfica, a trilha sonora impecável, participação de PESSOAS reais e até mesmo a mensagem sobre as questões ambientais e humanitárias que envolvem o filme, mas diante de um robozinho cujo propósito é limpar o lixo da Terra, como olhos que hora parecem tristes e hora alegres, repetindo seu nome de uma forma que emociona, que se apaixona por Eva (Eve) e fará de tudo para ficar ao lado de sua paixão (como eu disse ali em cima, é uma história de amor, lembra?), todo o resto acaba ficando em segundo plano.

Wall-E não só prova que a Pixar é IMBATÍVEL no que faz como também que a animação é mais que um gênero, é um livro de histórias contadas de uma forma diferente e emocionamente.

Melhor filme de animação do ano? Não! É a MELHOR animação que já existiu! Sério. Então corra já pra locadora, alugue o filme e reuna os filhos, a namorada ou quem quer que seja e aproveite o espetáculo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Publicado em Andrew Stanton, animação, cinema, Cult, Desenhos animados, Disney, Ficção, Pixar, Projeto Cinema no Caldeirão, sala de aula, Trailer, vídeo, Wall-E | Deixe um comentário

Projeto Cinema no Caldeirão – 13/12

Fazer uma crítica de uma animação é algo complicado, mas fazer uma crítica de uma ÓTIMA animação, consegue ser muito mais difícil. Quando a coisa é ruim, tentamos achar todos os defeitos possíveis e impossíveis para meter o sarrafo em tudo e jogar diretor, equipe e produção, lá pra baixo sem um pingo de misericórdia e com muito ódio no coraçãozinho. Mas e quando TUDO é perfeito? Do começo ao fim, tudo encaixando numa perfeita harmonia que te deixa com aquela cara de bobo? Daqueles que você só quer assistir, sem preocupação, simplesmente aproveitando cada momento de prazer que o filme proporciona…

Wall-E, o nono filme de animação da Pixar, é irretocável e cada vez mais percebemos que a principal preocupação não é a qualidade gráfica dos cenários – que são simplesmente PERFEITOS, mas sim os personagens e o momentos que eles criam para nós, espectadores.

Quer um exemplo? Quando falamos em Procurando Nemo, o que vem primeiro em nossas cabeças? As aventuras de Nemo e seu papi ou o impressionante gráfico dos oceanos? E Monstros S.A.? Carros? Os Incríveis?

O filme começa com uma forte cena, mostrando uma rápida panorâmica do nosso planeta Terra desde o espaço até a superfície, com pilhas e pilhas de lixo deixados pelos humanos. Em meio a essa bagunça toda, surge então o nosso simpático e solitário robozinho e sem qualquer trilha sonora, o título é exibido. Wall-E nada mais é que uma história de amor entre dois robôs com missões diferentes, mas o propósito único de ajudar a humanidade. Mas não pense que a Pixar se esqueceu da ação. Ela está lá, na medida e na hora exata e sempre acompanhada de um ótimo toque de humor que fica a cargo do robozinho.

Eu poderia ainda completar e ficar aqui escrevendo horas sobre a belíssima arte gráfica, a trilha sonora impecável, participação de PESSOAS reais e até mesmo a mensagem sobre as questões ambientais e humanitárias que envolvem o filme, mas diante de um robozinho cujo propósito é limpar o lixo da Terra, como olhos que hora parecem tristes e hora alegres, repetindo seu nome de uma forma que emociona, que se apaixona por Eva (Eve) e fará de tudo para ficar ao lado de sua paixão (como eu disse ali em cima, é uma história de amor, lembra?), todo o resto acaba ficando em segundo plano.

Wall-E não só prova que a Pixar é IMBATÍVEL no que faz como também que a animação é mais que um gênero, é um livro de histórias contadas de uma forma diferente e emocionamente.

Melhor filme de animação do ano? Não! É a MELHOR animação que já existiu! Sério. Então corra já pra locadora, alugue o filme e reuna os filhos, a namorada ou quem quer que seja e aproveite o espetáculo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Publicado em Andrew Stanton, animação, cinema, Cult, Desenhos animados, Disney, Ficção, Pixar, Projeto Cinema no Caldeirão, sala de aula, Trailer, vídeo, Wall-E | 1 Comentário

>Wall-E

>Wall-E propriamente dito, eu diria que não é só um mero filme de animação; eu diria que Andrew Stanton criou um futuro clássico da Ficção Científica, uma coisa que lá por ser cômica e ter bonecos merece figurar no panteão dos inesquecíveis do gênero, entre coisas como 2001 ou Blade Runner.

Como de costume, a produtora deita e rola nas referências pop. As citações a “2001: Uma odisséia no espaço” são muitas: desde a trilha sonora até o computador HAL 9000, vilão do clássico de Stanley Kubrick. Também há referências a “E.T.”, de quem Wall.e parece ser uma reencarnação robotizada.

Primeiro funciona como uma sinfonia eletrônica sobre a solidão, em toda uma seção de filme praticamente desprovida de diálogo mostrando o pequeno robot no seu trabalho paciente de recolha e compressão dos lixos deixados na Terra há 700 anos, quando a Humanidade partiu

Um libelo pela preservação do planeta. Um romance belíssimo e totalmente diferenciado. Um filme de ficção em que os personagens principais não falam sequer uma palavra. Uma animação destinada a entrar no rol das mais impressionantes e fascinantes já realizadas em todos os tempos. Assim é “Wall-e”, o mais recente lançamento da parceria entre a Disney e a Pixar.
Wall-e é o nome de um robozinho criado para juntar os detritos da humanidade e compactá-los para que depois possam ser empilhados e acumulados em depósitos.

O objetivo é sanear o planeta… Se é que isso é possível tendo em vista o alucinante ritmo de consumo dos habitantes da Terra desde a Revolução Industrial, cada vez mais avassalador e crescente… Quando o filme se inicia, à distância vemos uma grande cidade, com edifícios enormes e, na medida em que a câmera se aproxima, percebemos que esses prédios são pilhas e pilhas de resíduos acumulados há anos pelos vários Wall-es colocados na Terra…

Circulando pelos amontoados de ferro-velho está Wall.E (sigla para Waste Allocation Load Lifter Earth Class, ou em português, Empilhadeira de Lixo de Uso Terrestre) e uma baratinha, fiel companheira em sua rotina diária de recolher e compactar o lixo e, eventualmente, guardar para si objetos que possam lhe vir a ser úteis no futuro – como uma fita de videocassete do musical de 1969 “Hello, Dolly”, estrelado por Barbra Streisand e Walter Matthau, que o solitário Wall-E revê todo santo dia quando volta para casa.

De todos aqueles Robôs, apenas um continua ativo. E sua única companhia é uma esperta é ágil baratinha, sobrevivente do desastre ambiental que não permitiu que nada mais que fosse orgânico pudesse resistir. Em suas andanças e limpezas do planeta, Wall-e descobre uma plantinha preservada dentro de um refrigerador, a esperança de que a vida retorne…

Mas é a chegada de Eva, um outro robô, enviado a Terra pelos sobreviventes que estão há séculos instalados (e plenamente acomodados) numa nave a perambular pelo universo, como se estivessem num grande cruzeiro (só que espacial e não marítimo), em busca de sinais de vida em nosso planeta dá o tom de romance, humor e graça nesse filme memorável.

Depois o filme se transforma numa sátira refrescante a algo que já foi satirizado das mais variadas formas – a sociedade de consumo, um futuro feito de obesos incapazes de conversar com os seus semelhantes sem ser através de um monitor (mesmo que eles estejam ali ao pé).

Mas e quando o filme é maravilhoso, que te encanta do início ao fim? Quando cada fotograma é feito pura magia, tanta magia que você em nenhum momento lembra o que é um fotograma? Daqueles em que te faz voltar à infância? Daqueles que não deixa você pensar, apenas sentir, ser levado pela maré.Wall-E, “é um filme de Amor. (…) Como todo apaixonado, não vi defeitos. Nem quero.” E é exatamente esse o problema que enfrento ao escrever essa crítica, afinal é uma história de Amor, lembra? E todo o resto perde sentido.

Para crianças e adultos que ainda acreditam na vida, “Wall-e” é programa obrigatório. Imperdível. Cinema de Primeiríssima!

O filme

A história tem início no ano de 2700. Na trama, o mundo foi soterrado pelo lixo da humanidade. Sem alternativas, os humanos tiveram a idéia de partir em um cruzeiro galáctico de luxo na estação espacial Axiom e criaram um grupo de robôs para recolher o lixo que os seres humanos espalharam pela Terra. A idéia era de retornar em 5 anos, porém algo aconteceu e eles nunca mais retornaram. Essas máquinas identificadas como WALL·E (acrónimo para Waste Allocation Load Lifters – Earth-Class, em português, Elevador de Detritos-Classe Terra) não suportam as condições precárias em que se encontra o planeta e acabam deixando de funcionar.

Um único exemplar de WALL·E, no entanto, continua funcionando, e passa a vagar pelo planeta realizando a tarefa a qual ele foi programado a fazer, e por 700 anos ele trabalha sozinho colecionando inúmeros artefatos humanos que ele encontra durante a limpeza. Entre eles, estão um cubo mágico, um aparelho de VHS e uma fita de seu filme favorito, Hello, Dolly!.

Nesse espaço de tempo, o pequeno WALL·E desenvolveu consciência e personalidade. Seu interesse pela cultura de um povo que ele nunca encontrou só cresceu, assim como seu respeito pela vida, que ele conhece apenas na forma de um eventual broto ou sua companheira, uma baratinha de estimação, Spot. Mas num dia como tantos outros, chega dos céus uma nave. WALL·E recebe a visita de EVA(Examinadora de Vegetação Alienígena), uma nova espécie de robô, enviada ao planeta para cumprir uma rápida missão de procurar exemplares vegetais vivos. A felicidade do personagem, porém, dura pouco e, quando EVA é chamada de volta à estação espacial Axiom, WALL-E agarra a nave que a transporta para segui-la.

Para Refletir Aos Professores

O filme mostra o que pode acontecer se a humanidade continuar a produzir tanto lixo: o que vemos é um futuro pessimista, em que todas as pessoas são obesas, vivem restritas a uma nave espacial e são controladas por grandes corporações. Mas também há espaço para os temas preferidos da produtora: o amor, a amizade e a lealdade.

Toda a trama é explicada por meio de imagens, sem diálogos. Mesmo com o uso econômico das palavras, que só aparecem quando Eva entra na história, “Wall.E” é a animação da Pixar que traz uma mensagem educativa de forma mais explícita.

Mais do que sugestivo, o contraste entre esses dois mundos também divide o filme em dois: de um lado, o panorama inóspito, empoeirado, pós-apocalíptico, de ficção científica (será?) onde vivem Wall-E e a baratinha; do outro, um universo colorido e caricato (será?), com os humanos mais obesos e consumistas do que nunca, circulando em suas esteiras flutuantes, completamente alienados não só da realidade lá fora, isto é, no planeta Terra, mas também do contato com seus próprios vizinhos, com quem se relacionam apenas através de monitores holográficos prostrados a meio palmo diante de seus olhos.

Ficha Técnica

Wall-E

País/Ano de produção: EUA , 2008
Duração/Gênero: 103 min., Comédia/Aventura
Indicação Etária:Livre
Direção de Andrew Stanton
Roteiro de Andrew Stanton
Elenco: Ben Burtt … WALL•E / M-O (voz)
Elissa Knight … EVE (voz)
Jeff Garlin … Captain (voz)
Fred Willard … Shelby Forthright – BnL CEO
MacInTalk … AUTO (voz)
John Ratzenberger … John (voz)
Kathy Najimy … Mary (voz)
Sigourney Weaver … Ship’s Computer (voz)
Kim Kopf … Hoverchair Mother (voz)
Garrett Palmer … Blond Boy in BnL Commercial (voz)
Kai Steel Smith … Brown haired boy in BnL commercia

Videos-Relacionados

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://joaoluis28.wordpress.com/2008/07/23/125/

Publicado em Andrew Stanton, animação, cinema, Cult, Desenhos animados, Disney, Ficção, Pixar, Projeto Cinema no Caldeirão, sala de aula, Trailer, vídeo, Wall-E | Deixe um comentário