Tela Quente – O Dia Depois de Amanhã

Neste filme-catástrofe, o aquecimento global provoca alterações climáticas extremas causam devastação e uma nova era glacial no planeta

Na década de 1980, o filme O dia seguinte (The day after) , que retratou as possíveis consequências de um bombardeio nuclear em solo estadunidense, teve um enorme impacto popular e contribuiu significativamente para as campanhas contrárias à corrida armamentista da Guerra Fria. Filmado 21 anos depois, O dia depois de amanhã (The day after tomorrow) , pelo título original em inglês, até parece tratar-se de uma sequência. Basta substituir os impetuosos líderes soviéticos por uma natureza enfurecida graças à ganância e à imprecaução de certos líderes políticos com o aquecimento global e a história é a mesma: famílias tentando sobreviver a um enorme desastre.

Demorou, mas o planeta Terra vai se vingar dos humanos. O Japão é atingido por uma tempestade que faz cair do céu pedras de gelo do tamanho de laranjas, e neva na Índia, onde uma conferência trata do meio ambiente. O climatologista Jack Hall (Dennis Quaid) tenta alertar chefes de Estado sobre uma catástrofe ambiental iminente, mas nem sempre é ouvido. O vice-presidente norte-americano, por exemplo, afirma que assinar o protocolo de Kyoto (que regula as emissões de dióxido de carbono no planeta) seria amarrar a economia de seu país – e ele prefere as verdinhas das notas de dólar ao verde das florestas.

Hall não está sozinho. O britânico Terry Rapson (Ian Holm) compartilha de suas crenças sobre o desastre climático, e os dois mantêm contato enquanto acontecimentos incomuns tomam conta do mundo e colocam em pânico a população: furacões, que só se formam sobre o mar, aparecem em terra firme; ondas gigantescas engolem prédios em Nova York; pessoas na Escócia simplesmente são congeladas vivas em segundos. É o aquecimento global provocando o resfriamento global, por mais irônico que isso possa parecer. Hall já havia previsto essa reviravolta, mas não imaginava que ela viria tão cedo e de forma tão brusca. O resultado pode ser uma nova era glacial no planeta. E o professor ainda tem um drama pessoal: o filho, Sam (Jake Gyllenhaal), está preso em Manhattan com colegas de escola.

O que faz de O Dia Depois de Amanhã um filme-catástrofe diferente de produções recentes do gênero é que este congelamento da Terra (ou de parte dela) é uma possibilidade, enquanto invasões alienígenas e impactos de meteoros são mais improváveis – e não dependem do comportamento humano, ao contrário do aquecimento global. A diferença é que, segundo os cientistas, o desenrolar desta eventual tragédia levaria anos e não semanas. O filme tem um discurso moralista às vezes, e os políticos norte-americanos, personificados no insensível vice-presidente, são os vilões da vez, como o são na vida real ao se recusarem a assinar o Protocolo de Kyoto. Agenda política à parte, os efeitos especiais são o trunfo do filme. Cenas como a devastação de Los Angeles e a inundação de Manhattan impressionam por seu realismo, e mostram que o diretor Roland Emmerich pode ser considerado um especialista no gênero.

Por que poderíamos nós humanos aprimorados de inteligência, mas se com a nossa mãe natureza nos comportamos a vida toda como seres atrasados e que pouco a respeitamos e muito a destruímos, achar que ela nunca reagiria? Os desertos mais aquecidos, os Oceanos mais volumosos, Cidades Costeiras ameaçadas de extinção, enfim o que faremos agora?

Com apenas um filme, o cinema de Hollywood está conseguindo transmitir a milhões que as mudanças climáticas não são “ficção científica”, mas realidade com conseqüências que poderão ser imprevisíveis (e terríveis) para a humanidade.

O filme de catástrofe “O Dia Depois de Amanhã” ignora as leis da física e é repleto de referências científicas equivocadas, segundo a opinião de especialistas britânicos, porém todos acreditam que o filme é uma forma positiva de chamar a atenção para o problema das mudanças climáticas.

O ex-Vice-Presidente americano Al Gore, ambientalista convicto, afirmou que os riscos que o filme apresenta são uma ameaça real para o futuro de todos nós.

O maior conselheiro científico do governo britânico, David King, tem esperança que milhões de americanos vejam o filme e formem consciência do grave problema.

Equívocos técnicos

David King descreveu o “O Dia Depois de Amanhã” como um “filme de ação espetacular” que mostra a interrupção da corrente do Golfo e, como conseqüência, o hemisfério norte entra em uma nova era glacial.

Os cientistas concordam que a mudança climática pode enfraquecer a circulação térmica, o fenômeno que impulsiona a corrente do Golfo, mas não esperam que ela cause uma interrupção completa como no filme.

King disse que a atual concentração global de dióxido de carbono na atmosfera, de 379 partes por milhão, é a maior dos últimos 420 mil anos, sendo “significativamente mais alta” do que em períodos quentes anteriores.

Isso não significa que a circulação térmica, que eleva a temperatura de parte da Europa em 5ºC, cessaria por completo. Pelo menos não tão rapidamente quanto foi mostrado no filme.

O filme “mostra os eventos acontecendo em um período de poucas semanas. Se isso acontecer, vai levar décadas ou séculos”, disse o cientista. “O filme mostra os desenvolvimentos acontecendo em uma velocidade improvável, ou mesmo impossível.”

Mas ele diz que, enquanto uma explicação científica sobre mudanças climáticas levaria muito tempo para ser dada, “o filme transmite a mensagem em poucas linhas de diálogo. É um belíssimo exemplo de roteiro”.

“Espero que o público americano veja o filme. É muito importante que tomemos consciência do que a ciência está dizendo, e isso inclui os políticos americanos.”

Informação

King lembrou que 21 mil pessoas morreram a mais durante a onda de calor que envolveu a Europa em 2003 — atribuída à mudança climática –, mas essa conexão foi feita pelas pessoas muito bem informadas, o que não é o caso do grande público.

O cientista disse que “existe um problema ao dramatizar esse tipo de evento porque, mesmo quando eles acontecem na vida real, parece que nós não os notamos muito”.

Geoff Jenkins, chefe de previsão climática do Centro Hadley de pesquisa, disse que “esse é apenas um filme e Hollywood não iria investir dinheiro em um grupo de cientistas discutindo incertezas”.

Jenkins disse que um colapso da circulação térmica é um evento de baixa probabilidade, mas de alto impacto. Ele disse que os cientistas não saberiam afirmar quão baixa é essa probabilidade, e em princípio, se ela poderia acontecer.

O cientista David Viner, da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, disse que “o filme aborda vários detalhes erroneamente”, mas “informa sobre as mudanças climáticas, o que é bastante positivo e útil”.

Nos Estados Unidos, O Dia Depois de Amanhã já está sendo considerado o filme predileto do Partido Democrata, porque fica clara a intenção do diretor de alfinetar a política ambiental de Bush, altamente nociva para o meio ambiente.

Até a imprensa americana já mudou o nome do longa. Agora ele se chama “O Filme que a Casa Branca não Quer que Você Veja”.

A primeira metade é bacana: lindas cenas de destruição, Nova York inundada, furacões gigantes em Los Angeles, granizo digno de Godzilla caindo dos céus de Tóquio. Inaugura-se uma nova Era do Gelo, capaz de fazer o Empire State virar sorvete em menos de um minuto.

A bandeira dos EUA trêmula em triunfo numa das primeiras cenas. Mais tarde, porém, um vento polar haverá de imobilizá-la espetacularmente, sob uma camada instantânea de gelo.

A própria catástrofe nasce de uma inversão de expectativas. A nova Era do Gelo foi provocada pelo aquecimento global. É que com o derretimento das calotas polares as correntes marítimas se desorganizam, e esse fator, por sua vez , o cientista americano (Dennis Quaid, com a expressão do rosto congelada num constante alarme) encarrega-se de explicar tudo direitinho.

O cientista está numa reunião da ONU: os representantes do mundo árabe, razoáveis e esclarecidos, entendem o problema na hora. O vice-presidente americano, radical de direita, não quer saber de nada. Num filme produzido pela Fox não deixa de ser uma ironia interessante. Outras virão: em meio ao pânico climático, um mendigo nova-iorquino e até os povos latino-americanos irão mostrar certo valor paradoxal.

Um cientista inglês (o resignado Ian Holm) se associa aos americanos. O continente europeu, num ato de presumível ressentimento geopolítico, é ignorado no filme. Com belas cenas de terrorismo ecológico, a nova Guerra Fria imaginada por Emmerich não aponta inimigos claros para os Estados Unidos. Exceto, talvez, o próprio planeta Terra.

Bem o filme proporciona bons ganchos para aulas bem interessantes, recursos no Youtube, no Google, no Wikipédia e trabalho no Excel, Word e Power Point.

Assista o trailer e veja a ficha técnica do filme.http://www.youtube.com/v/uglwyP4eop8

Abraços

Equipe NTE Itaperuna


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