Professor, use o blog para interagir com seus alunos


Cibele Gandolpho

Imagine a cena: a professora está na sala de aula, passando aos alunos uma discussão sobre as guerras. Ao final da aula, ela passa a lição de casa e faz um comentário: “Hoje, vou escrever um post no blog sobre o assunto de que falamos hoje. Gostaria que todos vocês deixassem comentários para que, na aula que vem, continuássemos o debate”. Cenas como essa são cada vez mais comuns nas instituições de ensino. Os professores têm percebido, nos últimos anos, que o computador se tornou uma ferramenta fundamental para o seu dia-a-dia, e o advento da Internet trouxe muitos benefícios que facilitam o trabalho, tanto no campo administrativo como no pedagógico. A relação professor e tecnologias de informação tem sido desmistificada.

Mas, afinal, o que é blog? Para quem ainda não sabe, blog é uma abreviação de weblog, ou seja, páginas pessoais na Internet que têm mecanismos de interação e permitem manter conversas entre pessoas ou grupos. Chamado de diário on-line, o blog é escrito por uma ou mais pessoas. O leitor poder enviar links de notícias publicadas em outros veículos, fazer comentários sobre cada texto ou apenas ler os temas abordados. Desde que surgiram no mundo virtual, os blogs deixaram de ser apenas diários on-line para assumir funções muito mais significativas no processo de comunicação. Esse dinamismo e a possibilidade de ampliar a difusão de idéias fazem do blog um aliado para professores no processo de aprendizagem e ensino.

Na educação, o blog tem levado muitos professores e alunos a debater temas diversos, pois esse tipo de comunicação se tornou muito popular entre os jovens, que transformaram o ciberespaço em seus diários pessoais. Algum tempo depois do surgimento dessa febre, os blogs conquistaram repórteres e editores de vários países, passando a servir de ferramenta para um novo gênero de jornalismo: o que aborda notícias do ponto de vista opinativo, a fim de propor um contato direto entre leitores e jornalistas.

Cautela é bom
No entanto, tudo pode parecer muito legal, mas é preciso cuidado. “O professor não pode escrever o que bem entender no blog. Não dá, por exemplo, para chamar a atenção de um aluno ou publicar fotos da escola e dos estudantes sem autorização prévia, mesmo que seja de uma festinha da turma. Apesar de ser um diário on-line, muita gente confunde liberdade de expressão com falta de responsabilidade”, aconselha o consultor de tecnologia e informática educacional Marco Aurélio Nunes.

O professor pode utilizar o blog com seus alunos de duas formas. A primeira é como um diário pessoal, com comentários sobre assuntos diversos a fim de estabelecer indiretamente um vínculo com os alunos e estimulá-los à leitura, ao uso da Internet, ao ensino a distância, entre outros benefícios. Na segunda possibilidade, o professor utiliza-o como complemento pedagógico para atividades didáticas. “É interessante os educadores tomarem consciência de que é preciso quebrar o paradigma de que a educação a distância se trata de um aprender mecânico, sem calor humano, sem debates”, diz Nunes.

Eficiência da aplicação
Pesquisas mostram que muitas escolas já têm obtido sucesso com a aplicação de blogs nos trabalhos coletivos. “Não há como fugir, os alunos deste século já estão seduzidos pela tecnologia e, se instituições de ensino e educadores não tomarem consciência disso e das grandes possibilidades que essa ferramenta proporciona, estarão fadados ao insucesso. E não é só blog. Tem Orkut, grupos de discussão, chats, YouTube e tantas outras modernidades”, avalia o consultor. Para Nunes, o professor deve se propor a aprender tecnicamente sobre essas tecnologias para criar depois projetos pedagógicos, trabalhos coletivos e atividades.

A educadora Flávia Aidar, autora da concepção pedagógica do Yahoo! Busca Educação, também é a favor do uso de blogs como instrumentos pedagógicos. “Falar em blog hoje já não causa tanto estranhamento, dispensa as aspas e os parênteses explicativos. Por outro lado, corre-se o risco de pensar que por trás dele há um grupo de adolescentes ávido por trocar experiências através da publicação de seus diários. Propomos formar uma comunidade de aprendizagem colaborativa, disponibilizando por meio desse blog um conjunto de informações, notas, dicas e sugestões de atividades para serem desenvolvidas por professores e seus alunos em sala de aula”, diz.

Flávia também ressalta, para quem está iniciando, a diferença entre site e blog. “O site pressupõe autorias e não a co-autoria como o blog sugere. Supõe-se que o site disponibilize informações organizadas, já um blog propõe a construção de conhecimento a partir das informações selecionadas e eleitas por seus participantes. A concepção de blog favorece o trabalho do professor que se pensa um orientador de processos de aprendizagem e um co-autor na busca e elaboração de conhecimento”, avalia a educadora.

Já Heloíza Lanza, coordenadora dos cursos de educação a distância do Senac-SP e professora de Tecnologia Educacional nas Faculdades Sumaré e no Uninove (Centro Universitário Nove de Julho), optou em escrever um blog para discutir o uso desses diários on-line como tecnologia educacional. Para conferir, o endereço é http://botecoead.blog.terra.com.br.

Experiências comprovadas
Muitos professores já descobriram essas vantagens, como é o caso de Andrea Toledo. Em seu blog, acessado pelo endereço http://professoraandrea.blogspot.com, ela se dedica ao prazer de escrever e divulgar suas idéias. “Crio as postagens com assuntos que julgo interessantes e só escrevo o que tenho vontade e me faz feliz. Não sou profissional e por isso não me desculpo antecipadamente por eventuais desvios”, conta. A professora leva ao blog temas diversos e alguns também ligados à educação, como a polêmica do “Control C, Control V”, que muitos alunos utilizam para copiar informações da Internet e reproduzir sem nenhuma alteração em trabalhos escolares.

Em um post, Andrea questiona o fato de muitas escolares bloquearem o acesso a blogs, comunicadores instantâneos e Orkut. “A Internet vem sendo alvo de restrições desde o seu ingresso em empresas e escolas. E principalmente na escola, que é meu foco de observação. Atitudes como essas vêm restringindo a uma dimensão indescritível o trabalho de professores e alunos. Blogs, MSN, YouTube e o famigerado Orkut são tidos como grandes causadores e limitadores da aprendizagem por profissionais da educação e da informática. Existem exemplos de escolas em que técnicos em informática bloqueiam até sites educacionais infantis, com a alegação de que podem conter vírus, mesmo que o sistema operacional usado seja o Linux, famoso por sua segurança e estabilidade. Para mim, são argumentos falhos para ações infundadas… Prefiro pensar que as limitações acontecem pelo fato de os que restringem desconhecerem métodos eficazes de sua utilização em favor da educação de qualidade. Somos avisados dos perigos de vírus que invadirão nossos sistemas destruindo artigos, roubando senhas e que pessoas de má-fé aliciarão nossas crianças, perturbando a tão almejada paz. É claro que sei que tudo isso pode acontecer, mas não seria melhor informar, em vez de “proteger”?”, argumenta a professora em seu blog.

A professora de Geografia Geise Dias mantém um blog exclusivamente para seus alunos e não divulga o endereço para outros fins. Ela utiliza a ferramenta para dar dicas aos estudantes de sites interessantes para pesquisas e também discutir assuntos ligados às aulas. “Eu acho que a Internet surgiu como uma importante ferramenta para a ampliação dos conhecimentos das pessoas. Em alguns cliques nos sites de busca, qualquer um pode encontrar milhares de informações sobre qualquer assunto. O difícil é conseguir ler tudo. Acredito que hoje os alunos muito mais carregados de informações do que antigamente. Antes, só tínhamos os livros”, conta.

Para ela, o professor consegue ampliar sua aula por meio dos blogs. “Alunos interessados podem aproveitar a oportunidade para pensar mais um pouco sobre o tema discutido anteriormente e ainda permitir que os próprios estudantes vejam os trabalhos dos colegas de classe para comparar idéias”, diz. Geise, que utiliza muitos cartazes com mapas colados na lousa, começou a usar ferramentas como o site de vídeos YouTube para criar seus projetos e apresentações. “Fazia tudo e depois postava o link no blog da turma. Os alunos adoraram porque têm recursos tecnológicos. Minhas aulas ficaram mais dinâmicas porque eles passaram a participar mais, o que me deixou mais motivada.”

A professora Andréa Toledo também destaca a importância das pesquisas. “Coloquei um post no meu blog falando do site Yahoo! Busca Educação. Eles criaram, em 2005, um manual que facilita as buscas nas pesquisas escolares. Nele, você encontrará subsídios para pesquisar na Internet, formar um aluno pesquisador, além de maneiras de preparar, realizar e apresentar a pesquisa. Vale a pena consultar. A Internet possibilita ao aluno participar, intervir, usar conceitos de bidirecionalidade (contidos nos hiperlinks), usar uma multiplicidade de conexões (os hipertextos), aprender por meio de simulações, ter autonomia na organização dos conteúdos, ter acesso a conteúdos em diversos formatos (som, texto, imagem, vídeo, etc.) e, claro, participar ativamente como produtor de conhecimento utilizando-se dos recursos da Web 2.0”, diz. Web 2.0 é um novo conceito da Internet em que o internauta interage com o site. Um bom exemplo é o YouTube, no qual os visitantes inserem vídeos e conteúdos.

Já o professor Atilio de Oliveira criou um blog para comentar atualidades. Pelo endereço http://oilita.blogspot.com, ele fala de Mercosul, trabalho escravo, reciclagem, temas ligados à política e à economia, e ainda inclui vídeos, fotos, links para sites de notícias, entre outros.

Criando um blog
Uma das vantagens de criar um blog é que não é preciso ter conhecimentos de informática para fazê-lo. Todos os sites de criação de blogs dão o passo-a-passo completo, preenchendo apenas as páginas já pré-desenvolvidas. Tecnicamente falando, o blog é um sistema de publicação rápido e fácil que permite atualizar um site pela Internet sem precisar editar uma única linha de código. “Você pode publicar o que você quiser: notícias, fotos, links comentados, resenhas de cinema, artigos, poesias, reflexões filosóficas e outra infinidade de coisas”, afirma o consultor Nunes. “A facilidade de publicação dos comentários é que impulsiona os chamados blogueiros, pessoas que têm blogs. A web já está repleta de blogueiros, cada um falando para todo mundo sobre tudo.”

Existem várias ferramentas on-line para fazer um blog. As mais comuns e em português são Weblogger (http://weblogger.terra.com.br), BliG (http://blig.ig.com.br), UOL Blog (http://blog.uol.com.br) e Blogger (www.blogger.com.br). Nesse último, por exemplo, basta ir ao site e clicar no link “Sign Up” para preencher o cadastro. Escolha o nome de usuário e a senha que preferir e confirme. Na tela seguinte, digite seu nome, escola, e-mail e clique na tecla “Concorde” com os termos de uso. Pronto, você já pode começar a criar o seu blog. Agora é preciso configurar o blog. Clique em “Create a New Blog” e dê um título ao seu blog, explique sobre o que ele será (no campo Description) e escolha se será público na Internet ou não. Blog público é aquele disponível para qualquer pessoa ver através do site do Blogger. Caso contrário, apenas as pessoas que tiverem o endereço poderão vê-lo. Isso é interessante para professores que só desejam que seus alunos leiam o blog.

Depois, você pode hospedar gratuitamente sua página de blog num domínio pertencente ao próprio Blogger ou fazer o Blogger mandar a página para um servidor de FTP de sua preferência. Se já não tiver um, o StarMedia e o Terra são dois provedores que oferecem hospedagem gratuita e permitem FTP. A vantagem em manter o blog no próprio site em que ele foi criado é a velocidade de publicação da página, bem maior do que se usar outro servidor, o que faz uma boa diferença para quem escreve freqüentemente. Agora é só escolher uma “cara” para seu blog. A maioria já tem layouts disponíveis. Escreva a sua mensagem e publique o blog. Fácil! Anote o endereço da sua página que será informado pelo site.

Para começar a inserir comentários – os chamados posts – você pode escolher em colocá-los em ordem cronológica direta ou inversa. Na janela de publicação existem alguns botões. O Settings (Configuração) é composto por quatro partes: Basics (Básica), Formatting (Formatação), Archiving (Arquivo) e Browse Shortcuts (Atalhos para o navegador). Basics é para as informações básicas, como o nome do blog, endereço do servidor FTP, descrição, etc. Rename não deve ser selecionada, a pedido do Blogger. É que assim evita-se perder arquivos. Em Formatting, você pode determinar quantas mensagens serão visualizadas de cada vez e por quantos dias. Em Archiving, escolha com que freqüência deseja arquivar os blogs, por semana ou por mês. Por fim, o Settings é para configurações.

O professor também pode criar um blog em parceria com outros educadores. Blogs coletivos têm várias aplicações, como organizar um projeto conjunto, um grupo de estudos ou um fórum. Para isso, uma boa alternativa é o Blogueiros (www.blogueiros.blogspot.com), um blog gigantesco com centenas de membros. Lá, o passo-a-passo também está disponível.

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=3888

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