O olhar do outro e o efeito Big Brother

Olá Amigos

Ontem estava lendo os blogs dos amigos e encontrei uma postagem intitulada “A consciência de estar sendo observado” no blog Letra Viva do Roig do meu amigo José Antônio Klaes Roig. Um texto que aborda a máxima “sorria você está sendo filmado” e a síndrome dos realitys shows e suas crias pelos universo dos filmes.

Sei que vivemos uma época de “grampos”, escutas e câmeras por todo lado que faz com que as pessoas, as vezes, sejam elas mesmas ou usem as suas “mascaras” sociais. Sei também que estamos sendo monitorados na internet e que a privacidade é luxo do passado.

Há vários referenciais ao tema no cinema e na literatura, lembrei de alguns que comentarei.

O livro 1984 de George Orwell, é considerado uma das mais citadas distopias literárias, junto com Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica e Nós. Nele é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada. Vale lembrar que o autor lutou para implantar o comunismo na Espanha e depois de visitar a antiga URSS, voltou de lá assustado e escreveu o livro.

Numa altura em que o Big Brother (vem ai o BBB 9) faz furor na televisão, talvez poucos saibam que a expressão foi tirada deste livro e dos cartazes que ornamentavam as ruas de Londres no romance de George Orwell – uma fotografia do Grande Irmão com a legenda “Big Brother is watching you” (O Grande Irmão está te observando).

A história em quadrinhos, posteriormente adaptada ao cinema, ‘V de Vingança’ (V for Vendetta), de autoria de Alan Moore e desenhada por David Lloyd se desenvolve em uma sociedade claramente inspirada no romance 1984. Tanto nos quadrinhos quanto no filme, alias produzida pelos Irmãos Wachowski (mais conhecidos pela trilogia Matrix), a estética utilizada, bem como alguns aspectos do próprio governo, em muito se assemelham às descrições de George Orwell. Tanto é verdade, que o personagem V, do filme destacado, apresenta ideais românticos e anárquicos próximos aos desejos de Winston.

No filme Equilibrium temos também uma distopia que apresenta diversos traços de semelhança com a retratada por Orwell em 1984.

Outra obra prima nessa mesma linha e o filme “A vida dos outros” que em termos de paranóia de vigilância, com o Big Brother (não daquela picaretagem da TV, mas da obra de George Orwell). Só que o filme de Florian Henkel von Donnersmark é retrato de realidade política recente e não uma invenção ficcional. O filme se passa na Alemanha Oriental, antes da reunificação, e mostra como a polícia política, a Stasi, vigiava de perto da vida dos cidadãos.

Por sua força, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007, entre uma fileira de outros prêmios, como o de melhor filme europeu de 2006. A história é muito atual, em que pese se passar num regime comunista, forma de governo em desuso em quase todo o mundo após a queda do muro de Berlim, em 89, e o fim da União Soviética, em 91.

É que ‘A Vida dos Outros’ fala, em especial, das liberdades individuais e como, de uma forma ou de outra, elas entram em choque com o Estado controlador. Na história, verídica ao que se diz, um agente secreto é incumbido de seguir as atividades de um grupo de artistas, suspeitos de desvios ideológicos e contatos ilegais com a parte ocidental da Alemanha. Quanto mais vigia, mais o policial vai se fascinando com o tipo de vida daquelas pessoas. Abaixo o trailer do filme.

http://www.youtube.com/v/spdO_XPD58M&color1=0xb1b1b1&color2=0xcfcfcf&hl=en&fs=1

Mas o que interessa é que o filme, como cinema, é bom demais. Tem grandes atuações, suspense, lirismo – e um belo gesto de desprendimento pessoal. Filme para pensar e se emocionar, o que é a melhor combinação para o cinema. Detalhe, a cena em que o agente está lendo Bretch é linda.

As liberdades individuais vão se acabando e com elas nossa privacidade. O projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, colocou e aprovou um projeto de lei no senado, que simplesmente extingue as liberdades individuais e o direito de privacidade dos usuários de internet no país.

Assim todos que acreditam que a internet deve ser um espaço de liberdades e não uma ditadura policial deve se mobilizar para impedir a votação desse projeto. Para maiores informações consulte o blog do Sérgio Amadeu.

Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.
Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Obs.: O selo contra o projeto foi tirado do blog do Sergio Amadeu e as imagens retiradas do Flickr.

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