>Projeto Cinema no Caldeirão – 21/02

>Olá Amigos

O filme de hoje no projeto Cinema no Caldeirão é o filme ” O Enigma de Kaspar Hauser “. O filme foi uma indicação do Professor Ancarlos Araujo editor do blog Profº Ancarlos Araujo, o qual eu recomendo a visita. O filme é lindo, é tocante e real, Kaspar Hauser é uma personagem cativante, com toda sua pureza e ingenuidade.

Cada um por si e Deus contra todos” é o título original que o diretor Werner Herzog tirou de “Macunaíma”, de Mario de Andrade, e fala mais sobre o filme do que o neutro título nacional, “O Enigma de Kaspar Hauser”.

Herzog, um dos grandes nomes do cinema alemão, usou a história real de Kaspar Hauser, infeliz rapaz afastado da sociedade (supõe-se que tivesse origem nobre e que havia sido escondido por problemas de sucessão ou bastardia) e que tenta desajeitadamente compreende-la, para refletir sobre a incerteza de tudo diante dos golpes do destino e sobre a artificialidade do que chamamos de normalidade.

Hauser enfrenta com perplexidade as convenções sociais, os dogmas religiosos, as certezas científicas, vendo tudo com olhos virgens e puros e, portanto, desabituados a enxergar como normal o que assim foi estabelecido. Daí surgem momentos geniais, como seu embate com o professor de lógica, com os clérigos, a discussão sobre a vida das maçãs, o circo de aberrações.

Herzog, que gosta de personagens que não se sentem à vontade no mundo e procuram mudá-lo, conduz o filme no limite entre o cômico e o trágico, muito ajudado pela peculiar interpretação de Bruno S., que não era ator profissional. Ele passou toda sua juventude em instituições para doentes mentais e foi visto por Herzog em um documentário. Fez apenas mais um filme, “Stroszek”, novamente com o diretor (que tinha um infinito trabalho para fazê-lo interpretar), e um curta-metragem obscuro.

Talvez por isso seu Kaspar Hauser é tão digno e seguro, um ser humano puro e sonhador. Sua atuação marcante, o clima onírico e atemporal criado por Herzog e as idéias que o filme discute tornam-no uma pequena obra-prima, imperdível. Ganhou o prêmio especial do júri em Cannes.

O pianista cego é interpretado por Florian Fricke, líder do grupo Popol Vuh, habitual colaborador de Herzog.Em seu leito de morte, Kaspar diz que quer contar uma história que ele inventou, mas que ele só sabe o começo, não sabe como termina. Ele então conta a história, que resumo agora. “Uma caravana atravessa um deserto em direção a uma cidade, mas se depara com várias montanhas. O líder da caravana, um cego, pega um pouco de areia e come. Ele diz então aos outros que aquelas montanhas são uma ilusão, que elas não estão ali. Eles continuam o caminho, e chegam à cidade.” Kaspar, então, finaliza dizendo (com outras palavras): “eu não sei o final da história, só sei até quando eles chegam na cidade. O que acontece na cidade, eu não sei.” O enigma de Kaspar Hauser, mesmo depois de sua morte, continua, mas o que acontece depois que ele morre não interessa. A história não acaba, mas não precisa continuar a ser contada.

Mas para mim, que me senti um pouco Kaspar, o que mais chama atenção é o fato de quererem te enquadrar, classificar e rotular a todo momento e o pior: muitas vezes somos nós quem buscamos este enquadramento.

Queremos ser incluídos na sociedade, ser aceitos em grupos, ser rotulados como cool ou hype ou cult ou in, bi, hetero, homo, de direita, de esquerda, ultra-esquerda, super-ultra-mega-master-super-esquerda, agnóstico, crente, ateu, atoa, marxista, trotiskista, reformista, feminista quando no fundo, de verdade mesmo, somos todos pseudos…

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s