Hiperinflação de conteúdo: e se a gente não aguentar mais?


Ana Amélia Erthal

Imagine que não aguentamos mais conviver com tanto conteúdo, que nossa atenção ficou tão reduzida que não conseguimos mais nos concentrar em nada com profundidade, que os estímulos nos interrompendo a todo instante em tantas mídias diferentes eram tantos que … não conseguimos ler os jornais, acompanhar os twitts, ver os filmes na TV, não respondemos e-mails, não olhamos nossos blogs e portais favoritos, não acompanhamos as séries, não damos mais conta de tanta informação… e, por fim, não resistimos à cultura contemporânea do excesso.

Se esse cenário existisse, a primeira providência seria banir o direito da leitura. Sim, porque afinal de contas, ler faz mal. Ou como diz o nosso caríssimo presidente Lula, “ler dá azia”. Claro que tudo isso é uma brincadeira, mas serve pra gente pensar mais um pouco sobre a Era do Excesso de informação, que já esteve nessa coluna algumas vezes.

O filme Fahrenheit 451 faz uma leitura bem legal e mostra exatamente esse cenário em que a leitura é proibida. Ele foi adaptado do livro de Ray Bradbury e conta a história de um tempo no futuro em que o trabalho dos bombeiros era destruir livros. As pessoas “deduram” as outras e os bombeiros vão até as casas, procuram os livros proibidos, juntam tudo e depois incendeiam. Em vez de apagar, os “firemen” acendem o fogo, já é bem curioso. O filme tem esse nome porque é essa a temperatura em que o papel queima e embora seja antigo, tem um roteiro bem inteligente. É engraçado ver a revista/ jornal que mais parece um quadrinho, mas sem nenhuma letra, aliás, não há inscrição nenhuma em todo o filme, a não ser nos livros proibidos.

Outra passagem muito legal é a do comandante dos bombeiros explicando para o operador de lança-chamas porque é que os livros são perigosos para a mente humana e como eles nos tornam diferentes um dos outros. Para efeito de análise, podemos aplicar esse conceito dele para as outras mídias e conteúdos também: como nos diferenciamos por eles?

Eu preparei uma pequena edição de quatro minutos. Na primeira parte há o ritual de queimar livros e na segunda, o discurso do comandante, veja:

Fahrenheit 451

Então, o que achou? Se quiser saber mais sobre cultura do excesso, leia também esse artigo no blog do Encontro de 2 Mundos.

Up the Webwriters!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/13217/webwriting/hiperinflacao_de_conteudo_e_se_a_gente_nao_aguentar_mais/

2 comentários sobre “Hiperinflação de conteúdo: e se a gente não aguentar mais?

  1. Beatriz disse:

    Estamos tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre estas tecnologias novas para por em prática na sala de aula. Abraços

  2. webdigitaleducator disse:

    Aiaiai, e agora? Eu, particularmente, não consigo me concentrar em duas coisas ao mesmo tempo.

    Preciso me organizar.

    Quando vou criar um post no blog, fecho e-mail, twitter ou qualquer coisa que possa me fazer desviar a atenção. Comigo não tem essa de múltiplos estímulos, ler e ouvir música ao mesmo tempo. =D

    É uma assunto muito interessante. Ainda acho que estamos no meio do olho do furacão, diante de uma revolução da informação no qual, hoje, nos sentimos perdidos.

    Talvez, futuramente, aprendamos a lidar melhor com a superinformação.

    Acho.

    Um abraço,
    Prof_Michel

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