>Aluno deve aprender na escola a analisar conteúdo veiculado na web, diz pesquisadora

>Ana Okada
Em São Paulo

Ensinar a utilizar o Twitter (serviço de microblogs) e a publicar textos em blogs para crianças é necessário? Um projeto de mudança curricular do ensino primário na Inglaterra quer que a tecnologia seja a “espinha dorsal” do currículo e que os alunos menores de 11 anos estejam aptos a usar ferramentas como Twitter, blogs e Wikipédia, dando-lhes a mesma importância de matérias como história ou matemática.

Para a pesquisadora da Universidade de Navarra, na Espanha, Charo Sábada Chalezquer, mais do que mostrar como usar as ferramentas, a escola deve ensinar o estudante a ter um olhar crítico sobre a internet. “Eles devem conseguir ver que ela é útil, mas que pode também ser perigosa”, disse Charo ao UOL Educação.

Para ela, “os ingleses têm mais tradição no ensino de tecnologia e podem aproveitar essa corrente, mas creio que só ensinar o uso desses recursos não seja tão necessário, pois isso os estudantes aprendem rápido”. Assim, os currículos devem integrar o ensino ao uso da tecnologia e não ser tão específicos quanto a ferramentas, uma vez que os jovens já vivem rodeados de tecnologia.

A pesquisadora ressalta que a principal dificuldade das crianças é entender que o mundo virtual é igual ao mundo verdadeiro. “Durante um experimento, pedimos a crianças de uma escola que imprimissem suas páginas do Orkut [site de rede social] e as entregassem a seus colegas: só assim eles se deram conta de que há muita informação confidencial que não deveria estar lá”.

No Brasil

Para a pesquisadora Rosária Nakashima, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o futuro da escola depende da abertura para os novos recursos tecnológicos que estão surgindo: “Não digo que o formato das aulas vai mudar, mas que deve haver maior flexibilidade por parte das escolas. É preciso ver que esses recursos podem ser usados de forma pedagógica”.

Como exemplo, ela cita uma escola estadual de Campinas, que iniciou um blog voltado à comunidade em seu entorno. “Percebi que, após a iniciativa, os professores ficaram muito empolgados em aprender. O blog despertou neles a vontade de usar a técnica em suas aulas.”

E no Brasil, seria bom ter um currículo igual ao da Inglaterra? Para Rosária, a mudança “de cima para baixo” não é a melhor, pois há muitas diferenças regionais de recursos. “Como obrigar a usar recursos tecnológicos quando não há condições? A melhor forma é oferecê-los para que isso ocorra de forma autônoma”. Para saber mais sobre como preparar aulas com recursos digitais, a sugestão de Rosária é o portal do MEC: “lá há vários artigos para ajudar os professores a preparar aulas para centros digitais”.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/04/06/ult105u7839.jhtm

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