Ciência e tecnologia para o desenvolvimento humano

Inovação para o bem-comum

Políticas antiquadas de inovação estão minando oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento, para a criação de novas formas de cuidar do meio ambiente e para combater a pobreza global.

Esta é a tônica de um manifesto lançado pelo STEPS Centre, uma organização de pesquisas britânica que alerta para a necessidade de uma mudança urgente e radical na agenda global de inovações tecnológicas a fim de garantir o sucesso futuro das iniciativas que visam o desenvolvimento mundial.

O hiato entre uma pretensa era de progresso tecnológico e os efeitos reais sobre a população pode ser constatado, segundo o relatório, confrontando-se o rápido progresso científico atual com o aprofundamento da pobreza, com a crise vivida pelo meio ambiente e com a estagnação de qualquer progresso rumo aos Objetivos do Milênio, instituídos pela ONU.

Manifesto pela Inovação

O relatório Inovação, Sustentabilidade, Desenvolvimento: Um Novo Manifesto defende que as mudanças necessárias não são apenas no campo da transformação das descobertas científicas em inovações tecnológicas – ou novas formas de fazer as coisas – mas no campo das ideias, das instituições e das práticas envolvidas com a transformação do nível de conhecimento em benefício humano.

A inovação tecnológica pode representar um elemento vital não apenas para o crescimento econômico, mas também para a redução da pobreza e para a sustentabilidade ambiental. [Imagem: Steps Centre]

A cúpula do G8, realizada recentemente no Canadá, mostrou que as tentativas dos líderes mundiais de encaminhar uma recuperação econômica global sinalizam que seus compromissos para ajudar os mais pobres podem ficar em segundo plano.

Entretanto, a inovação pode representar um elemento vital não apenas para o crescimento econômico, mas também para a redução da pobreza e para a sustentabilidade ambiental.

O Manifesto oferece uma série de recomendações práticas para a criação de políticas mais eficazes, mais transparentes e mais responsáveis, capazes de dar mais oportunidades, mais recursos e mais dignidade aos mais necessitados.

Imperativo moral e político

“Enfrentar os desafios globais de redução da pobreza, justiça social e sustentabilidade ambiental é o grande imperativo moral e político da nossa época,” afirma o professor Andy Stirling.

“Nossa visão é a de um mundo onde a ciência e a tecnologia trabalham mais diretamente para a justiça social, o combate à pobreza e o meio ambiente. Queremos que os benefícios da inovação sejam amplamente compartilhados, e não apropriados por interesses poderosos e estreitos. Isto significa reorganizar a inovação de forma a envolver diversas pessoas e grupos, indo além das elites técnicas para aproveitar a energia e a inventividade de usuários, trabalhadores, consumidores, cidadãos, ativistas, agricultores e empresas de pequeno porte,” disse o pesquisador.

Para transformar esta visão em realidade, o Manifesto faz recomendações em cinco áreas de ação: definição de uma agenda; financiamento; capacitação; organização e monitoramento, e avaliação e prestação de contas.

Inovação nas ações

As recomendações para o atingimento dos objetivos propostos, incluem:

  • Estabelecer “Fóruns Estratégicos de Inovação” em nível nacional, que permitam que as diversas partes interessadas – incluindo grupos de cidadãos e movimentos sociais que representam os interesses marginalizados – controlem os investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Esses fóruns devem reportar-se diretamente ao parlamento ou organização representativa similar.
  • Estabelecer uma “Comissão de Inovação Global”, sob controle das Nações Unidas, para facilitar o debate político aberto e transparente sobre os grandes investimentos em tecnologia, sobretudo aqueles com implicações globais ou transnacionais, sobre a transferência de tecnologia norte-sul e sobre a ajuda aos mais pobres fundamentada na ciência, na tecnologia e na inovação.
  • Exigir que os organismos públicos e privados que investem em ciência, tecnologia e inovação aumentem a transparência no relato de esforços voltados para a redução da pobreza, a justiça social e a sustentabilidade ambiental.
  • Aumentar o investimento em capacitação científica, que treine “profissionais-ponte”, capazes de conectar a atividade de pesquisa e desenvolvimento com as empresas, empreendedores sociais e usuários.
  • Melhorar os incentivos para o investimento do setor privado nas inovações voltadas para a redução da pobreza, a justiça social e a sustentabilidade ambiental, tais como acordos de aquisição antecipada de produtos, prêmios de tecnologia e incentivos fiscais.

Ciência e inovação contra a pobreza

O gasto global em pesquisa e desenvolvimento supera um trilhão de dólares, com o principal item individual sendo representado pelas pesquisas militares.

No entanto, a cada dia mais de um bilhão de pessoas passa fome, 4.000 crianças morrem de doenças transmitidas pela água poluída e mil mulheres morrem durante a gravidez e o parto.

A ciência, a tecnologia e a inovação podem fazer o seu papel – elas são fundamentais no combate à pobreza e à catástrofe ambiental.

Para isso, contudo, é necessário uma mudança urgente, saindo da busca do lucro privado e das pesquisas para fins militares rumo a novas formas de inovação, mais distribuídas e voltadas para uma maior justiça social, afirma o Manifesto.

O documento pode ser lido na íntegra, em inglês, no endereço http://anewmanifesto.org.

Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ciencia-tecnologia-desenvolvimento-humano&id=010150100726

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