Homossexualidade – Vamos discutir de verdade?

Olá amigos

Hoje acontece a 15ª Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), na Avenida Paulista em São Paulo.O lema desta edição vai ser “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!”. O acontecimento vai ser muito importante por ser a 15ª edição e a previsão é de que a festa tenha um público ainda maior que os outros anos.

Aproveito o evento para discutir uma questão que muito interessa aos educadores e os defensores dos direitos humanos. A questão do homossexual não é novidade nas escolas públicas, principalmente aos olhos dos que trabalham com projetos de inclusão diversificada. Como gosto muito de utilizar e incentivar o uso dos filmes em sala de aula me lembrei de que os X-Men foram realmente criados nos anos 60 como uma metáfora a luta contra o preconceito e para abrir o debate na sociedade americana dos anos 60. Para quem tem repertório cultural um pouco mais largo, X-Men não é só um filme para entreter adolescentes.

 E pra quem assiste a filmes e não os interpreta, aqui vai uma passagem interessante do filme X-Men Primeira Classe. Quando Mística, em X-Men, diz “mutante com orgulho”, é disso que ela está falando, do orgulho de ser diferente; de sua diferença; e disposição para enfrentar os que querem lhe tirar o orgulho e faze-los sentir vergonha. Ela fala que “Quando eu me sinto um pouco rejeitado, me dá um nó na garganta; choro até secar a alma de toda mágoa, depois, passo pra outra!”. E depois segue dizendo “Como um mutante: no fundo, sempre sozinho, seguindo o meu caminho… Ai de mim, que sou romântico”.

Quando a Mistica diz “mutante com orgulho”, é disso que ela está falando: “Gay, lésbica, travesti negro, mulher, judeu e indígena com orgulho!”, poderia ser a frase de Mística. 

Por aqui o debate de verdade ainda não começou, apenas ações governamentais e judiciarias que estão garantindo um direito legitimo aos homossexuais do Brasil. O projeto, PL122, entretanto, não fere a Constituição Brasileira, pelo contrário, está de acordo com os artigos 3º e 5º, que colocam como objetivo fundamental do país “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, garantindo que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Além disso, a liberdade de expressão não é um direito absoluto ou ilimitado, não pode estar acima da dignidade das pessoas e dos direitos humanos; não pode servir de desculpa para abrigar crimes, difamação, propaganda odiosa e ataques injustificáveis. Os limites a ela colocados no projeto estão embasados na própria Constituição, já que simplesmente propõe a punição de condutas e discursos discriminatórios contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, como já ocorre nos casos de racismo.

Me parece interessante a promoção do debate sobre a diversidade de gênero e sexualidade. Os que defendem uma escola aberta, laica e inclusiva devem se empenhar em elevar o debate. Pois independente da orientação sexual de cada um, e, assim sendo, a internet e a escola que representam um espaço democrático e inclusivo. A falta de debate pode tornar a escola que temos hoje, numa escola exclusiva ou excludente, um verdadeiro gueto.E como já vimos antes essa historia de gueto não costuma acabar bem.

 

Eu defendo a escola laica, sem cor, credo ou preferência sexual, mas uma coisa que tem me incomodado muito é a ausência desse debate sobre os direitos dos homossexuais de forma racional e pedagógica. Isso está sendo ruim também para todos os lados envolvidos, já que de um jeito ou de outro estão elevando o tom e não chegando a lugar nenhum, pois estão radicalizando, firmando posições contrarias ao debate e com isso tornando o debate uma cruzada pela moral. Não se esqueçam que a bíblia já foi usada pra justificar o Apartheid, a opressão das mulheres, dos indígenas, a escravidão africana e queimar vivo quem fosse diferente ou por defenderem ideias contrárias à doutrina cristã.

E essa falta de debate pode deixar uma brecha que pode ser preenchida por aproveitadores e violentos movimentos contrários. Trabalhar nas escolas a questão do respeito,do direito, das escolhas e tudo mais e o caminho para entender e aprender a ser tolerante. Não fazer vista grossa para a situação, o que é positivo para a formação daqueles adolescentes.

Alguns dizem que o homossexualismo virou “moda”, o que claramente pode se ver pelas notícias atuais a uma luta religiosa, moral com um estado de direito legitimo que não pode ser ignorado pela sociedade e principalmente pela escola.

Um homossexual deveria ter uma escola específica para ele? Com grade curricular própria? Disciplinas específicas? Lembro-me de uma discussão semelhante quando criaram as escolas indígenas em alguns municípios do Brasil.

Estereotipamos e fomentamos ainda mais a polêmica e o preconceito quando se propõem respeitar os direitos civis dos homossexuais?

Eu sinceramente não acredito, pois há muitos homossexuais que são advogados, médicos, faxineiros, engenheiros, professores. O importante é cada um aceitar que a opção sexual de cada um. Isso é o correto.

O ambiente escolar é o espaço da sociedade em que a criança e o adolescente aprendem o conteúdo formal conhecimentos sobre português, matemática, história, geografia, raciocínio lógico-matemático, entre outros e, juntamente com a família, também o conteúdo informal valores e regras de convívio nas relações humanas.

Este conteúdo informalmente aprendido no contexto escolar tem importância de tal magnitude que se pode dizer, em muitos casos, que tem maior influência sobre o rumo que toma a vida do jovem do que o conteúdo formalmente aprendido. Esta percepção leva à necessidade de a escola tomar também para si a responsabilidade sobre os valores e regras ensinados e aprendidos naquele espaço.

Ao educar os estudantes para viverem em sociedade, como agentes críticos,dando a eles os conhecimentos e habilidades necessárias para fazerem leituras autônomas da realidade, a escola contribui para a construção de uma sociedade mais democrática e solidária.

Dessa forma, é de fundamental importância que, ao propiciar de forma sistemática o acesso ao saber historicamente acumulado e necessário à compreensão da prática social na qual o estudante se insere, a escola o faça trazendo para a sala de aula as questões do cotidiano de forma a desvelar o currículo oculto, expresso nas necessidades que emergem nas relações de ensino-aprendizagem e que não são previstas no currículo formal, com a finalidade de aprimorar a capacidade de diálogo, de análise, de tomada de decisões, a elaboração de propostas de ações coletivas.

Relações humanas e humanizadoras precisam ser construídas, elas não surgem espontaneamente. O estabelecimento de relações recíprocas de respeito, cooperação e solidariedade exigem o esforço coletivo da comunidade escolar.  Professores e alunos podem aprender a ser intolerantes e preconceituosos, como também podem exercer atitudes democráticas e a inclusão, construindo nova realidade social, marcada pela cooperação mútua e solidária, pela defesa da paz social.

A discussão principal sobre o tema refere-se à necessidade de tratar preconceitos e discriminações que refletem uma violência (verbal, simbólica) reverberando nos espaços de convivência escolar e manifestando-se principalmente na necessidade de adequar a todos e todas num modelo idealizado sócio-culturalmente. Modelo este que tem como prerrogativa comportamentos considerados normais ou saudáveis: o aluno exemplar (disciplinado, que aprende rápido), o aluno limpo (higienizado, sem doenças), o aluno educado (que sempre diz obrigado e por favor), o aluno com família que segue configuração única (com pai e mãe casados e sem problemas conjugais), dentre outras.

Lembrei-me de outro filme fantástico que bem define o padrão que se espera dos alunos The Wall. A clássica “Another Brick in the Wall part II” (quem não conhece “aquela do Hey Teacher!”?), põem em discussão outro alicerce de nossa sociedade: a educação. Ela define a educação como uma alienação (representada no filme pelas máscaras com botões no rosto das crianças), fazendo com que as pessoas, ainda crianças, percam sua identidade própria e pensem o que o Governo quer que elas pensem. O sarcasmo e a violência com que os professores tratam os alunos na sala de aula são atribuídos aos problemas que eles (professores) enfrentam em casa com suas “esposas psicopatas e gordas”. No filme, o pequeno Pink sonha em ver todos os alunos destruindo a sala, queimando a escola e jogando o professor no fogo.Destruir a escola é uma atitude própria de quem não foi alienado pela educação, e por isso é contra ela. Então vamos fazer romper com os modelos pré definidos e construir um novo modelo mas justo e tolerante.

Compreendemos que a matriz da homofobia está no reflexo político da marginalização sócio-histórica dos brasileiros ao direito pleno à informação e à educação, que por sua vez se reflete na dificuldade dos pais, mães, educadores e estudantes em compreender e lidar com o desenvolvimento da sexualidade do outro.

Por isso o educador deve voltar-se para o compromisso ético das competências profissionais, na luta e enfrentamento do sofrimento de adolescentes Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros, com proposta de um trabalho pedagógico inovador, pode na prática contribuir para a redução da violência com base na compreensão e a construção da subjetividade a partir das relações sociais possibilita ressignificar o entendimento dos dois conceitos-chaves que envolvem a discussão da homofobia: a identidade de gênero e a orientação sexual
 

Isso será um instrumento fundamental para a defesa dos direitos dos homossexuais brasileiros contra a homofobia, assim como os negros têm leis que os protegem contra o racismo. eles precisam de uma lei que lhes garantam os seus direitos civis e que protejam suas integridades fisicas e intelectuais de atos violentos e homofóbicos.

 Só pra ser didático: a igualdade que se cobra é no plano jurídico; do acesso aos direitos. E essa igualdade, e o que nós queremos ver nas escolas, nas casas, nas ruas e principalmente dentro das igrejas.

Já as diferenças identitárias, culturais, devem ser celebradas e devemos sentir orgulho delas! Pois cada um é como é, e TODOS devem ser respeitados por causa disso.

Então amigos: VIVA A DIFERENÇA.

Abraços

Robson Freire

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