Sistemas e Softwares para Educação Livre

Jenny Horta

O uso das novas tecnologias em Educação já se transformou em “figurinha carimbada” em todos os meios educacionais, o que é muito bom para a evolução da educação brasileira e principalmente para nossos alunos da chamada “Geração Y”, tão entediados com as práticas centenárias que encontram no dia a dia escolar.

No entanto, diante de uma caótica situação educacional no Brasil, iniciativas como o Projeto UCA , recentemente analisada pelo Prof. Nelson Pretto neste artigo ficam estagnadas após um grande marketing inicial e todo projeto importante de uso das tecnologias se resume em tímidas iniciativas de pequenas prefeituras, ONGs ou raras escolas. Porém, como nos lembra Freire (1999):

“…Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica . Saber igualmente fundamental à prática educativa do professor ou da professora é o que diz respeito à força, às vezes maior do que pensamos, da ideologia. E o que nos adverte de suas manhas, das armadilhas em que nos faz cair. É que a ideologia tem que ver diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da linguagem para penumbrar ou opacizar a realidade ao mesmo tempo em que nos torna “míopes”. ”

Ao mesmo tempo, cabe a nós, em cada sala de aula, iniciar o nosso próprio projeto de mudança a começar pelo entendimento de que usar a tecnologia não significa aceitá-la de forma acrítica e com total rendição a modismos e ausência de critérios. Preparar-se a analisar as formas de uso dos sistemas e softwares, avaliar comprometimentos e implicações econômicas e sociais de nossa prática diária na escola é essencial para contribuir para a formação integral de nossos alunos.

Qualquer educador, seja ele de instituições públicas ou privadas, possui o compromisso moral e social de analisar criticamente suas escolhas, e quaisquer que sejam estas escolhas, de compartilha-lhas com seus educandos.

A escolha de recursos educacionais abertos, que proporcionem a cooperação e o compartilhamento integral da informação e produção de conhecimento, o uso de softwares livres, de desenvolvimento aberto e colaborativo, não são apenas uma alternativa economicamente mais viável. Tais softwares, sistemas e recursos proporcionam ao educador a autonomia necessária para adequá-los as suas necessidades e de seus alunos, facilitando seu uso pedagógico de acordo com os objetivos propostos.

Não se pode, em hipótese alguma, transformar o conhecimento compartilhado em mercadoria atrelada a licenças e limitações impostas por um mercado que visa controlar o acesso ao conhecimento. Isso é tão óbvio quanto o fato de que nenhum professor aceitaria uma intervenção em sua fala em sala de aula: “- Você pode falar sobre isso, mas só até esse ponto, ok?”

Partindo da premissa que só podemos escolher o que conhecemos, divulgar e compartilhar recursos, softwares e sistemas livres entre os educadores é essencial a todos os que acreditam numa educação de qualidade e efetivamente para todos.

“Quanto mais os processos de inteligência se desenvolvem – o que pressupõe obviamente, o questionamento de diversos poderes – , melhor é a apropriação, por indivíduos e grupos, das alterações técnicas e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento tecno-social. (Levy, 1999 p.29)

Utilizar sistemas, softwares e recursos educacionais abertos, livres e colaborativos é o primeiro passo para voltarmos a “pensar com nossas próprias cabeças”, e cabeças que pensam em conjunto em torno de um ideal de cidadania, como bem nos ilustra Raquel Sosa Elízaga:

“Pensar com a própria cabeça é o começo de olhar o mundo e ter a valentia de recusar a existência de um pensamento único, da falsa religião do mercado, do comércio da morte. Pensar com um pensamento crítico deve nos levar a saber que é possível transformar nossas cabeças e nosso horizonte, confiando que as soluções que propusermos serão certamente melhores do que as que nos obrigaram a aceitar. A liberdade terá seus custos e suas consequências, mas seus caminhos se iluminam com a felicidade que sentiremos por não termos de viver à sombra de nós mesmos. Estas formosas terras e nós, os seres humanos que nelas habitamos, merecemos dar um espaço à alegria e à esperança verdadeiras.”

Alguns blogs/endereços ativos do Projeto UCA pelo Brasil:

Sobre o autor: Jenny Horta, Professora Informática Educativa pelo SENAC/PA – Graduanda em Pedagogia UNIRIO/Cederj, Twitter/Identica: @nynyhorta ; Facebook: jennyhorta ; E-mail: jennyhorta@gmail.com ; blog: http://aprendizagemdigital.wordpress.com/

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