Ambientes virtuais: novos espaços de aprendizagem?

Ana Beatriz Carvalho

Os LMS – Learning Management System – conhecidos como ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) – são plataformas criadas para gerenciar a aprendizagem a distância. Com o crescimento da Educação a Distância nos últimos anos, surgiram inúmeras possibilidades para o uso dos espaços virtuais de aprendizagem.  Os ambientes virtuais agregam interfaces que permitem a produção de conteúdos e canais de comunicação, permitem também o gerenciamento de banco de dados e o controle total das informações que circulam no ambiente. As principais formas de utilização de um Ambiente Virtual são as seguintes: 1.Foco nas ferramentas de aprendizagem: a única forma de contato entre alunos e professores é através do ambiente. As ferramentas (aulas virtuais, atividades, textos etc.) são utilizadas em substituição aos encontros presenciais (inexistentes). 2. Foco na comunicação e complementação da aprendizagem: o ambiente é utilizado como uma forma de criar uma conexão institucional entre os participantes e paradisponibilizar estratégias complementares de aprendizagem, através das ferramentas disponíveis no ambiente. São utilizadas para enviar e receber atividades, orientar a aprendizagem e fomentar a discussão sobre os temas da disciplina entre os alunos e professores. 3. Foco na comunicação: são ambientes criados apenas para a comunicação entre os participantes, não apresentando materiais ou propostas de atividades. É o caso dos cursos a distância com o projeto pedagógico estruturado apenas no material impresso. A forma de utilização do ambiente virtual em consonância com o projeto político-pedagógico do curso é fundamental para o estabelecimento da estrutura sobre a qual o aluno-aprendiz irá interagir no AVA. O conceito de maior ou menor interatividade, assim como a freqüência e intensidade no acesso realizado serão proporcionais ao objetivo das ferramentas disponibilizadas. É relativamente comum encontrarmos ambientes pouco explorados pelos alunos em função da inexistência de demanda pedagógica estabelecida pelo curso. Por outro lado, encontramos cursos que são estruturados totalmente on-line, mas que não conseguem atingir a participação desejada dos alunos no AVA Existem vários ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis com propriedades e ferramentas bastante similares, mas também com singularidades que determinam a sua escolha.

O e- Proinfo é a plataforma utilizada pelo MEC (desenvolvida pela extinta SEED) para a realização dos cursos a distância para a formação de professores.  Bastante conhecido dos professores da Educação Básica,  o ambiente e-Proinfo foi reestruturado há cerca de dois anos, mas ainda é considerado um ambiente pouco amigável pelos professores e multiplicadores dos NTE (Núcleos de Tecnologia Educacional das redes estaduais).

Atualmente, o ambiente virtual mais conhecido é o Moodle, sistema de código aberto e gratuito. Os usuários podem baixá-lo, usá-lo, modificá-lo e distribuí-lo seguindo apenas os termos estabelecidos pela licença. O Moodle está em contínuo desenvolvimento com uma comunidade que abrange participantes de todas as partes do mundo. Atualmente o Moodle tem sido a plataforma mais utilizada nos projetos de educação a distância desenvolvidos no âmbito da UAB e apesar de ser apresentado como um ambiente desenvolvido a partir dos princípios da teoria construtivista, a concepção pedagógica de cada ambiente virtual dependerá do uso que é feito dele. Um grande problema que enfrentamos hoje na EaD é o engessamento dos ambientes virtuais que ainda não conseguiram explorar de forma plena toda a potencialidade que um AVA oferece. As limitações no uso dos ambientes tem propiciado o surgimento de ambientes pobres, com pouca ou nenhuma diversificação de materiais, ferramentas e atividades que desmotivam o aluno e não favorecem a aprendizagem.

Embora seja o mais conhecido, o Moodle não é o único ambiente virtual com código aberto e de uso livre e gratuito: o ambiente Amadeus, desenvolvido pelo Centro de Informática – CIn da Universidade Federal de Pernambuco, é um software público, disponível para ser baixado, modificado e reutilizado. O Amadeus disponibiliza aplicações bastante interessantes, como a integração com celulares, jogos e TV Digital.

Outro ambiente criado no CIn da UFPE, é o Redu, uma rede educacional que agrega as funcionalidades de uma rede social com o gerenciamento dos ambientes virtuais. O Redu apresenta várias funcionalidades interessantes com a estrutura de uma rede social e leva o conceito de grupos de trabalho para a sua própria organização da mediação entre professores e alunos. A diversidade de sistemas voltados para a aprendizagem é um indicativo importante que já temos muitas pesquisas e produtos que buscam melhorar a funcionalidade dos ambientes virtuais para construir espaços de aprendizagem mais eficazes, interativos e atraentes para os alunos. Embora os ambientes virtuais por si só não serão capazes de promover práticas pedagógicas inovadoras, é importante que seja possível pensar a aprendizagem em espaços diferenciados. Os ambientes virtuais representam um desafio para pensarmos em novas concepções de aprendizagem em novos espaços, mas a inovação pedagógica dependerá muito menos das tecnologias digitais e ferramentas existentes e muito mais da reflexão e atitude dos professores e alunos que as utilizam.

Sobre a autora: Ana Beatriz Gomes Carvalho, é graduada em Geografia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba. Professora da Universidade Federal de Pernambuco, lotada no Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino e no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica (EDUMATEC). Desenvolve pesquisas sobre os seguintes temas: educação a distância, redes sociais, hipertexto, inclusão digital, aprendizagem em rede e o uso de tecnologias na formação de professores.
Blog:anabeatrizgomes.blogspot.com.brE-mail:anabeatrizgpc@gmail.com;Twitter: @anabee

45 comentários sobre “Ambientes virtuais: novos espaços de aprendizagem?

  1. Carolina Ramos (@carolinasramos) disse:

    Olá Pessoal,
    Estamos vivendo num momento onde as pessoas estão buscando virtualizar suas relações, em diversas áreas. Seja de estudo, trabalho ou até mesmo afetiva.
    Outro dia, soube de uma pessoa que estava pesquisando sobre “velório virtual”, e ela afirmava ser uma nova prática com bastante adesão, e uma das funções era que servia para pessoas que moravam distantes e que não precisariam se locomover. Achei isso meio estranho, mas quem sabe não é só uma questão de tempo?

    Então, como vimos no texto acima, e nos comentários dos colegas, os ambientes virtuais de aprendizagem, precedem da necessidade dos indivíduos estarem em constante formação, mas muitas vezes haver o problema de tempo e espaço.
    Acredito que muitos dos problemas já comentados, ocorrem pelo fato da inexperiência da ferramenta e da forma de comunicação, como também por haver pessoas que ainda desacreditam no potencial que a educação a distancia tem a oferecer.
    Bjs

    • Ana Beatriz disse:

      Ainda estamos mesmo engatinhando na nossa compreensão sobre a virtualização das relações, do trabalho, dos rituais etc. e não seria diferente com a aprendizagem. O estranhamento começa a dar espaço para a compreensão das possibilidades do virtual nos diferentes níveis da nossa vida. Conforme a cultura digital vai se consolidando, os novos processos são mais aceitos, abrindo espaço para a inovação. É um processo mais lento do que nós gostaríamos, mas (felizmente!) não está estagnado ou retrocedendo.

      Abraços,

  2. Márcia Nogueira disse:

    Novos e ‘velhos’ espaços de aprendizagem excelente discussão levantada por Ana Beatriz, não acham? pois bem, pergunto-me sempre onde é mesmo que aprendemos?

    A modalidade de ensino a distância (EAD) surgiu para comprovar que a aprendizagem ‘pode’ acontecer em diversos espaços, inclusive virtuais. Para tanto, os papéis de quem ensina e quem aprende devem ser bem redefinidos, seguindo a concepção da nova dinâmica cultural da sociedade contemporânea- a cibercultura.

    Acompanhando este raciocínio, os AVAs são plataformas de ensino que a cada dia se adequam as necessidades dos usuários, seja de mobilidade e/ou ubiquidade, que oportunizem a interação entre pessoas incomuns além do espaço formal de aprendizagem, no caso do Redu.

    Mas quais seriam os velhos espaços? acredito que dependendo do USO os velhos podem ser novos espaços e os novos podem ser velhas reproduções dos tradicionais espaços de aprendizagem. E agora, quem poderá me ajudar?

    Abr@ços,

    • Ana Beatriz disse:

      Não é interessante como a reflexão sobre o uso dos “novos” espaços de aprendizagem nos leva sempre a repensar e discutir os espaços formais tradicionais? Essa convergência tem incomodado bastante os defensores dos espaços tradicionais porque a EaD como modalidade vem revelando as fragilidades das práticas tradicionais que se perpetuaram ao longo das décadas sem muitos questionamentos. Por exemplo: é possível ensinar 55 alunos fisicamente presentes em sala de aula com o tempo de duração das aulas que temos hoje? E se cada um deles quisesse fazer uma pergunta? O professor conseguiria dar conta de responder todo mundo? Não? Se o professor face to face com os seus 55 alunos não conseguira dar conta de uma mediação mais individualizada, que tipo de proposta pedagógica está sendo aplicada ali? Dez aprendem e cinquenta continuam se arrastando? Angustiante, não? Por isso mesmo, a discussão sobre os diferentes espaços de aprendizagem é tão importante, cada vez mais torna-se evidente que somente a sala de aula não é mais suficiente para promover uma aprendizagem realmente significativa. Assim, os limites virtuais/presenciais vão se tornando cada vez mais tênues, mas o mais importante é que todos os espaços busquem uma prática inovadora, seja usando blogs para trabalhar a produção textual ou sucatas para construir maquetes ou desafios matemáticos. O importante é buscar novas soluções para possibilitar a aprendizagem dos alunos porque nós sabemos que o modelo que temos usado hoje já está com o prazo vencido há muito tempo, seja na Educação Básica ou no Ensino Superior!

      • Márcia Nogueira disse:

        Querid@s,

        Ana Beatriz tocou num ponto muito importante, a aprendizagem significativa que de acordo com o teórico Ausubel o aprendente deve estar predisposto a aprender, então refletimos sobre os novos papéis/competências do aprendente na era digital, ou seja, autonomia, criticidade, e colaboração em rede. Assim, as novas informações devem ser ancouradas a conhecimentos prévios como forma de substancializar as novas informações para se tornar “significativa”. Boas questões, não acham?

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Marcinha, eu gosto muito de Ausubel, especialmente porque ele bebe na fonte do meu velhinho de Genebra, Piaget. 🙂

    • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

      Oi, gentem.

      Penso que quando falamos em “práticas tradicionais” estamos colocando aí um monte de coisas que não cabem no mesmo balaio. Há práticas tradicionais muito bem sucedidas como o uso do material manipulativo para ensino de matemática (herança da velha Motessori), o uso do ditado para a ortografia, o estudo dirigido, o estudo do meio, e mesmo a jurássica aula expositiva dialogada.

      As tecnologias digitais podem melhorar o ensino? Podem. As tecnologias digitais serão sempre a melhor opção? Não necessariamente. Nas pesquisas empíricas sobre games em educação encontramos do sucesso mais retumbante ao fracasso mais acachapante, passando pelos sucessos relativos. Não há milagre digital, e na maioria das vezes os bons recursos digitais só se tornam bons porque se valem de princípios pedagógicos tradicionais. Na área de games, aproveitamos muitos dos princípios dos velhos jogos de cartas e dos velhos jogos de tabuleiro, invenções muito antigas.

      A discussão que estamos tendo neste blog, por exemplo, simula uma discussão de final de aula no modelo presencial. A diferença é que aqui o fazemos pela língua escrita e de forma assíncrona, mas é um modelo radicalmente semelhante a um debate presencial. Eu faço minha intervenção, outra pessoa faz a dela, uma terceira rebate fazendo um comentário diretamente abaixo do meu para se referir especificamente ao que eu disse. A vantagem deste fórum é que isso pode ser feito de forma assíncrona, oferecendo flexibilidade, mas é uma prática radicalmente semelhante ao que se faz presencialmente.

      Bjocas

      • Ana Beatriz disse:

        Amanda, comentário perfeito! É isso mesmo, não podemos colocar todas as práticas no mesmo balaio e muito menos jogar a bacia e a água fora junto com a criança. rsrsrs… Eu gosto muito do vídeo no qual Skinner explica o funcionamento das máquinas de ensinar exatamente porque mostra que as nossas ideias inovadoras e atuais não são tão originais assim… Às vezes tenho a impressão que repetimos os mesmos percursos (e os mesmos erros) de antes porque nos recusamos a olhar para trás e descobrir o que realmente podemos aproveitar e o que precisa ser descartado. Penso que falta na Educação a perspectiva de remixar, reutilizar e reconfigurar as práticas. Estamos sempre em busca do novo ao mesmo tempo em que reproduzimos coisas falidas e ineficazes sem perceber, revestida de uma roupagem tecnológica de pseudo-inovação. Essa nossa discussão está contribuindo demais para uma reflexão muito mais ampla e consistente para todos nós. Estou dando pulinhos aqui! 🙂

      • Ana Beatriz disse:

        Márcia, você lembrou bem, a aprendizagem significativa possibilitaria ir muito além nas propostas dos AVA. Temos que nos aprofundar mesmo nas concepções de aprendizagem não somente na teoria, mas, sobretudo, na prática em espaços virtuais de aprendizagem. Se eu tivesse que eleger os três principais teóricos que podem nos apoiar na mediação com o uso de tecnologias digitais, eu escolheria Vygostsky e a importância da cultura e do outro, Maturana e Varela com a autopiese Lévy com o seu conceito de Ecologia Cognitiva. Vocês também teria um TOP3?
        # Não, eu não esqueci o conectivismo do velho George Siemens, é que eu não topo mesmo! 😦

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Ai, eu nem sei quem eu escolheria como TOP3.

        Penso que para trabalhar com conteúdos de forma mais geral, escolho Piaget.

        Para trabalhar com humanas e ciências sociais, Vyvy (para os íntimos), pela ênfase no diálogo e no trabalho em grupo.

        Para Matemática, Piaget e Vergnaud, pelo foco de Piaget no raciocínio matemático e de Vergnaud na exploração de conceitos durante a aprendizagem.

        Para ensino de ciências, não conheço nenhuma grande referência, mas arriscaria a pedagogia de projetos numa perspectiva à la Feinet.

        Maturana e Varela eu coloquei para decantar há 4 anos. No começo do livro “A Árvore do Conhecimento” (a obra que destrincha a teoria da dupla), eu estava gostando bastante dessa pegada biológica. Mas já pelo final do livro o discurso começa a ganhar um tom meio meloso… meio estranho… falar que a razão de tudo é o amor… sei não… prefiro deixar decantando por uns tempos até ter disposição para ler de novo.

        Bjocas

      • Márcia Nogueira disse:

        Difícil escolha, mas meu TOP3 seria uma triangulação de peso:Vyvy, com bem disse minha companheira Amanda; Lèvy , os mais íntimos me chamam de LEVYana e traria um teórico da comunicação, educação e estudos culturais, Giroux. Preciso dizer algo mais, rsrsrsr!

        bjusss

      • Viviane Alves de Lima Silva. disse:

        Ana e Amanda,
        Realmente o uso da tecnologia por si só não garantirá êxito ao processo de ensino e aprendizagem. Não é suficiente dar uma nova roupagem ao estilo tradicional e conservador, utilizando uma tecnologia inovadora, mas mantendo a mesma concepção e as mesmas práticas em educação.
        Concordo com Amanda quando ela afirma que existem práticas tradicionais que são muito bem sucedidas. Trago as contribuições do autor Marcos Masetto quando ele afirma que não é a tecnologia que solucionará o problema educacional brasileiro. O mesmo autor também corrobora que “a tecnologia só terá importância se for adequada para facilitar o alcance dos objetivos e se for eficiente para tanto”. Para Manuel Moran, é interessante que o professor utilize todos os recursos disponíveis, integrando as metodologias tradicionais com as inovadoras, integrando texto sequencial com hipertextos, associando o encontro presencial com o virtual. Dessa forma, devemos valorizar o que há de melhor nas tecnologias disponíveis, sejam elas convencionais ou inovadoras.
        Independentes de quais tecnologias estejam sendo utilizadas pelo professor, importante que sejam construídos caminhos mais significativos de aprendizagem.

      • Ana Beatriz disse:

        Viviane,
        Você colocou uma questão importante e que nos leva a refletir sobre as políticas de inclusão digital nas escolas que conhecemos. Mesmo com diversos teóricos afirmando que a tecnologia não é a salvação da Educação, os programas aplicados nas escolas sempre se fundamentam nessa premissa. Quando não dá certo, a culpa sempre recai sobre o professor. Ninguém discute os modelos que são impostos sem negociação com os professores, o tipo de tecnologia que é necessária para cada contexto ou os diferentes níveis de cultura digital – tanto dos professores quanto dos alunos – que interfere na forma como a tecnologia será inserida e utilizada.

        Abraços,

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Ana, perfeito! O professor nunca é ouvido, ele só tem que executar! Não suporto esse discursos que culpam o professor pelos fracassos das políticas de inserção de novas tecnologias na escola. A vítima acaba sempre virando a grande culpada pelo fracasso de projetos cujos gestores nunca pararam para consultar a escola, ouvir o professor, dialogar com a realidade.

        bjocas

  3. Eber Gomes disse:

    Oi gente! Pelo que vejo as frustrações com experiências de EaD não é apenas minha! (rsrs)

    Já passei por todas as experiências possíveis com EaD desde aluno (em uma graduação, que só a graça!), assim como em uma especialização (que salvou a pátria), por ter gostado acima de tudo das mediações que tivemos (podemos dizer) com bastante assiduidade, e fez com que olhassemos para EaD com outros olhares!
    É imensurável o que foi colocado pelas colegas diante de suas experiências, e me vi um pouco em cada situação… e posso afirmar que, a de Amanda sobre Vygotsky que publicou em 1989 é impagavél! (peloamordedeus Hein, professora Ana? )
    Entre outras colocações, podemos destacar alguns cursos sem mediações, assim citados também. E com isso, podemos perceber a falta de compromisso de alguns alunos ao discutirem nos ambientes virtuais. E como acontecer as interatividades sem ter NINGUÉM para mediar? Já passei por estas situações, inúmeras vezes, tutores que não entram no ambiente por mais de 3 dias e o pior você enquanto aluno, muitas vezes esperando a sua resposta para dar continuidade a sua atividade que está prestes a terminar o tempo de envio. Aff!
    E quando falamos em atividades, não pensem que são atividades com uso de tecnologias, quiça que aconteçam interatividades e colaborações, são atividades de reprodução do conhecimento. Isso mesmo! Questões, que os “professores jugam como necessárias para promover a aprendizagem”, mesmo que sejam copiadas e coladas, que de fato era o que acontecia, um aluno fazia e todos copiavam e colavam.
    E práticas como estas reprodutoras do ensino presencial assim se fazendo na EaD e achando uma prática inovadora! Pode crêr?

    É fato e de direito que práticas como estas fazem com que as pessoas desacreditem na EaD como uma prática holística, inovadora e colaborativa. Podemos pensar apenas que o professor é o culpado? Quem está por trás de tudo isso além do professor para planejar sua disciplina na EaD?

    Como disse a professora Ana: “mas se eu tiver alguém que domine as ferramentas e seja um bom DI, eu faço um estrago que sempre resultarão em cursos fantásticos!” Seria a saída?

    • Ana Beatriz disse:

      Pois é, Eber, nós estamos chegando ao ponto principal da questão: a atuação da equipe multidisciplinar. Embora o conceito seja bem interessante, a prática não funciona tão bem assim. Uma equipe multidisciplinar deveria pressupor que TODOS os envolvidos dominem minimamente as tecnologias digitais e o seu uso pedagógico. A realidade tem indicado que as equipes são formadas por pessoas que conhecem apenas o seu foco de atuação e isso pode realmente ser um dificultador do diálogo e interação essenciais entre todos. Uma equipe precisa ser a soma das especificidades de todos em busca de um objetivo em comum e não um grupo heterogêneo que caminha em direções diferentes sem saber onde ou como chegar. Vamos continuar pensando que os cérebros já estão começando a derreter! rsrsrs…

  4. Adriana Alves Moreira disse:

    Tenho experiência em EAD como tutora e aluna. Fiz um curso de especialização em Tecnologias na Educação no ambiente antigo do eproinfo, ele possui limitações, pois não é possível colocar vídeos, figuras… Podemos colocar o link. Porém, a atuação do tutor/professor faz toda a diferença! Algumas disciplinas fiz meio desmotivada, quase desistindo… Outras, fiz mais empolgada, ficando triste ao terminar a disciplina, pois o/a tutor(a) conseguia mediar o conhecimento de forma instigante, prazerosa! Já dei uma olhada no novo ambiente eproinfo, ainda não usei, mas deu para perceber que houve avanço! Acredito que a proposta do REDU é bem interessante, pois permite uma maior integração entre as ferramentas, possibilitando ao aluno um maior conhecimento das mesmas, e o inserindo no atual contexto da sociedade pós-moderna. Porém, como a profª Ana falou em suas aulas, por mais que o ambiente seja pensado dentro da perspectiva construtivista, o que o fará ser, será a prática docente do tutor/professor.

    • Ana Beatriz disse:

      Adriana,
      Temos encontrado boas experiências em EaD, assim como outras desastrosas. O interessante é justamente que as pessoas possam aprender com essas experiências e refletir sobre os ajustes necessários, seja como professor ou como aluno. A disseminação de cursos na modalidade a distância vem permitindo pesquisas e troca de experiências que ajudarão muito no ajuste dos modelos existentes e na criação de outros caminhos. Como vocês podem ver, eu sou mesmo uma otimista no que diz respeito ao futuro da EaD!

      • daysrodrigues disse:

        Seu otimismo nos entusiasma proff, você nem imagina o quanto. Existe um divisor de águas em minhas concepções de EaD: antes e depois de suas aulas!!!

      • Adriana Alves Moreira disse:

        Oi Ana,
        eu também acredito no futuro da EaD!!! Acredito que estamos avançando, e que hoje já existe uma maior credibilidade em relação aos cursos. Meu desejo é que ela cresça cada vez mais, pois gosto muito da modalidade! Tanto para estudar quanto para trabalhar! 😀

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Não me tomem por chata, mas eu penso que tanto as experiências boas quanto as ruins continuarão a proliferar. Sempre haverá clientela para cursos pé-de-escada, e nesse contexto de superficialidade e imediatismo no qual vivemos, essa clientela não deve diminuir. Seja no Brasil ou no mundo. Isso vale também para o ensino presencial. Tá cheio de site por aí vendendo TCCs, dissertações e teses a preços módicos.

        Por outro lado, o acúmulo de experiência dos que querem trabalhar sério deve resultar em uma parcela de cursos cada vez melhores, com uso cada vez mais competente das tecnologias, direcionados a uma clientela mais exigente, melhor informada e compromissada com sua formação e exercício profissional. E a universidade pública tem um papel fundamental nesse processo, uma vez que não precisa maquiar resultados de experiências ruins.

        Falou Amanda, a “Bronquinha” 😉

    • Patricia Matias (@patsiacm) disse:

      Olá pessoal,
      podemos perceber a importância de uma boa relação entre o AVA e a proposta pedagógica, que as ferramentas utilizadas possam ser usadas em prol do que é pretendido alcançar com os alunos. E também a importância do papel do professor como mediador nesses momentos, para estimular a aprendizagem, parcerias, desafios…

      • Marta Henrique da Silva disse:

        Eu acredito no futuro da EAD tb!!! 😉
        Pois, penso que os ambientes virtuais (AVA) vem permitindo, através dos recursos digitalizados, várias fontes de informações e conhecimentos, proporcionando uma aprendizagem que possam ser criadas e socializadas através de conteúdos apresentados de forma hipertextual, mixada, multimídia, com recursos de simulações.

    • Viviane Alves de Lima Silva. disse:

      Minha primeira experiência em EAD também foi na plataforma e-Proinfo, mas acho que não foi no mesmo período que você, Adriana. Comecei uma especialização em dezembro de 2010 e concluí em agosto deste ano. E existiam sim postagens de figuras, de vídeos, etc. Teve até um módulo em que havia um cinema virtual no ambiente.

      Em relação à forma de utilização do e-Proinfo, na minha concepção se enquadra com a primeira opção colocada no texto da Profª Ana Beatriz: o ambiente como “Foco nas ferramentas de aprendizagem”; pois realmente era a única forma de contato que havia entre os alunos e os tutores/professores e as ferramentas eram utilizadas em substituição aos encontros presenciais. Só tivemos dois encontros presenciais no início do curso para nos familiarizarmos com o ambiente, e um encontro no fim do curso para a defesa da monografia.
      Um dos aspectos mais negativos da forma como estava estruturado o curso foi a ausência de formação de grupos na rede. As atividades propostas eram bem individualizadas. Para que houvesse alguma interação entre os cursistas, às vezes eram promovidas atividades em fóruns. Mas cada um ia lá no fórum e colocava algum comentário e pronto. Os tutores costumavam solicitar que os participantes interagissem mais entre si, mas eles mesmos mal interagiam conosco.

      Em relação ao que Eber mencionou sobre a demora do feedback dos tutores em relação às atividades que realizávamos, só tive este problema no final do curso, no módulo da MONOGRAFIA. A minha orientadora passava mais de um mês para dar retorno das minhas produções, foi muito estressante. Tive que ter uma autonomia redobrada e fui em busca de orientações de outras pessoas, embora tenha sido o nome dela que apareceu como minha orientadora.

  5. Amanda Amorim Costa e Silva disse:

    Ah! Também tenho relato triste como aluna de EAD.
    Já larguei um curso de aperfeiçoamento sobre Dificuldades de Aprendizagem porque:

    a) o curso não tinha tutoria, só um formulário de contato com a professora, caso eu precisasse. E por esse formulário eu poderia contatar também a tesouraria, a secretaria e todas as “ias” da instituição. Ou seja, não havia um canal de contato exclusivo com o tutor ou professor, e esse contato nem era encorajado;

    b) eu não tinha acesso aos demais cursistas. Era apenas me, myself and I;

    c) as orientações de estudo eram muito vagas. Havia um punhado de pdfs a serem lidos e a maior parte dos textos era copiada e colada da internet, e sem fazer referência aos autores originais;

    d) havia também um punhado de aulas expositivas filmadas, cada uma com 30 minutos de duração. Nas aulas, a professora (grávida, já com o “bucho pela boca”), explicava o assunto no mais absoluto tédio, sem recursos de animação, com uns slides passando numa lousa digital. Mas o pior foi ela dizer que Vygotsky publicou sua teoria em 1989 (sendo que ele morreu na década de 1930). Aí eu quase me enforquei com o fiozinho do mouse.

    e) a avaliação era um questionário idiota e desestimulante.

    Preferi largar o curso a perder meu tempo e ainda manchar meu meu lattes com um certificado de uma instituição desse nível. E a propaganda dessa empresa exibia mil tecnologias e um ator global famoso com o maior lero, lero!

    • Ana Beatriz disse:

      Pois é, Amanda, você descreveu uma situação que é muito séria na EaD: o uso inadequado das tecnologias digitais. Do que adianta um vídeo se a pessoa está com cara de quem vai morrer de tédio nos próximos cinco minutos? Para que serve uma lousa digital se o seu uso for apresentar textos enormes que poderiam ser melhor lidos no papel? Se a única possibilidade de comunicação é adireta entre o professor e o aluno (e olhe lá!), como promover um espaço de discussão e crescimento? É interessante observar que o aperfeiçoamento dos ambientes vem caminhando exatamente na direção de estimular e promover a comunicação em níveis ainda mais amplos e complexos. O próprio Redu quando é criado na estrutura de uma rede social está buscando essa possibilidade de trabalho pedagógico. Eu gosto muito dessa discussão porque estamos extrapolando os limites da EaD e pensando em perspectivas muito mais amplas. A postagem da Vanessa Nogueira (depois da minha aqui no blog) sobre os Sites de Redes Sociais na Educação fala sobre as questões do uso das redes na Educação no contexto presencial, mas vários pontos são convergentes com a nossa discussão sobre EaD.

      • Roberta disse:

        Olá , pessoas!
        Amanda, me vi no seu relato!

        A minha experiência com EAD foi como aluna de pós-graduação ‘lato sensu’ em Tecnologias em Educação à Distância e, também como a sua, foi desastrosa, ou melhor, quase desastrosa. Consegui concluir a Pós porque terminei apelando para uma interação presencial com dois colegas de trabalho e de curso!!!
        O AVA era na verdade AVD (Ambiente Virtual de Depósito)!!! Lá podiamos “baixar” livros em PDF e vídeo-aulas com uns professores-zumbis…e só. Aí eu ficava pensando: “Como é que esse professor tá falando em Vygotsky e eu estou aqui “salivando” por conhecimento, feito um cachorrinho de Pavlov!?”.
        Tentando humanizar o nosso curso, assistíamos as vídeo-aulas em grupo (sala de aula presencial, com três alunos). Mas isso também não dava lá muito certo porque começávamos a criticar o professor (que não nos ouvia!!) porque a cada 3 minutos dava uma “viradinha” para ser focalizado por outra câmera e desviava a nossa atenção já sofrida. Acho que ele fazia isso pra “quebrar o gelo” e para não dormirmos (que tática!!). Sabe aquelas pessoas que quando ficam assistindo novela conversam com a atriz que está contracenando??? A televina fala bem alto: – Cuidado Nina! Carminha quer te pegar! Essa mulher é muito ruim, é uma peste! Pois é, meus caros! Queríamos e apelávamos por interação!!! ! Entrava no AVA de manhã, de tarde e de noite pra ver se achava uma alma viva online. É a velha necessidade de interação! E essa foi minha experiência anterior com EAD que agora estou tentando superar . Pra concluir, acho que o que precisamos mesmo é entender que, independente dos meios e das tecnologias, o que queremos (como se diz no FACEBOOK) é compartilhar! Compartilhar conhecimento. Se utilizamos velhos ou novos espaços, cabe a nós, atores desse cenário, viabilizar uma aprendizagem coletiva. Se nesse cenário existe um processo de ensino-aprendizagem , a figura do mediador é imprescindível.
        Abraço a todos,
        Roberta

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Roberta,

        Esse modelo de AVD – Ambiente Virtual de Depósito é lamentável. E vou te dizer mais, como designer instrucional eu já pulei muita fogueira. Já tive uma “quase” cliente na área de Recursos Humanos que queria me contratar para fazer cursos nessa perspectiva. Ela dizia: “Eu quero que o curso esteja lá (no Moodle) e esteja rendendo. Não quero nem me preocupar com ele.” Ou seja, era colocar o curso no ar e deixar o aluno sozinho. E essa criatura trabalha com recursos humanos há décadas, tem prêmios e tudo o mais.

        Eu dei uma desculpa fofa e saltei fora. Mas, certamente alguém deve ter topado e essa senhora vai colocar seu depósito no ar e fazer uso da fama e dos prêmios que tem para ganhar dindin online “sem se preocupar”. Ces’t la vie. 🙂

  6. Dayse Rodrigues disse:

    Quando conclui a leitura do texto e das observações logo abaixo dele, pude refletir sobre duas experiências minhas com EaD, em ambientes completamente diferentes, a primeira delas na condição de professora e posteriormente como aluna. Em ambos os casos tive a triste sensação que os ambientes eram utilizados apenas como “depósitos de materiais”.

    Enquanto professora percebo que o desenho didático não favorece ao pensamento pedagógico que tenho sobre o curso, conforme anteriormente destacado por Amanda Amorin. Alguns aspectos são bastante limitadores: 1. A interação entre os pares é quase inexistente, uma vez que a ferramenta não permite postar ou fazer menção ao post de outro aluno; 2. Quando solicitados que comentem a fala de outro colega, na extraordinária maioria das vezes era em concordância ao que foi dito, evitando sempre o confronto de opiniões ou a complementação delas; 3. A avaliação do professor em relação à postagem do aluno consistia em uma escala que ia de “irrelevante a excelente” (não permitindo comentários adicionais, observações, sugestões de complementações dos estudos). Aqui se destacam os aspectos técnicos/operacionais e também as representações dos alunos em relação à aprendizagem a distância. Ora, se eu não podia ser o “programador” do meu curso, me restaria apenas ser o transgressor dessas amarras e buscar uma interação de algum modo eficiente.

    Na minha experiência enquanto aluna embora o design do ambiente seja outro (excluindo os aspectos 1 e 3 do parágrafo anterior) a participação dos alunos continuava a ser bem apaziguante, sem qualquer discórdia entre os posicionamentos – ainda que nos encontros presenciais(pasmem!) acontecesse o oposto a isso. Era como se cada um acessasse o ambiente com o único objetivo de cumprir a tarefa da semana (para não ter falta no módulo), depositando a sua produção intelectual. Não havia intervenção quanto isso por parte do tutor.

    Enfim, diante dessas inquietações, não quero aqui apresentar conclusões únicas que justifiquem tamanhas diferenças e semelhanças entre os AVAs, destaco apenas três aspectos: a figura do professor possui uma relevância enorme no modo de interação entre os pares; a estrutura do ambiente virtual favorece ou destrói possibilidades de construção interativa, as representações sociais que os envolvidos tem sobre EaD determinam como o processo de ensino aprendizagem será conduzido.
    Ajudem-me a continuar refletindo…

    • Ana Beatriz disse:

      Deise,
      Antes que você derreta o cérebro, muita calma nessa hora! Você destacou a questão principal na mediação realizada nos AVA: os diferentes níveis de interação e interatividade! Não é possível pensar em apredizagem sem mediação. A mediação exige interação e interatividade entre os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Os exemplos que você citou (e muitos outros que conhecemos) reprimem ou relevam a interação entre os participantes. É o modelo em que o objetivo é apenas “tirar as dúvidas” dos alunos e não propiciar um espaço para trocas, discussão ou reflexão. Daí, voltamos para o mesmo problema, não é possível fazer uma formação aprofundada com modelos instrucionistas! Isso não significa (como já discutimos em sala de aula) que o instrucionismo não seja adequado para determinados conteúdos. Ele até é, mas não para todos e muito menos inserido em projetos pedagógicos que se dizem “construtivistas”. Retomando Vygotsky (que não publicou a sua teoria em 1989, pelamordedeus! kkk), a mediação só pode ser realizada pelo professor que é o condutor principal do processo. Os ambientes – como ferramentas que são – deveriam apoiar a ação pedagógica do professor e não dirigi-la ou formatá-la. Quando temos um embate entre os diferentes sujeitos da aprendizagem, o aluno é o único prejudicado, como você muito bem apontou.

  7. AMANDA BARBOSA disse:

    Olá Professora Beatriz e Colegas, gostei muito do texto e das colocações expostas. E me posiciono seguindo o trecho da professora Beatriz:
    Os ambientes virtuais representam um desafio para pensarmos em novas concepções de aprendizagem em novos espaços, mas a inovação pedagógica dependerá muito menos das tecnologias digitais e ferramentas existentes e muito mais da reflexão e atitude dos professores e alunos que as utilizam.
    Quando penso em Ead, imagino logo as vantagens que ela proporciona para o ensino quebrando a exigência do tempo e lugar fixos, além dos vários recursos que os AVA tem. Mas ao mesmo tempo me preocupo com a aprendizagem, deve ser mais fácil montar um curso usando Tecnologia do que facilitar e promover a aprendizagem de fato, ou seja, temos RECURSOS NOVOS E PROBLEMAS ANTIGOS NO ENSINO E NA APRENDIZAGEM. Acredito que antes de usar tecnologia nas aulas e aderir a Ead, é importante parar, pensar, planejar e responder: o que eu quero ensinar? O que meu aluno precisa aprender? O que meu aluno quer? Como fazer? e por que fazer?
    Então, com os AVA com certeza temos novas possibilidades para ensinar e novas possibilidades para aprender, quanto mais sabermos sobre as limitações e vantagens de um AVA, melhor ensinamos e melhor aprendemos.

    • Ana Beatriz disse:

      Amanda,

      Sem dúvida, o ponto central do problema é como usar os recursos novos para resolver problemas antigos no processo de ensino-aprendizagem. Na maioria das vezes, encontramos os recursos tecnológicos apenas reforçando ou mascarando os problemas. E aí a coisa fica mesmo complicada porque a falsa aparência de modernidade faz com que os princípios básicos do processo (planejamento, objetivo, esttatégis etc) sejam esquecidos ou minimizados. Essa é a principal crítica que precisamos fazer ao uso das tecnologias digitiais: elas não podem ser o ponto central da aprendizagem porque são apenas o meio para a mediação pedagógica. Interessante que isso vale tanto para a Educação a Distância quanto para o uso das tecnologias digitais em sala de aula no ensino presencial.

  8. Ana Beatriz disse:

    Deise,
    Interessante você observar isso porque eu sempre tenho a impressão que nós tendemos a reproduzir em sala de aula como professores, a nossa experiência como alunos. Com o uso das tecnologias isso fica ainda mais evidente e penso que é importante que o professor vivencie a modalidade a distância como aluno para que possa realmente compreender as necessidades e limitações dos modelos pedagógicos adotados. É uma reflexão que permite vários desdobramentos, vamos seguir conversando…

    Abraços,

  9. Ana Beatriz disse:

    Pois é, Amanda, você abordou a equação que ainda precisa ser resolvida: como equacionar a atuação dos professores de forma efetiva e autoral ao mesmo tempo em que o DI tenha o seu espaço de ajuste do percurso escolhido pelo professor? Penso que o maior problema esteja no desconhecimento dos professores em explorar as potencialidades das plataformas digitais e do próprio conhecimento do DI. Pessoalmente, eu sou capaz de construir um curso sozinha em qualquer ambiente virtual, mas se eu tiver alguém que domine as ferramentas e seja um bom DI, eu faço um estrago que sempre resultarão em cursos fantásticos! kkkkk
    Abraços,

  10. Deise France (@DeiseFrance) disse:

    ótimas colocações da Professora Ana Beatriz e da colega Amanda.

    Seria Ideal que a mesma pessoa tivesse as três formações: Educador, programador e design. Para que os Ambientes Virtuais de Aprendizagem fossem perfeitos, ou quase isso. Para tanto o “professor/tutor” também deveria ter tido ou ter experiência de também aluno do EAD e usuário dos AVA’s para total integração entre as funções. Ainda assim, arisco em dizer que a plataforma não seria perfeita.

    Espero outras contribuições para continuarmos o “debate virtual” .

    • Te disse:

      ola, Deise , o debate está interessante, e eu acrescento que alem da experiencia em EaD como vc escreve, e se estamos a falar no ensino superior, o processo esino-aprendizagem tem mediacoes bem diferentes das que usualmente conhecemos no presencial.. mas a partir de algum tempo a plataforma tambem pode se torar um ambiente tao formal quanto uma sala com 4 paredes!
      por isso aparecem as investidas da Educação em direcao as redes socias.. que podem mobbilizar mais os alunos. mas que tambem podem tirar o foco… Sao periodos ainda nebulosos, considero assim. A relaçao dialogica aluno-professor- mundo é inovadora, pois so experenciamos a professor-aluno ou aluno-alunoou aluno maquina..
      outra coisa sao as metas acordadas entre os envolvidos e depois isso esta lligado a uma flexibilidade curricular ..
      e muitascoisas nao dependem somente de nos! bj

      • Ana Beatriz disse:

        TE,
        Muito obrigada pela sua contribuição! Gostei dos “tempos nebulosos”, penso que é isso mesmo, vivemos uma transição que está acontecendo muito mais rapidamente do que estamos dando conta de acompanhar. Fiquei pensando na questão da flexibilidade necessária e me pergunto se não estamos cobrando apenas do professor que seja responsável pelas mudanças pedagógicas em sala de aula, mas pouco é cobrado da escola e dos sistemas nesse sentido, como espaços físicos adequados à propostas inovadoras (salas multiuso, organização em círculos, tomadas em quantidade, equipamentos disponíveis etc), gestão integrada e realmente participativa, reorganização curricular, duração das aulas etc. Eu terminei uma pesquisa recentemente em que todos os professores afirmaram que a gestão e a estrutura da escola são elementos que dificultam ou impedem o uso das tecnologias digitais em sala de aula. Os professores citaram vários exemplos e penso que temos que começar a lançar um olhar mais crítico sobre essas estruturas engessadas do sistema educacional.
        Abraços,

        Ana

    • Márcia Nogueira disse:

      Olá Deise e pessoas bonitas

      Não acredito que o mesmo profissional deva ter várias funções na EAD, ou em qualquer modalidade de ensino, e sim formar uma equipe multidisciplinar onde a diversidade de habilidades e competências individuais possibilitem inteligentes coletivos, assim não sobrecarrega ninguém. Na minha opinião são papéis bem diferentes, mas que se complementam. A autora Andréa Filatro descreve muito bem estes papéis no livro design instrucional na prática.

      Abr@ços,

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Apoiadaaaaa! 🙂

        Eu penso que o professor pode até dar uma de “faz tudo” quando se trata de montar um curso pequeno, a ser oferecido a uma turma pequena e de curta duração, como é o caso de alguns sites que oferecem cursos livres. Essa fórmula artesanal também funciona em ambientes de apoio a uma disciplina presencial (como a que estamos pagando agora com Ana Beatriz). Mas um curso de alto nível, com mais de uma disciplina, para uma turma numerosa e/ou que tenha longa duração requer uma equipe multidisciplinar e “principalmente” um coordenador que saiba delegar responsabilidades aos demais componentes dessa equipe.

      • Ana Beatriz disse:

        Opa! Temos um ruído aqui! Não se trata de fazer o professor assumir todas as funções (seria impossível se estamos pensando em cursos de qualidade e com diversificação de materiais e estratégias pedagógicas), mas sim a necessidade de que o professor domine as ferramentas disponíveis nos ambientes e conheça os processos de aprendizagem que são mediados através de tecnologias digitais. O que vemos hoje é que o professor domina apenas o seu conteúdo e o desgin (por mais fodástico que seja) não pode saber as estratégias pedagógicas adequadas para todos os conteúdos existentes. Não podemos esquecer que a segurança do professor sobre o percurso pedagógico escolhido é essencial para o sucesso da aprendizagem!

      • Amanda Amorim Costa e Silva disse:

        Ana, mas tem gente que defende sim na literatura sobre EaD que o professor assuma todos os papéis, que o DI é totalmente dispensável. Há quem considere que já há tanta coisa na internet sobre todos os assuntos que produzir material didático é um esforço desnecessário. Basta linkar um texto aqui, um vídeo acolá, um objeto de aprendizagem não sei de onde e tudo está resolvido. Como se essa “colcha de retalhos” fosse um material didático.

        Sei que não é isso que você defende, mas há quem defenda, sim, com unhas e dentes.

        Bjocas

      • Ana Beatriz disse:

        Amanda, pois é, sei que alguns autores pensam que o professor deveria assumir tudo, mas penso que isso só se aplica aos cursos menores ou disciplinas de curta duração. Ano passado eu participei da Jovaed (Jornada da Abed de EaD) oferecendo um curso e convoquei a minha querida Thelma Panerai e todos os meus orientandos para a empreitada. Era um curso curto, mas com muitos participantes. Foi um trabalho em equipe bem interessante e as pessoas gostaram muito do resultado. Se eu assumisse o curso sozinha, tenho certeza de que o resultado não teria sido bom. Isso não tem nada a ver com a minha competência com as ferramentas ou com a mediação, mas com a clareza de que dependendo da proposta, é impossível trabalhar sozinho. Não consigo conceber que o professor sozinho tenha que definir os conteúdos, pesquisar os materiais, preparar as aulas, fazer vídeos, fazer o desenho didático, montar todo o curso, fazer a mediação com todos os alunos e avaliar cada um deles. Só se for o superhomem/mulher maravilha com dedicação exclusiva para um único curso! Como eu já aposentei o meu collant sexy faz tempo, prefiro trabalhar em parceria e conseguir resultados extraordinariamente melhores. 🙂

  11. Amanda Amorim Costa e Silva disse:

    Ótimo texto, teacher! Eu enxergo os AVAs como instrumentos que podem facilitar ou dificultar o trabalho docente e discente, dependendo:

    a) Da concepção pedagógica com a qual o professor trabalha;
    b) Da concepção “tecnopedagógica” embebida na estrutura do ambiente/curso;
    c) Do perfil discente.

    Eu enumeraria ainda outros elementos como a adequação com que os conteúdos são tratados nas mídias de aprendizagem, a coerência entre objetivos de ensino e critérios de avaliação, e o tipo de suporte (técnico e pedagógico) oferecido aos usuários, mas penso que o “a, b, c” acima é suficientemente global para o escopo desse comentário.

    A concepção pedagógica com a qual o professor trabalha precisa encontrar ressonância nas possibilidades técnicas e pedagógicas oferecidas pelo ambiente usado para a estruturação do curso. Assim, quanto mais diversificadas forem as ferramentas disponíveis, maiores são as possibilidades de o professor conseguir um desenho didático apropriado, segundo a perspectiva na qual deseja trabalhar. Essa flexibilidade deve ser estendida também, na minha humilde opinião, às questões da interface (a cara do ambiente). Às vezes o professor quer dar uma “cara” especial ao curso para tirar proveito pedagógico de um pouco de ludicidade, mas as limitações do ambiente podem não contribuir nesse sentido.

    No caso de um ambiente customizado, criado pelo próprio professor/programador, para uma instituição ou programa, as funções disponíveis no ambiente (e a sua cara) podem ser definidas no âmbito do próprio grupo de formadores, mas esses casos são raros. O mais comum é usar uma solução pronta, tipo Moodle, que é, de longe, o AVA mais popular, como citado no texto.

    Os discentes, por sua vez, também devem ser considerados nessa equação, e penso que esse é um dos trabalhos mais difíceis de se fazer em cursos totalmente a distância que ainda não foram ofertados. É difícil ter acesso a parcelas significativas do público-alvo para avaliar seu perfil antes da oferta de um curso, pois é uma operação que consome recursos.

    Depois que o curso está pronto e em andamento, seria possível avaliar o perfil da clientela à distância, mas isso implicaria em retrabalho (e mais custos) para alterar tudo o que já foi produzido. Assim, penso que o discente “real” é o fator menos considerado no processo de elaboração de um curso a distância, e há vários exemplos de cursos que começam sem que os “ofertantes” ao menos saibam quais as condições de acesso à internet do público-alvo, quanto mais questões de ordem subjetiva como o perfil cognitivo ou as representações sociais desse público em relação a EAD ou ao conteúdo da formação. Penso que vale a pena investirmos em mais estudos empíricos sobre as condições dos discentes da EAD.

    Desculpem não citar autores neste comentário (gosto sempre de fazer referências a bons autores), mas penso que a essência da maior parte dessas afirmativas é ponto pacífico na literatura sobre EAD e design instrucional.

    • Cláudia Costa disse:

      Olá a tod@s,
      Faço coro aos desabafos postos, resultantes de inquietações e experiências, ora frustrantes, ora revigorizantes, interessante ver, que em algum momento temos experiências pra comentar. Fui aluna e senti como é importante ter um mediador nesse processo, mas, senti que cabe ao aluno, ser autônomo, por isso, de forma geral, tenho mais pontos positivos que negativos. É obvio que sempre vão existir as ressalvas.
      Em relação à falta de profissionalismo, vamos encontrar tanto no presencial como no virtual. Apesar dos apensares, acredito na EAD, modalidade que faz a diferença e veio pra suprir uma lacuna no tempo e no espaço.
      Até mais

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