Somos Infinitas Possibilidades

Hélio Sassem Paz
 

Muito embora seja professor universitário na área das Ciências Humanas Aplicadas com experiência desde 2002, não tive uma formação teórica baseada nos autores da área da Educação. Portanto, toda a contribuição e toda a crítica serão de um aprendizado ímpar. 😉

Como este blog chama-se Caldeirão de Ideias, decidi compartilhar um conjunto de posições diferentes, mas de uma maneira informal, pois não sou pesquisador especializado em questões filosóficas, sociológicas, antropológicas, psicológicas e administrativas relacionadas à Educação. Apesar da informalidade, há uma clara sistematização didática em torno de alguns eixos que exigem muitas reflexões. Ei-lo! 😉

Caríssimos amigos,

Pra começo de conversa, agradeço imensamente ao querido companheiro de militância online tanto pela causa da Educação como pelos Direitos Humanos e pela Educação, o prof. Robson Garcia Freire, que é o nó de laços mais fortes responsável pela idealização deste Caldeirão das Ideias. Embora eu seja bastante prolixo, acho importante iniciar colocando as minhas referências socioeconômicas e culturais, de onde poderão inferir fraquezas e oportunidades argumentativas, teóricas, metodológicas e ideológicas acerca do meu discurso.

Portanto, decidi dividir essa participação inicial no Caldeirão de Ideias em duas partes. Primeiro, acho importante que vocês conheçam a minha perspectiva geral como educador. No próximo post, entrarei diretamente no cerne da questão.

DE ONDE VIM?

Fui aluno de escola estadual durante o 1º grau e de uma escola privada no 2º. Fui criado em uma família de classe média alta de Porto Alegre por um pai bastante politizado, de personalidade forte e origem humilde, ainda que conservador no seu ponto de vista ideológico. Ele foi o primeiro membro da família a obter um diploma universitário e fez carreira como funcionário público. A minha criação foi privilegiada, mas tive um contato direto com colegas de condições materiais bem menos tranquilas. O fato de ter tido uma professora de História e um pai com um perfil combativo contra a ditadura militar em um período em que a verdade não vinha à tona aliado ao fato de eu ser filho adotivo durante a fase de lactente certamente firmaram o meu pensamento de esquerda. Junte-se a isso o fato de ter feito Comunicação em uma universidade pública, gratuita e de grande qualidade e sempre me vi como um sobrevivente que precisa fazer algo pela maioria da população que, infelizmente, não teve a mesma oportunidade.

DO QUE EU GOSTO?

Em primeiro lugar, gosto de GENTE. Sou geminiano e falante. Não é à toa que meu pai alfabetizou-me aos três anos e que eu adorava ler jornal e ouvir rádio avidamente desde os seis. Na adolescência, joguei muito futebol, pratiquei caratê, natação e andei bastante de bicicleta. Me criei em uma rua com muitos guris. Jogávamos muitos jogos de tabuleiro, como War, Banco Imobiliário e futebol de mesa (botão). Tanto a rua era nosso lugar como frequentávamos muito as casas uns dos outros. Raras casas tinham grades e havia menos prédios do que casas. Tínhamos também um clube muito próximo e barato, nosso ponto de futebol, piscina recreativa, festas, churrascos e paquera. Depois, na adolescência, fiz teatro na escola. Casualmente, na peça de que fui protagonista, na fase adulta do meu papel, fui um professor que liderou uma greve. 🙂 

Adoro viajar. Lugares novos me instigam na busca de experiências sensoriais e no convívio com a realidade local, ao passo que lugares onde já estive inspiram saudade e revigoram porque despertam a memória e resgatam hábitos que considero energizantes, emotivos e que precisam ser vividos mais de uma vez. Ainda não tive capacidade financeira de ir à Europa, ao Oriente, à Índia, à América do Norte ou à América Andina, mas já conheço algumas centenas de cidades brasileiras em 16 estados, além de algumas cidades uruguaias.

Assim como adoro comunicar-me, produzir, compartilhar, aprender e ensinar a partir do binômio conhecimento e informação, também possuo três outras paixões que precisam ser incorporadas de maneira sistemática à minha prática profissional: desde os 10 anos, em 1983, sou completamente vidrado por computadores e videogames. Desde muito antes, por futebol e, acima de tudo, pelo Grêmio. E todas as formas de manifestação artística exploram a nossa multissensorialidade e contribuem para que os nossos lados lógico, analítico e emotivo se exacerbem e operem em conjunto.

TRAJETORIA ACADÊMICA E PROFISSIONAL

No vestibular, passei de primeira, em Jornalismo, na UFRGS, em 1991. No decorrer do curso, solicitei transferência interna para Publicidade. Descobri que precisava explorar um lado mais criativo, técnico e estético voltado ao experimentalismo que a computação gráfica, a fotografia, a ilustração, a tipografia e – sobretudo – a ainda embrionária internet brasileira poderiam me proporcionar. Profissionalmente, durante algum tempo, fui operário (arte-finalista) em algumas agências de publicidade e estive entre os pioneiros regionais como funcionário do departamento de criação em um portal de conteúdo. Trabalhei no Rio de Janeiro, voltei a Porto Alegre e, após alguns trabalhos insatisfatórios para o bolso, para o ego e para a minha continuidade e posterior crescimento, surgiu a oportunidade de ser professor substituto na UFRGS em 2002, nas disciplinas de Comunicação Visual, Projeto Gráfico em Propaganda e Processos de Produção Gráfica. Após o final desse contrato, tive uma breve oportunidade na UNIFRA, em Santa Maria, cidade de origem ferroviária e, hoje, referência universitária encravada no centro do RS, com Introdução ao Web Design. Por uma série de dolorosas constatações, custei bastante a entrar no mestrado. Após cinco tentativas na UFRGS, uma na PUCRS e uma na UNISINOS, finalmente, em 2007, ingressei no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCC/UNISINOS), onde, desde 2010, sou professor em sete disciplinas na graduação em Comunicação Digital, pioneira e única no país. Dentre todas as disciplinas que já ministrei e que atualmente ministro, incluem-se Panorama da Comunicação Digital, Oficina de Software Vetorial, Interfaces 1, Interfaces 2, Arquitetura da informação, Hipertexto, Entretenimento em Hipermídia e Tópicos de Comunicação Digital. Também sou professor coordenador de estágios no núcleo de Comunicação Digital da AGEXCOM (Agência Experimental de Comunicação) da UNISINOS e, muito em breve, irei coordenar uma nova especialização chamada Jornalismo Esportivo Transmídia.

Também tive uma agradabilíssima experiência como coordenador do núcleo de produção e criação em mídias digitais e sociais num projeto de extensão da UNISINOS com a Prefeitura Municipal de Canoas/RS, chamado Agência da Boa Notícia Guajuviras, a fim de ensinar a blogar, postar informações positivas acerca da realidade da sua comunidade no Twitter, no Orkut e no YouTube voltado para jovens de baixíssima renda de uma comunidade de altíssimo risco em uma das regiões mais violentas do estado.

Definitivamente, amo o que faço e procuro me aperfeiçoar em todos os sentidos. A responsabilidade de formar novos profissionais éticos, ágeis, atualizados e com um perfil multidisciplinar é, ao mesmo tempo, uma dádiva que me proporciona conviver simultaneamente com as realidades de jovens cheios de sonhos, pais que não medem sacrifícios para ver os sonhos de seus filhos realizados, a perspectiva de uma sociedade mais próspera e justa e, ao mesmo tempo, estar em contato com professores doutores experientes em pesquisa e também junto a empresas inovadoras.

Vocês verão no próximo texto que as preocupações que trago comigo e que desejo compartilhar em relação ao processo de educação formal em função da capacidade de engajamento de discentes e docentes relacionados à produção/uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) não pode jamais ser visto nem com tecnofilia e tampouco com tecnofobia. Refiro-me tanto às perdas quanto aos ganhos em termos cognitivos a partir da suplementação ou da supressão da memória e de como as associações simbólicas, as problematizações, a autonomia, a criatividade e as relações de causalidade moldam e são moldadas pela ubiquidade das próteses eletrônicas para todos os nossos sentidos.

 Sobre o autor:  Prof. Me. Hélio Sassem Paz – @heliopaz | http://heliopaz.com | @comdig @unisinos | Editor-Adjunto http://comdig.info | Coordenador do Núcleo de Comunicação Digital @agexcom | Coordenador-Adjunto da Especialização em Jornalismo Esportivo Transmídia |http://bitly.com/tNhPU3 | SOMOS INFINITAS POSSIBILIDADES

Um comentário sobre “Somos Infinitas Possibilidades

  1. Suely Aymone disse:

    Oi, Hélio!

    Instigaste minha curiosidade! Tô esperando o próximo texto! 😉

    Andei em teu blog, guiada pelo Sérgio Lima, se não me engano…
    que compartilhou, dia desses, um texto teu sobre a necessidade dos sindicatos buscar novos discursos, novas formas de se relacionar com o “povo”…

    Abs

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