Escola Livre

Olá amigxs

Muito dos debates na rede entre a esquerda livre e os liberais capitalistas versam sobre, cada um dentro de sua ótica, do SER LIVRE e do SENTIDO DE LIBERDADE. Mas para entender o que é liberdade e o que ela representa precisamos defini-las primeiro. Nos anos 70 durante a ditadura o conceito máximo de liberdade era passar a mão na bunda do guarda/polícia e não ser preso.

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A liberdade pode consistir na personificação de ideologias liberais. Faz parte do lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, criado em 1793 para expressar valores defendidos pela Revolução Francesa. A liberdade, antigamente, era vista como resultado de batalhas e de imposição de vontades e justiças.
Imagem: A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix (1830): uma personificação da liberdade.

Dicionário de Significados: “Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de ideias liberais e dos direitos de cada cidadão.”

Wikipédia: “Liberdade, em filosofia, pode ser compreendida sob uma perspectiva que denota a ausência de submissão e de servidão. Ou sob outra perspectiva que é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional.”

Mas a coisa não fica só nisso, pois vários pensadores e filósofos dão a sua opinião sobre o que é liberdade. Gente como Descartes, Espinoza, Leibniz, Schopenhauer, Sartre, Pecotche, Marx, Mikhail Bakunin, Guy Debord, Philip Pettit , Adam Smith dão definições sobre liberdade. Mas ai nesse rolo ainda tem os filhotes dessa liberdade: Liberdade de Expressão, Liberdade Sexual, Liberdade Religiosa, Liberdade de Gênero, Liberdade Econômica e a que eu quero falar que é a LIBERDADE EDUCACIONAL.

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Afinal o que é ser livre na Escola?

Mas vamos primeiro definir como a Escola está inserida no Sistema Educacional Brasileiro: “Por Sistema Escolar Brasileiro pode se entender um conjunto de escolas que possuem a mesma visão de educação e que formam um todo organizado, tendo como foco os mesmos resultados do processo de escolarização. Resumidamente, o sistema escolar é um sistema aberto (que influencia e é influenciado pelo meio) que tem por objetivo proporcionar educação, compreendendo uma rede de escolas e a sua estrutura de sustentação.

Para que pertençam ao Sistema Escolar Brasileiro, as escolas devem localizar-se no território nacional, influenciar e serem influenciadas pela cultura brasileira, falarem a língua nacional, estarem sujeitas a uma mesma legislação e possuírem anos (séries) e grades curriculares equivalentes.

O Sistema Educacional Brasileiro tem nos mostrado que há uma grande diferença entre o que é proposto e a realidade vivida nas escolas, bem como suas metas e objetivos, tendo sua estrutura como resultado de diversas mudanças ocorridas ao longo da História do Brasil.

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O Sistema Educacional Brasileiro quase sempre excluiu e desfavoreceu o povo menos favorecido/pobre, dando o acesso à educação apenas para a elite. Assim, enquanto a elite continha doutores, a população em sua maior parte era analfabeta, pois os cursos superiores eram para poucos e a escola pública recebia recursos mínimos. A coisa vem melhorando mas com a Com a Constituição de 88 e a universalização do ensino público (o pessoal de História da Educação pode fazer um relato mais preciso disso) é que o bagulho começa a mudar mesmo. Mais até a entrada de um governo de esquerda (Lula 2003/2010) é que a ordem das coisas começam a ser efetivamente mudada. Nasce o ProUni, o REUNI, o ENEM, o SISU, o FIES e aí começa a ser universalizado o acesso a universidade (nós não vamos discutir a qualidade, ok?), que a partir daí começa a ser uma realidade para aquele extrato social que durante décadas foi alijada de qualquer meio de acesso justo a educação superior. Vale destacar também o PRONATEC e o Ciência Sem Fronteiras criados durante o governo Dilma Rousseff (2011–2016).

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Mas vamos voltar lá nas escolas. Duas medidas adotadas por esse governo ilegitimo, a reforma do ensino médio e a decisão do STF sobre o ensino religioso nas escolas. Sobre o conceito de Estado Laico que para mim é muito caro e na mesma proporção está a laicalidade da Escola pública. Sobre a reforma do Ensino Médio se jogou mais de 10 anos de discussão setorizada feita com a comunidade escolar e com a comunidade e se fez uma reforma de cima para baixo que já nasce fadada ao fracasso por conta de aplicabilidade. Que o Ensino Médio precisava de uma turbinada, isso ninguém discute. O que se discute é como foi feito e o que foi feito (bem ideologias à parte esse assunto fica pra outro texto).

Mas alguns vão dizer que a liberdade educacional é poder ensinar seu filho em casa (homeschooling), mas apesar de toda coisa já dita da importância da socialização na aprendizagem, como destaca o filósofo e educador Alípio Casali, que diz que a geração que se prepara para o século 21 enfrenta uma grave crise de socialização. Para ele a escola do futuro não pode deixar de lado seu papel de socializar adequadamente, ensinando a cada criança o jogo tenso entre direitos, deveres, ordem e liberdade. Para ele “O convívio é uma experiência estruturante. O conhecimento também se dá por transmissão.”.

Eu sempre tenho uma preocupação que é a de qual tipo de aluno essa escola vai formar.

Eu fiz uma postagem em que levo diversas questões sobre de como seria esse aluno ideal no futuro (mas de qual futuro estamos falando?) AQUI que pode acrescentar bastante a essa discussão.

Estamos falando, falando e ainda não chegamos a um consenso de Escola Livre… Acho que não. Por que?

Justamente porque o conceito de liberdade depende dos olhos de quem olha, e de como se olha para ela.

Paulo Freire disse “A liberdade, que é uma conquista, e não uma doação, exige permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.”, então por isso devemos lutar por um modelo de educação que nos liberte. Que nos ensine e nos faça lutar em comunhão contra os mecanismos de opressão e dominação da sociedade capitalista e por isso devemos debater sobre qual modelo de escola/educação que queremos. Não podemos fugir do debate sério e contestador contra uma modelo de educação bancária.  E ele reforça essa afirmação quando diz que “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.” (FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.)

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Na opinião deste autor, que aqui se expõem de peito aberto, o foco das escolas deve ser o aprendizado e a preparação para o exercício de cidadania, igualdade de gênero, tolerância, conhecimento científico, ética, tecnológica, política, amor e evolução cultural. Tudo isso posto no mesmo espaço/escola melhora significativamente o país, mas precisa ter condições para acontecer. Para que isso realmente passe a funcionar do modo como deveria, o Estado precisa entender a importância da escola e passar a dar-lhe os devidos investimentos – tanto financeiro quanto de ideais e comprometimento e de um processo de valorização contínua daquele que faz essa roda girar e que precisa ser ouvido sempre quando o assunto for educação: O PROFESSOR.

Abraços

Robson Freire

Obs.: Não esqueça de deixar seu comentário ai em baixo para a gente ir debatendo e aprendendo um pouco mais com cada visita. Pode chegar que o dono do espaço adora um papo.

Links Recomendados:

Significados – Conceito de Liberdade

Blog Criando Condições à Liberdade – O Sistema Educacional Brasileiro

O crescimento da liberdade como fim educacional: a relação entre o pensamento reflexivo e a liberdade na obra de John Dewey 

Índice Global de Liberdade Educacional

CGN – Reforma do ensino médio: Que escola? Que formação?, por Derick Casagrande Santiago

SEER/UFRGS – A Liberdade Como Eixo Problematizador

Educação Como Prática da Liberdade – 34ª Ed. 2011 – Saraiva

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