Quando a imagem choca, faz pensar, muda o seu modo de olhar, transforma a si próprio e o mundo ao seu redor.

Olá amigxs

Uma das coisas que sempre mexeram comigo desde muito novo foi as imagens.  Sejam elas fixas ou móveis, elas sempre me impactavam de forma transformadora. Sempre me levavam a pensar. E essa paixão foi crescendo passando dos gibis para os livros, até chegar no cinema. Essa uma paixão que me move e me faz pensar diferente a partir das visões e versões que nela eu me jogo, literalmente de corpo e alma.

A minha opção profissional nessa idade que me encontro foi pelo ensino de história e o uso de imagens, tendo o uso do vídeo (cinema, documentário, Youtube, celular, etc) e todas as suas implicações educacionais e antropológicas dentro de uma perspectiva transmidiática. Eu tenho lido muito sobre isso e selecionado uma quantidade razoável de imagens e vídeos onde eu posso aplicar essas opções teóricas dentro do maior número de disciplinas possíveis. O resultado disso é uma acervo considerável em tamanho e quantidade que já ocupam dois HDs externos.

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Jean Rouch filmando na África

Um desses vetores, a antropologia visual, começa a ser semeado dentro de mim por conta da minha aproximação com o professor José Ribeiro. A minha paixão e admiração pela pessoa e pelo profissional é impossível de ser medida. Nossas conversas e provocações eram fantásticas e me levaram a um mundo que me faltava para unir a história e o cinema.

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Eu e José Ribeiro no Museu da Fundação de Serralves no Porto – Portugal

Dos muitos textos e livros por ele a mim recomendados para enriquecimento da minha formação teórica sobre o tema, destaco o livro (presente dele e da Thelma Panerai) A Verdade de Cada Um da Amir Labaki. Nesse livro tem contribuições de 32 cineastas falando sobre a técnica e sobre o fazer documentário.

No livro tem cada capitulo um melhor do que o outro, sendo quase impossível escolher ou dizer qual é o melhor deles. Mas há algumas passagens que eu gosto muito e que remetem aquilo que pesquiso e tem duas passagens do Luc de Heusch (Cinéma et sciences sociales: panorama du film ethnographique et sociologique, 1962, Paris, Unesco) que gostaria de colocar aqui para reflexão. A primeira diz que:

“Aquilo que as ciências sociais procuram aprender e definir por meio de técnicas complexas poderia ser assimilado pelo cinema?”

E a outra passagem é essa:

“Ao que tudo indica, o contato imediato com o homem, que a câmera estabelece, está destinado a se tornar um dos elementos, importantes da comunicação sociológica.”

A narrativa histórica precisa ser contada de forma de se poder captar a essência desse olhar humano e sociológico sobre a história, e o cinema (através da antropologia visual) tem um gancho poderoso quando se pensa em uma narrativa histórica visual.

Mas não é só o cinema que tem esse poder, as imagens iconográficas (fotos, quadros, cartuns, desenhos rupestres, etc) também tem. Algumas imagens falam e dizem coisas sem precisar de palavras. Mais recentemente tenho acompanhado as produções de três artistas/cartunistas que trazem uma proposta muito interessante sobre como as imagens que chocam nos fazem pensar e acabam por nos levar a transformação. São eles o britânico Banksy,  o inglês Steve Cutts e o argentino Al Margen. Todos eles, cada um dentro do seu estilo e traço, fazem da imagem uma arma que faz pensar.

Banksy é o pseudônimo de um artista (Robert Banks ou Robin Gunningham, ninguém sabe ao certo a identidade dele) pintor de graffiti, pintor de telas, ativista político e diretor de cinema britânico. A sua arte de rua satírica e subversiva combina humor negro e graffiti feito com uma distinta técnica de estêncil. Seus trabalhos de comentários sociais e políticos podem ser encontrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o mundo. O trabalho de Banksy nasceu da cena alternativa de Bristol, e envolveu colaborações com outros artistas e músicos. De acordo com o designer gráfico e autor Tristan Manco, Banksy nasceu em 1974 em Bristol (Inglaterra), onde também foi criado. Filho de um técnico de fotocopiadora, começou como açougueiro mas se envolveu com graffiti durante o grande boom de aerossol em Bristol no fim da década de 1980. Observadores notaram que seu estilo é muito similar a Blek le Rat, que começou a trabalhar com estênceis em 1981 em Paris, e à campanha de graffiti feita pela banda anarco-punk Crass no sistema de metro de Londres no fim da década de 70. Conhecido pelo seu desprezo pelo governo que rotula graffiti como vandalismo, Banksy expõe sua arte em locais públicos como paredes e ruas, e chega a usar objetos para expô-la. Banksy não vende seus trabalhos diretamente, mas sabe-se que leiloeiros de arte tentaram vender alguns de seus graffitis nos locais em que foram feitos e deixaram o problema de como remover o desenho nas mãos dos compradores.

O primeiro filme de Banksy, ‘Exit Through the Gift Shop’, teve sua estreia no Festival de Filmes de Sundance, foi oficialmente lançado no Reino Unido no dia 5 de março de 2010, e em janeiro de 2011 foi nomeado para o Oscar de Melhor Documentário.

Steve Cutts é um ilustrador e animador inglês que, embora já tenha trabalhado para grandes empresas como Coca-Cola, Sony, Toyota, Reebok, e PlayStation. Cutts é reconhecido por algumas das animações de curta duração que produziu. Combinando o uso de softwares como Adobe Flash e After Effects, seus vídeos têm em comum o tom satírico, provocador e polêmico, lidando especialmente com questões ligadas à preservação do meio ambiente e dos direitos animais. Seu vídeo Man, publicado em 21 de dezembro de 2012, já obteve mais de 19 milhões de visualizações. Mas há outros trabalhos (imagens e vídeos) igualmente fantásticos do Cutts que te fazem ficar de queixo caído AQUI no Facebook dele ou AQUI no site dele.

“I like to make animations about life and society in general, so there tends to be a message in most of them. The general insanity of mankind is an almost endless pot of inspiration!”

Al Margen, ilustrador Argentino, pouco se sabe sobre o personagem Al Margen: apenas que esse é um pseudônimo e que ele ou ela é casado/a e vive em Buenos Aires. Cada imagem dele remete a uma reflexão, com sua criatividade incrível, convida a uma reflexão sobre nosso estilo de vida. As imagens sugerem um questionamento, induz você a um pensamento crítico sobre algum tema particular que é sugerido. Padrões sociais, conceitos e valores culturais, dinheiro, poder, consumo, ideologias, etc. Cada ilustração dele fará com que você mergulhe ainda mais fundo no abismo dos pecados humanos, mas, ao mesmo tempo, será impossível desviar o olhar.

Em uma miscelânea de imagens, cada qual sugere um tópico para análise e que Al Margen reflete sobre suas próprias criações (desenhos):

“Eles são filhos do tédio, da não-conformidade ou da raiva. São a representação das ideias descartadas. Eles são o lixo do subconsciente. Mas são mais viscerais e sinceros do que outros desenhos porque não têm obrigação de agradar. Porque eles nasceram apenas por um impulso e nada mais. Porque eles nasceram para irritar porque mostram o imperfeito”.

Então depois desse textão aí, o que eu queria (e eu acho que consegui) foi trazer um pouco do que eu pesquiso, gosto e #recomendo aos amigos professores para que eles possam fazer um “diferente” nas suas aulas.

E você que chegou aqui, gostou do que viu e leu? Falta ou recomenda algum artista (dentro dessa temática) que deixei de citar? Enfim… deixe de bobagem e comenta aí.

Abraços

Robson Freire

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