Realmente precisamos de uma “nova escola”?

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Olá amigxs

Esse texto do Moran foi escrito em 2012, e uma questão que sempre me incomoda é a necessidade da substituição pelo novo modelo, pelo novo professor, pela nova escola, pelo novo gestor, pelo novo aluno como se todos os problemas da educação fosse resolvidos pela simples substituição de um pelo outro. Há outras questões muito maiores envolvidas que merecem muito mais atenção do que a substituição. Uma substituição que é urgente e necessária é a mudança do modelo social do país. Onde ainda guardamos aquelas sequelas colonialistas, patriarcal, escravagistas e um ódio de classe fora do comum. Temos modelos familiares e sociais ainda do inicio do país, um pensamento perpetuado da Lei do Gerson, onde os pequenos delitos são aceitáveis se com isso você “se der bem”, que acabam refletindo na escola.

charge sobre educação

Uma coisa muito mais importante do que a simples troca do quadro a giz pela lousa digital, do caderno pelo computador/tablet são as práticas inovadoras. Uma metodologia educacional aliada a uma prática acolhedora e transformadora tem efeitos muitos mais poderosos do que a simples substituição física, material ou humana de alguns elementos da escola. O fazer diferente é muito mais simples e eficiente do que julgamos atualmente. Queria trazer esse texto e essa reflexão para que possamos pensar realmente em uma mudança que comece em nós e depois se espalhe contagiando a todos.

Abraços e boa reflexão

Robson Freire

Diferenciais de uma nova escola

Por José Manuel Moran

Uma escola é nova quando tem educadores, materiais, atividades e ambientes de aprendizagem – físicos e virtuais – acolhedores, estimulantes e desafiadores para os alunos.

# Profissionais acolhedores: diretores, coordenadores, professores que se preocupam com os alunos, que os conhecem, conversam, interagem. Uma escola é nova quando mantém a mesma equipe unida por bastantes anos, quando se percebe que todos se apóiam e há uma gestão democrática, proativa e empreendedora. Profissionais bem preparados, atualizados, evoluídos. Bem remunerados, escolhidos entre os melhores e que gostam de ser educadores.

# Ambientes acolhedores: aconchegantes, afetivos, equipados. Salas de aula multifuncionais, que se modificam rapidamente para diferentes atividades. Salas de aula conectadas com tecnologias móveis. Escola que equilibra atividades presenciais e virtuais, tecnologias simples e tecnologias digitais, onde se aprende também em casa, no bairro, nas comunidades de prática, nas redes sociais, com ativa participação dos pais.

# Uma escola onde os materiais principais estão disponíveis no ambiente digital e são apreendidos de múltiplas formas, com técnicas diferentes, atrativas, simples e complexas. Escola que estimula múltiplas leituras de múltiplos textos de múltiplas formas: impressos, digitais, multimídia; simples e complexos; com histórias e conceitos; multitextos significativos contextualizados, compartilhados, reinterpretados, co-produzidos presencial e digitalmente, publicados, vivenciados.

 

# Conteúdos articulados a muitos desafios, projetos inovadores, com muita ênfase em pesquisa, compartilhamento, discussão, produção, sínteses, práticas refletidas, colaborativas, com flexibilidade de espaços e tempos, de momentos presenciais e virtuais, com atividades grupais e individuais, com bastante feedback, atenção, cuidado.

# Uma escola que integra o melhor do presencial e do virtual, que trabalha primeiro as atividades através de ambientes e aplicativos digitais e que aprofunda e finaliza cada assunto mais importante na sala de aula, com os professores-orientadores.

# Uma escola em que as aulas com tablets, netbooks e smartphones são focadas, além de temas relevantes, em projetos colaborativos, onde os alunos aprendem juntos, realizam atividades em ritmos e tempos diferentes. Os professores descem do pedestal e desempenham fundamentalmente o papel de orientadores. Saem do centro, do estrado, da lousa para circular, orientando os alunos individualmente e em pequenos grupos nas atividades de pesquisa, análise, apresentação, contextualização e síntese, de forma semi-presencial.

# Uma escola pluralista num mundo complexo, que mostra visões, formas de viver e diferentes possibilidades de realização pessoal, profissional e social, que nos ajudem a evoluir sempre mais na compreensão, vivência e prática cognitiva, emotiva, ética e de liberdade.

Essa nova escola ainda está em construção, mas é urgente nosso envolvimento em concretizá-la, para conseguir atrair as crianças e os jovens, que até agora só conheceram, na educação formal, modelos analógicos, anacrônicos e envelhecidos.

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