Livros – Por que te amo tanto?

Olá amigxs

Hoje estou escrevendo sobre livros e o do porque eu os amo tanto. Amo no sentido literal da coisa mesmo: tenho paixão por eles, gosto de cheirá-los, tocá-los, sinto ciúme deles e o porque de como é difícil demais para mim desapegar de algum deles, mesmo que velhinho e desmontado. Essa resenha começou porque o Facebook me trouxe uma memória, na forma de imagem, de 4 anos atrás e eu comecei a refletir e a pensar sobre isso. Vamos a imagem em questão:

a evolução da leitura

Legal, né? Se não me engano eu vi essa imagem primeiro no Facebook do meu amigo e mestre Jarbas Novelino, dono do #recomendadíssimo blog Boteco Escola, e a coloquei nas minha redes e agora o Facebook me lembra dela. O primeiro destaque que faço sobre a imagem é que ela é bem legal, pois traz essa evolução dos veículos de leitura/formas de leitura passando dos livros de pedra até os e-reader atuais (Kindle, Kobo e Lev). E quando se vê essa imagem sempre vem aquela clássica treta: Livro de Papel é melhor que Livro Digital?

sem-papel

Diferenças a parte eu usufruo do melhor dos dois mundos. Como? Na minha opinião nada supera o livro de papel. Nada mesmo. O peso na mão, o manuseio dele durante a leitura, o cheiro, o toque e a textura das folhas nas pontas dos dedos são inigualáveis. Já o livro digital, se você vai viajar pode levar um zilhão de livros para ler sem problema algum (basta não esquecer o carregador, né?) sem pesar na mochila, fazer anotações neles sem danificar os livros, a proposta sustentável dos livros digital também é bem legal. O certo é que nessa treta não tem vencedor, pois cada lado tem sua referência e vai sempre defendê-las com unhas, dentes e livros.

Mas o ponto que eu quero destacar aqui é sobre o ATO DE LER. Esse é o ponto que eu quero tratar daqui em diante nesse texto. Esse é um ponto em que qualquer discussão passa por Paulo Freire. O livro dele A importância do ato de ler: em três artigos que se completam (a minha edição é de 1989), que foi apresentado na abertura do Congresso Brasileiro de Leitura, realizado em Campinas, em novembro de 1981, e lá na página 9 está o texto que dá nome ao livro. Eu sempre retorno a leitura desse texto/livro diversas vezes toda as vezes que eu quero falar/escrever sobre leitura e o ato de ler. Logo no inicio do texto ele faz uma referência sobre a importância desse ato e de como ele foi construído nele. Esse trecho quase que define o texto todo, que tem outras passagens igualmente maravilhosas nele:

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Gente eu já li esse texto zilhões de vezes e a cada leitura ele é cada vez mais significativo da importância da leitura e do ato de ler. Primeiro o resgate memorável da importância da sua formação como ser humano, como elemento do mundo mesmo, e de como todas suas experiências de vida contribuíram para o seu processo de formação intelectual e literário. E falar, entre muitos outros pontos do texto, do problema da leitura e da escrita. Não da leitura de palavras e de sua escrita em si próprias, como se lê-las e escrevê-las, não implicasse uma outra leitura da realidade mesma, para aclarar o que chama de prática e compreensão crítica da alfabetização, onde a leitura do seu mundo é sempre fundamental para a compreensão da importância do ato de ler, de escrever ou de reescrevê-lo, e transformá-lo através de uma prática consciente.

Ou seja segundo Paulo Freire (2006, p.9), “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” e a atividade da leitura não corresponde a interpretação de símbolos, apenas. Mas sim saber tecer relações e compreender o que se lê. “A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.” (FREIRE, 2006, p.11).

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Eu particularmente gosto demais do enfoque político que Paulo Freire dá á todo processo educativo. Do ponto de vista crítico dele é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, mais percebemos a impossibilidade de separar a educação da política e do poder. A relação entre a educação enquanto subsistema e o sistema maior são relações dinâmicas contraditórias. As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo, penetram a intimidade das instituições pedagógica em que a educação sistemática se está dando e alterando o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante. O que temos de fazer então, enquanto educadoras ou educadores, é aclarar assumindo a nossa opção que é política, e ser coerentes com ela na prática.

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A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso. Quem apenas fala e jamais ouve; quem “imobiliza” o conhecimento e o transfere a estudantes, quem ouve o eco, apenas de suas próprias palavras, quem considera petulância a classe trabalhadora reivindicar seus direitos, não tem realmente nada que ver com a libertação nem democracia.

Pelo contrário, quem assim atua e assim pensa, consciente ou inconsciente, ajuda a preservação das estruturas autoritárias. Só educadoras e educadores autoritários negam a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educado pelos educandos. Uma visão da educação é na intimidade das consciências, movida pela bondade dos corações, que o mundo se refaz. É, já que a educação modela as almas e recria corações ela é a alavanca das mudanças sociais. Se antes a transformação social era entendida de forma simplista, fazendo-se com a mudança, primeiro das consciências, como se fosse a consciência de fato, a transformadora do real, agora a transformação social é percebida como um processo histórico.

Uma outra parte do texto que gosto muito é quando ele critica a importância que muitos dão peso literário de obra grandes, pesadas e cheias de páginas. Ele fala que contrapondo a isso hoje no entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, “As teses sobre Feuerbach, de Marx, tem apenas duas páginas e meia..”. E os micro contos estão aí para provar essa tese dele.

Outro ponto que eu quero destacar aqui no finalzinho desse texto é com relação a “oferta” e o “exemplo”. Sobre a “oferta”, recentemente uma amiga falou assim: “Olha, quando uma criança pede um livro, não importa o preço, a quantidade de dinheiro que você tenha o tamanho do sacrifício que será preciso fazer para comprá-lo, você deve compra o livro e nunca negar um livro a uma criança!” Noves fora por conta do exagero, a premissa é correta. Livros devem estar ao alcance de qualquer criança. Sejam em bibliotecas, particulares, escolares e populares, sejam nos preços baratos dos livros e principalmente em casa. Como diz Fernando CantoO princípio da liberdade está em democratizar o acesso ao ato de ler.”. E nada mais triste ou emblemático que essa imagem aqui para falar sobre acesso e democratização da leitura:

Vale ressaltar que há inúmeras iniciativas de incentivo a leitura e uma das que mais curto, e apoio, é o projeto Pé de Livro aqui no Parque Linear Parahyba em João Pessoa. A criadora do projeto é a Maria dos Mares, coloca livros pendurados nas árvores para quem quiser pegar e ler/levar tornando o acesso aos livros mais democrático. Eu conto isso AQUI nessa postagem intitulada A Praça é Nossa, Literalmente.

Agora sobre o “exemplo” quero citar aqui a contribuição da família no ato de ler. Aqui uma contribuição de Bamberger (1995, p. 71), que vai ilustrar perfeitamente o que digo:

A prontidão para a leitura é determinada, em grande parte, pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança”.

A partir disso, é notável como a influência no processo do ensino da leitura é importante e imprescindível para tornar o aluno um leitor ativo. A família é a peça fundamental para desenvolver um bom leitor, pois a influência de alguém no gosto pela leitura, propiciando à criança o contato com livros de histórias e materiais diversos que a estimulam a ler desde as imagens até chegar às palavras. As contações de histórias também contribuem significativamente para a formação de leitores, que se inicia desde os primeiros contatos da criança com o mundo. Outro autor que gostaria de trazer é o Perez (1993, p. 92), “A criança, desde muito pequena, demonstra um interesse especial pelo ouvir e pelo contar histórias. A história faz parte do seu universo simbólico. Através da história, ela identifica modelos e papéis que a auxiliam em sua relação com o mundo”. Diante disso, tanto a família como os professores que trabalham com as crianças das turmas pequenas, necessitam de um repertório de histórias que as encante para que através delas as crianças desenvolvam consequentemente o hábito de ler por toda a sua trajetória escolar e vida profissional. Acredita-se, portanto, que as crianças que são estimuladas desde pequenas e tenham contato com livros ou pessoas no ambiente que realizem leituras com certa frequência tendem a desenvolver o hábito pela leitura.

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Vale ressaltar por último (prometo) a importância do papel da escola dentro disso tudo. A Nauzanir Santana Menezes Teles, no seu texto Discutindo sobre a problemática da leitura nas escolas cita o Cagliari (1997, p. 148), “A leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. A leitura é uma herança maior do que qualquer diploma”.

Dessa forma, a leitura precisa ser vista como uma atividade que envolve o leitor e o autor mediado pelo texto; a partir disso, percebe-se a necessidade de o professor, ao desenvolver o processo de leitura em sala de aula, levar em consideração o aluno e as suas leituras incluindo a vivência de cada um como também a sua bagagem de conhecimento. “Partindo desse ponto chegamos a conclusão que, a escola não mais pode vir trabalhando o ato de ler como simplesmente uma atividade repetitiva, mas, sim, introduzir gradativamente o ensino da leitura na perspectiva de formar sujeitos leitores críticos e que também compreendam o que leem.”. Paulo Freire lembra isso no livro quando diz que “Algumas vezes cheguei mesmo a ler, em relações bibliográficas, indicações em torno de que páginas deste ou daquele capítulo de tal ou qual livro deveriam ser lidas: “Da página 15 à 37”.

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Resumindo resumidamente o bagulho é que ler é um ato necessário para o homem e ao mesmo tempo, ele nos esclarece que a leitura da palavra é precedida da leitura do mundo e também enfatiza a importância crítica da leitura na alfabetização, colocando o papel do educador dentro de uma educação, onde o seu fazer deve ser vivenciado, dentro de uma prática concreta de libertação e construção da história, inserindo o alfabetizando num processo criador, de que ele é também um sujeito. Quero deixar registrado que não sou um especialista no assunto, pois a pessoas muito mais qualificadas do que nesse debate, mas que aqui deixo registrado toda a minha afeição/paixão/amor pelos livros, pela leitura e na disseminação da importância do ato de ler.

Antes de terminar quero deixar aqui uma recomendação de leitura, além das que estão já linkadas no texto e nas referências ai em baixo,  que é o texto/contribuição da Thaiza Silva fez lá no blog Conversa de Português (que é sempre uma das minhas indicações obrigatórias nas redes), Andréa Motta, intitulado “A importância do ato de ler“. Vale a leitura.

Abraços literários apaixonados

Robson Freire

Obs.: Aqui estão os links das imagens e das referências do texto utilizadas:

http://www.sul-sc.com.br/afolha/monografia/resenha_ato_ler.htm

http://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/ato-ler.htm

https://www.blogderocha.com.br/a-importancia-do-ato-de-ler-fernando-canto/

http://conversadeportugues.com.br/2014/10/importancia-ato-de-ler/

https://crechemundoecologico.com.br/noticia/atividades-ludicas-para-exercitar-a-criatividade/

http://oficinaborboletas.blogspot.com.br/2012/06/o-que-e-ler.html

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2017/07/26/o-massacre-dos-inocentes/

https://amenteemaravilhosa.com.br/deite-filhos-lendo-livro-nao-vendo-televisao/

https://claudia.abril.com.br/sua-vida/como-o-habito-de-leitura-fortalece-o-vinculo-entre-pais-e-filhos/

http://www.novopost.com.br/dicas-para-seu-filho-gostar-de-ler/

http://www.construirnoticias.com.br/discutindo-sobre-a-problematica-da-leitura-nas-escolas/

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.

CAGLIARI, Luiz C. Alfabetização e linguística. 10. ed. São Paulo: Scipione, 1997.

KATO, Mary. O aprendizado da leitura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2003.

MILANI, Aloísio. In: Revista Educação. São Paulo: set., ano 9, n. 101, set. de 2005. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – Terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental: Língua Portuguesa – Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC – SEF, 1998.

PEREZ, Carmem Lúcia Vidal. Com lápis de cor e varinha de condão… Um processo de aprendizagem da leitura e da escrita. In: GARCIA, Regina Leite (Org.). Revisitando a pré escola. São Paulo: Cortez. 1993.

TV ESCOLA. Brasília: Agosto e setembro, n. 24, agosto e setembro de 2001.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. A produção da leitura na escola. 2. ed. São Paulo: Ática, 2000.

SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. Trad. Daise Batista. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Trad. Cláudia Schilling. 6. ed. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

Freire, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988. 80 p. AQUI e AQUI

 

 

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