Da Idade do Bis Lascado – Onde Começa a Minha História com a Tecnologia

Olá amigxs

Eu brinco sempre com as pessoas dizendo que sou da Idade do Bit Lascado, quando o assunto é informática. Na página do Facebook da associação dos antigos funcionários do CPDERJ, alguém postou uma foto do poderoso UNIVAC U-9400 (acreditem ou não existe um desses ainda em funcionamento em um museu na Alemanha), onde junto com um IBM 360 e um IBM 370 e que eu aprendi a ser operador de computador, me veio a cabeça toda a minha trajetória na área da tecnologia, e por esse motivo eu resolvi contar aqui a vocês como tudo isso começou. Comecei na área de tecnologia bem lá atrás… tipo

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Era o ano de 1978 e eu ainda guri ia junto com minha mãe trabalhar na antiga Fundação CPDERJ – Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro, que funcionava ali bem em frente a Rodoviária de Niterói. Uma das primeiras coisas que aprendi foi a operar antiga perfuradora IBM 029. Eu ficava ali sentadinho mexendo nela e ia aprendendo a prender o cartão de programação da perfuradora (os famosos cartões controle) no tambor e a iniciar a técnica da digitação. Depois anos mais tarde fui fazer o curso de Operador de Data Entry no antigo Liceu de Artes e Oficios ali na Praça Onze no Rio de Janeiro.

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Agora pensa num trem barulhento? Por se um equipamento eletromecânico ela fazia um barulho danado. Agora imagina 30 dessas trabalhando ao mesmo tempo? Era assim o setor de digitação da CPDERJ. Achei algumas fotos da perfuradora na internet. Não sabe do que estou falando então olha aí em baixo.

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Perfuradora de cartões IBM 029

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Foto do cilindro de programação da IBM-029

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Cartão de 80 colunas

A perfuradora de cartões IBM 029 tinha um teclado, um depósito de cartões em branco e uma câmara de perfuração do cartão. Se um cartão precisasse ser duplicado, em parte ou totalmente, ele era colocado na câmara da matriz e um novo cartão era perfurado na câmara correspondente. O cartão IBM possuía 80 colunas e 12 alturas (níveis). Em cada coluna só pode ser representado um símbolo (letra, dígito ou caractere especial). Os cartões perfurados eram usados para armazenar dados de forma permanente. Por último, a IBM 029 aceitava um tipo de “programação” (quem se lembra do EBCDIC – Extensão Binário Decimal Codificado Código Interchange?) , feita em um cartão perfurado que era colocado num cilindro. Isto permitia, por exemplo, todo cartão tivesse perfurado o seu nome, automaticamente, sem necessidade de uso do teclado. Em última instância, podia se preparar automaticamente um conjunto de cartões exatamente iguais, o que era feito frequentemente para a perfuração dos cartões de controle. Tá pensando que era ligar o computador e sair usando? Sabe nada inocente. Para se chegar no padrão atual muita gente, inclusive esse que aqui escreve, ralou muito madrugadas adentro para fazer essa história ser o que é hoje. Como era que o trem funcionava, se eu digitava em cartão como isso virava informação? Tinha uma maquina leitora de cartões. What? Sim, a leitura dos cartões perfurados com os programas codificados e/ou a massa de dados era através da máquina da IBM 1442 Card Read Punch. Olha só como era essa bicha, que podia ler até 400 cartões por minuto.

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IBM 1442 Card Read Punch

Eu trabalhava no setor de digitação e via os colegas na sala da operação mexendo naquelas máquinas enormes e todos eles com ares de astronautas lá dentro e eu olhava pelo vidro da porta e pensava: Eu quero aprender a fazer isso. Então eu conversei com meu chefe da época, Sérgio Orelhinha, e pedi para me indicar para o programa de treinamento que havia. Fui informado por ele que não havia vaga disponível para ser operador, pois não havia previsão de mudança na equipe de operadores e por isso o programa estava fechado. Eu desisti? Que nada… Fiz amizade com o chefe da operação e pedi para ficar ajudando e ir aprendendo, pois eu queria muito aprender a ser operador e que podia pintar uma chance fora do PRODERJ. Então eu trabalhava na digitação de sete horas da noite até uma hora da manhã e depois ficava no treinamento de uma hora da manhã até as sete horas da manhã. Puxado? Que nada…. eu amava aquilo.  Foi aí que eu conheci o UNIVAC U-9400. Fui amor a primeira vista… Terminal de vídeo? Não existia. Era uma maquina de telex que registrava os comandos dados e as respostas do sistema solicitando intervenções dos operadores. Arcaico para os padrões atuais, mais extremamente modernos para o contexto histórico delas.

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Essa é a parte que realmente me faz sentir velho, eu realmente trabalhei em algo que agora está em um museu, ufa! 

Essa máquina ai era um “sistema de computador orientado a fitas e discos flexíveis, com multiprogramação, recursos em tempo real e possibilidades versáteis para telecomunicação de dados”.  O console com o teclado não era o controle principal do computador, como fazemos agora com o teclado e o mouse. O operador usaria todos esses interruptores para engatar coisas diferentes. Ele caminhava até as unidades de fita mostradas e carregava uma fita em uma das unidades, depois voltava e girava alguns interruptores no painel frontal, e a unidade de fita disparava para carregar os dados. O Console então começaria a digitar – lentamente como uma máquina de teletipo -. Era uma máquina de escrever melhorada com uma esfera de tipos mais ou menos como as da máquina de escrever elétrica.

O operador era um sujeito muito ocupado correndo e alimentando os periféricos com dados. Ele teria prateleiras de 9 fitas de trilha que ele tinha que escolher e escolher. As unidades de disco eram caixas de plástico de monstro com 9-16 pratos de metal que tinham que ser carregados na unidade de disco. E essa impressora poderia imprimir uma caixa de papel em 5 minutos em alguns trabalhos. Também a entrada principal era de cartões perfurados, Toda a informação nova deve ser carregada pela caixa cheio no leitor de cartão e transferiu à fita e Unidades de Disco. Um operador passaria por quase um palete cheio de cartões em um turno. A sala em si tinha um piso elevado e, embaixo, havia literalmente quilômetros de cabo para alimentar todas as luzes famintas por energia e os motores de serviço pesado que estavam em uso. A maioria das instalações precisava ter alimentações de energia especiais no prédio de escritórios do computador. O sala da operação, assim como a da digitação,  o ar-condicionado era no nível de temperatura de Toronto no inverno. Dava para fazer desfilie de pinguim na sala de tão frio que era. No verão fugir do clima quente e húmido do verão  era legal estar lá, mas no inverno era um pesadelo. Toca, casaco e luvas faziam parte do “uniforme dos operadores”. Eu estava constantemente lutando contra um resfriado, pois esse entra e sai do frio para o calor, não tinha saúde que aguentava.

Foi ali que eu comecei a ter ideia do processo todo. Foi ali que eu fiz a pergunta: Mas é o programa para fazer isso funcionar? A programação usada para fazer o computador ler/interpretar/fazer o que se pedia era feito em Job Control Language (JCL) que era escrito em formulário de codificação de jobs, digitado em cartões, lidos pela leitora de cartões e só aí executados pelo computador via linguagem de programação FORTRAN, ALGOL, PASCAL, depois em Flow-Matic, COBOL e ADA (sim é uma referência/homenagem a Ada Lovelace). Os programas eram (Perfurados) em cartões de 80 colunas e alguns eram gigantescos e se houvesse alguma alteração no programa, os cartões comandos eram alterados e o código-fonte era gravado. Para executá-lo, os operadores de sistema utilizavam os cartões “// job stream”, que agregavam uma série de programas relacionados que eram executados em uma ordem prescrita. A seguir um exemplo aproximado de um “Job Stream”:Aí em baixo um formlário e uma amostra de JCL para ilustrar o que eu estou falando.

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Formulário de codificação de job´s

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// job stream em JCL

Ali eu descobri o que era Processamento em Lote ou em Batch Processing. Isso tudo aí em cima só para dar entrada nos dados que seriam processados no poderoso mainframe do CPD e depois impressos em impressoras numa IBM-1132, que imprimia 80 linhas de 120 caracteres por minuto, que depois foram substituídas pelas poderosas impressoras IBM 1403, que imprimia 600 linhas de 132 caracteres por minuto e usava formulário contínuo, onde mostra a foto abaixo com remalinas e com as folhas separadas por picotes.., onde saiam os relatórios de compensação dos cheques do antigo BEG (Banco do Estado da Guanabara), e do BERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) impostos estaduais e municipais e diversos servições que o CPDERJ fazia para órgãos do estado e de muitos municípios do Estado do Rio de janeiro. Foi quando apareceu a chance de ir trabalhar no setor da operação de madrugada e que minha relação com a informática fica cada vez mais técnica.

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Impressora IBM-1132

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Impressora IBM-1403

Então surge a necessidade de aprender mais e mais… Então foi aprendendo a programar em JCL que veio a curiosidade de aprender a programar, então eu  parti pra luta e fui aprender as linguagens que o meu nível de compreensão era capaz de absorver. Aprendi Pascal, Fortran, Cobol JCL e fui mexendo com C. Depois começo a mexer também com computadores Cobra do Brasil (linha 500 / 530) e depois uso outro modelo que foi muito popular no Brasil nos anos 1980 foi o COBRA 210, fabricado a partir de 1983 com um processador Z80, compatível com 8080 e dois drives para disquetes de 8 polegadas.

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Foi aí quando começo a mexer com redes, protocolos de comunicação de redes (Systems Network Architecture (SNA)), fazer programas de em BASIC, aprender o protocolo TCP/IP, conexões discadas e dedicadas, começar a usar o MOSAIC/Netscape e foi aí que começa a minha caminhada para ser Técnico de Suporte, Computação e Processamento. Sou o primeiro colocado no curso de Micro Computadores (estamos falando de micros XT) feito no Estado do Rio de Janeiro e a partir daí começo a trabalhar em projetos de descentralização do Governo/PRODERJ.

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Aí eu vou trabalhar no projeto de descentralização da Secretaria de Administração do Estado do Rio de Janeiro para montar e interligar os postos de atendimento no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro (13 municípios). Então depois de quase 2 anos e já quase no fim do projeto da Administração, sou convidado para participar de um projeto que estava começando do governo federal chamado PROINFO, que ia colocar laboratórios de informatica e internet nas escolas públicas. Bem o resto é história de como eu chego na educação via Núcleo de Tecnologia Educacional de Itaperuna – NTE Itaperuna, me descubro professor, começo o 1º blog Caldeirão de Ideias e sigo nisso até hoje nessa estrada, apesar de já estar aposentado.

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Bem foi assim o começo da minha história na informática. Conta a sua aí em baixo para outras pessoas poderem ver como foi que se construiu a história da informática educativa, por quem realmente estava lá fazendo história.

Abraços binários a todos

Robson Freire

 

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