#saraunarede

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Olá amigos

Às vezes as melhores coisas da vida vem do inesperado, do improviso… E a rede tem isso de muito legal que é o poder de transformar uma inquietação, um insight ou uma simples provocação em um movimento espontâneo, em uma coisa completamente viral.

Mas deixa eu fazer um apanhado histórico de como tudo começou… A professora Fátima Franco criou uma lista de blogs educativos em 22 de fevereiro de 2005 lá no Yahoo e dessa história rendeu uma revista eletrônica chamada Revista Tecnologias na Educação, que já está no 11º número, publicando artigos e relatos de professores e educadores do Brasil todo e de Portugal também (e indexada pela CAPES). Se ainda não conhece, clique AQUI, um 1º Congresso de Tecnologias na Educação totalmente online em 2008 (eu disse em 2008), rolou até amigo oculto e como não podia deixar de ser num espaço de interação de pessoas totalmente diversas e vaidades teve tretas também. A Fátima Franco conta um pouco dessa história AQUI. Aí nessa hora eu já dominando as carrapetas do primeiro Caldeirão de Ideias no longínquo ano de 2006, mais especificamente no mês 11 e iniciando, aprendendo mesmo fazendo o trem na unha mesmo (será essa expressão tipo uma pré história da cultura market?), aí eu entro nessa lista e lá o meu mundo se transforma. Conheço pessoas que fizeram o Caldeirão de Ideias ser o que é, e que tiveram papel importante na minha vida profissional e pessoal (uma dessas transformações pessoais acabou em casamento, mas isso é uma história que fica pra depois).

seloComunidade

A gente tinha até selinho do grupo de Blogs Educativos. O selo foi criação Ana Laura Gomes

Pessoas como a própria Fátima Franco, Jenny Horta, Suzana Gutierrez, Sérgio Lima, Frederico Guimarães (Aracnus), Ana Beatriz, Tati Martins, Andréa Motta, José Roig, Elis Zampieri, Jaqueline Franco, Josete Zimmer, Franz Kreuther Pereira, Renata Aquino, Débora Sebrian, Teresinha Motter, Marli Fiorentin, Teresa Pombo, Sintian Schimidt, Semíramis Alencar, Sinara Duarte, Andréa Toledo, Marise Brandão, Thaiza Montine, Gladys Leal, Cris Passinato, Suely Aymone, Miriam Salles, Denise Vilardo, Cybele Meyer, Lilian Starobinas (que me recebeu e abraçou quando fui a SP na minha primeira Campus Party), Vanessa Nogueira, Fátima Campilho, Egui Branco e tantos outros que se eu continuar a nomear um a um a lista ficará imensa, mais que TODOS eles foram igualmente importantes nessa minha trajetória.

E uma das coisas mais legais que rolavam na lista eram as provocações que se transformavam em uma blogagem coletiva. Era cada contribuição, mais cada contribuição que era impossível escolher uma como a melhor. Bem…

Então é que passados alguns anos, desde a “morte dos blogs” (essa é minha provocação) que a Tati Martins traz uma inquietação pessoal sobre o uso e a apropriação do vídeo pelos professores. Esse papo começa lá no Facebook e termina com uma postagem convocatória já com um time de professores blogueiros que também tem a mesma inquietação. Daí surge a ideia da hastag (créditos para o Sérgio Lima) e fica acordado o seguinte como regras para participação do #saraunarede:

“Proposta: cada um vai gravar um vídeo caseiro (sem preocupação com edição) lendo um texto literário de sua escolha. As publicações serão feitas nos nossos diversos espaços virtuais: blogs pessoais, Facebook, Google+, Instagram etc. com a hashtag #saraunarede .”

Eu pesquiso sobre o uso do cinema, de documentários e de qualquer produção audiovisual na educação (mais especificamente no ensino de História). Tenho tentado encaixar nessa premissa inicial o uso de tecnologias móveis e cloud dentro desse contexto. É por isso que esse #saraunarede veio a calhar, pois como eu ouvi a professora Gláucia Brito da UFPR e do Grupo de Pesquisa #geppete e o Marlon Mateus do SEEDLAB (site aqui e página do Facebook aqui) falarem ontem na UFPE a seguinte frase: “a gente sempre escuta o professor no que ele quer”. Isso está zoando nessa velha cachola grisalha desde então.

O que nós professores temos a “falar/dizer” disso? Como estamos utilizando aquilo que nossos alunos respiram? Que tipo de apropriação estamos fazendo dessa tecnologia? Como é estar na vidraça. completamente nu e exposto a críticas? Tentar e estar sujeito a  errar ou se omitir?

Estou cheio de perguntas fervilhando na minha cabeça, mas vamos dar um passo de cada vez… Como todo bom guerreiro que não foge a luta aderi ao chamado feito.

Gravei um vídeo feito com um celular Moto G5 Plus, feito com um tripé, numa tomada/take só e sem edição nenhuma. Pois o objetivo é entender como nos comportamos diante da câmera, olhando pra ela e falando algo. Coisas como é minha voz no vídeo? Quais são meus vícios de linguagem? E as minhas expressões corporais (o que é aquela mão que não para quieta)? Além disso tem as questões totalmente técnicas da própria ferramenta (iluminação, som, enquadramento, plano utilizado, etc…)

Para minha contribuição escolhi uma música do Chico César chamada Estado de Poesia. Eu gosto de como a música e a poesia se misturam criando rimas e ritmos que embalam e dão um significado tão diferente ao conceito de poesia.

Estado de Poesia
Chico César

Para viver em estado de poesia
Me entranharia nestes sertões de você
Para deixar a vida que eu vivia
De cigania antes de te conhecer

De enganos livres que eu tinha porque queria
Por não saber que mais dia menos dia
Eu todo me encantaria pelo todo do teu ser

Pra misturar meia noite meio dia
E enfim saber que cantaria a cantoria
Que há tanto tempo queria
A canção do bem querer

É belo vês o amor sem anestesia
Dói de bom, arde de doce
Queima, acalma
Mata, cria

Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria

Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora

É o estado de poesia

Acompanhem a hastag #saraunarde nas plataformas (Youtube, Twitter, Facebook, Instagram e nos Blogues dos professores participantes listados abaixo:

Quem já está envolvido na história:

Tatiane, do meu blog tatiandoavida.com

Sergio Lima, do blog Sergio Blog 2.5

José Antonio Klaes Roig, do blog Educa Tube Brasil

Suely Aymone, do blog Ufa! Bloguei!

Marli Fiorentin, do blog Blogosfera M@rli

Jenny Horta, do blog Aprendizagem Digital

Robson Garcia Freire, do blog Caldeirão de Ideias

Elis Zampieri

Lilian Starobinas, do blog Discurso Citado

E aí, você também quer entrar nesta festa?

Participe do nosso Sarau Virtual!

É hoje dia 05 de dezembro – #saraunarede

 

22 comentários sobre “#saraunarede

  1. liliansta disse:

    Ê Robson, demorei, mas vim comentar!
    A gente fica tão fora de forma que até achar o espaço de comentários foi difícil!
    Nossa fase de blogagem constante foi tão rica, blogar nos dá mais espaço de expressão e mais tempo de circulação que a efemeridade das ferramentas posteriores, tipo Facebook e Twitter.
    Arrisco uma hipótese: a difusão de Ipads e da conexão pelo celular acelerou muito as interações na Rede, e atropelaram a vida blogueira. Confere?
    Muito bom saber de todos vocês e estar novamente em contato! Educadores na rede põem pra circular coisas incríveis da produção cultural da humanidade, agregam seus olhares, instigam reflexões! Tem coisa mais necessária hoje em dia do que isso?
    Tamos aí!
    Abraço!

    • Robson Freire disse:

      Lilian que delícia foi reconetar todos e tantas emoções vividas individualmente e coletivamente por causa dos blogs. O seu palpite está certo, sim. É essa efemeridade atual da rede e de suas ferramentas e apps que acelerou as interações, mas destruiu o que de mais fundamental ela tem por essência: a reflexão. E quem mais poderia resgatar isso senão um bando de professores blogueiros? Sempre digo aos amigos que nos somos educadores da ponte entre essa efervescência e a reflexão. Somos o ponto que equilíbrio necessário para qualquer coisa na vida. E a paixão por livros, literatura, prosa e poesia nos uniu de uma maneira muitoooooooooo legal de se expressar.

      Agora não cabe aqui, em espaço, a quantidade de saudades de tenho das conversas contigo e com o grupo.

      Que onde estivermos, que essa chama nunca se apague dentro de nós.

      Volte sempre, agora que já sabes o caminho, para bater um papo. Mil beijos e abraços para ti querida amiga.

  2. Robson Freire disse:

    Querida amiga Marli. Que delícia foi poder reencontrar os amigos e principalmente ver que essa chama ainda arde dentro de cada um de nós. O sentimento de pertencimento ao universo dos blogs é algo que não morrerá com a nossa passagem. A nossa narrativa ficará para além das estrelas… Serão eternas. Somos imortais pelas nossas palavras e pensamentos. Somos um todo que tem uma força muitoooooooooo grande. Que nossa voz ainda ecoe dentro da vida de tantos amigos.

    Obrigada mesmo pela visita e pelo carinhoso comentário.

  3. Marli Fiorentin disse:

    Olá Robson. Posso dizer que minha vida se divide entre antes e depois dos blogs. O abandono em que eles ficaram foi triste. Sempre sinto falta dos encontros, das conversações que eles proporcionavam , sempre possíveis de resgatar. Que bom que estamos todos com o mesmo sentimento nostálgico! Quem sabe nos damos de presente um retorno aos nossos cantinhos preferidos. Abraço!

  4. Vanessa Vieira disse:

    Olá Robson!!! Gratas lembranças deste grupo. Na época eu era bem quietinha, mas acompanhei boa parte dessa história. No amigo secreto eu também participei. Sem dúvida foi um grupo muito importante na minha vida. Hoje relembrar alguns nomes e reencontrar outros me faz refletir sobre muitas coisas.Obrigada pela oportunidade! =D

    Vida longa ao #saraunarede

      • Vanessa Vieira disse:

        Pois é, eu ficava quietinha porque estava no comecinho do magistério. Ficava insegura. Mas em compensação hoje falo pelos cotovelos. kkkk =) Outra coisa boa que a tecnologia me proporcionou!

    • Robson Freire disse:

      Que bom que podemos ter a oportunidade de reviver e revisar fatos e sentimentos e que delícia é poder juntar a isso amigos e poesia, literatura, música numa ação coletiva espontânea. A rede pode, e deve, aproximar/reagrupar objetivos e sentimentos na busca de um bem comum ou de uma ideia/ideal. Basta começar. A felicidade de receber você aqui no Caldeirão de Ideias é muito importante para mim. Seja bem vinda e volte sempre que quiser. Aqui o dono adora conversar.

      • Vanessa Vieira disse:

        Bom demais!!! Muito grata pela recepção! já estou curtindo demais teu espaço e com certeza retornarei mais vezes! Simbora ConVersa!!!!

    • Robson Freire disse:

      Poxa Suzana, que maravilha te reencontrar por aqui!!! Foi uma delícia recuperar essas memórias. Inclusive as tretas quentes que rolavam, mas isso ficou no passado. Um dado que eu recuperei, mas não coloquei lá foi que uma dessas provocações que virou uma blogagem coletiva, acabou na sua tese de doutorado. Que aliás eu reli a pouco tempo atrás para buscar umas referências pra um trabalho que estava envolvido. Precisamos das suas considerações, da sua participação e do seu sorriso. As coisas vão e voltam, mas tem coisas que não há o que ocupe o lugar deixado por elas. E tu é uma das coisas. Muito obrigado pela visita, pela alegria de rever você e pelo comentário. Volte sempre e logo.

    • Sérgio Lima disse:

      Legal Su, aproveita a nostalgia e grava algo 🙂 Pode ser só áudio se você não curte ficar na frente das câmeras 🙂

      Não pude deixar de lembra… Onde anda Su 🙂

  5. Tatiane Martins disse:

    Nossa!!! É exatamente isso! Deixei de lado essa preocupação por um tempo porque minha tese de doutorado seguiu outros caminhos, e acabei ficando mega desatualizada. De repente, voltei a trabalhar com o Ensino Médio e me deparei com esses caras. Meu filho mesmo me apresentou um YouTuber louco que pinta os cabelos de rosa, azul, sei lá, e fala um besteirol enorme se fazendo de engraçado. E outro dia passei pelo Teatro Oi Casa Grande aqui no Rio de Janeiro e havia uma garotada exatamente como você descreveu esperando a “PopStar” da vez chegar numa limousine. Fiquei chocada! A gente precisa mesmo repensar nossas práticas e eu estou voltando precisando do básico. Quero, por exemplo, aprender a editar vídeos para preparar algumas vídeo-aulas de Língua Portuguesa.
    Em tempo: o que é HBU, que vc e o Sérgio Lima estão falando?

  6. Sérgio Lima disse:

    Nossa Robson, você fez um excelente resgate do histórico da edublogsfera. Já merece ir para os anais da blogosfera 🙂 Um monte de gente que você citou eu perdi contato (não vejo nas redes). Na verdade todo mundo acaba pulverizando suas participações em várias redes, e não se preocupa em criar um HUB de todos os perfis…. Mas isso já é outra história 🙂

    Que venham outros #saraunarede 🙂

    PS: um efeito colateral muito bom é que vários blogues estão sacudindo a poeira 🙂

    • Robson Freire disse:

      Pois é né Sergio, muita gente sumiu nesse universo de zero e um e sem deixar rastro. Alguns a gente conseguiu manter laços mais fortes, mesmo sem desvirtualizar, como eu, tu, Ana Beatriz, Egui, Tati, Suzana e outros mais ou menos chegados. Essa volatilidade nas relações virtuais fica evidenciada ao movimento de expansão do uso dos blogs em 2005 e tem seu declínio mais ou menos por volta do ano de 2010. Hoje alguns blogues extremamente relevantes em conteúdo e discussão estão completamente mortos. Falta só o obituário nos jornais informando de sua morte.

      E nesse rastro as relações construídas foram se diluindo até desaparecer por completo, que muito se deve a efemeridade da rede (lembro como se fosse hoje tu falando sobre a “novidade”do Facebook como espaço não ideal para qualquer discussão mais profunda) e suas “modinhas” da vez. Elas vão se sucedendo em graus de relevância: IRC, Orkut, Blogues, Facebook, Tumblr, Twuitter, Instagram, Whatsapp e os que se apresentarem como a “nova modinha da vez”. Adorei a ideia de se criar um HUB onde se possa reconectar pessoas e principalmente ideias e ideais.

      As vezes me faz uma falta imensa a lista, pois lá comentávamos sobre diversos temas altamente pertinentes e podíamos naquele espaço falar e pensar educação, tecnologia e prática docente. Várias coisas agora como sala de aula invertida, cultura maker, programação em bloco para os jovens, um day dedicado a programação (a única linguagem realmente universal é a linguagem de programação), cinema/youtuber, enfim uma porrada de coisa que deveríamos estar discutindo, but não temos mais o espaço para isso.

      Bem adorei voltar a falar sobre educação… Viva os blogues onde se pode ainda fazer isso com profundidade e reflexão.

      Obrigado pela visita, pelo comentário e não some porra….

  7. Tatiane Martins disse:

    É isso aí! Revivendo a nossa história e recriando a que está por vir. Adorei suas reflexões! E destaco estas suas perguntas que também são minhas: “O que nós professores temos a “falar/dizer” disso? Como estamos utilizando aquilo que nossos alunos respiram? Que tipo de apropriação estamos fazendo dessa tecnologia? Como é estar na vidraça. completamente nu e exposto a críticas? Tentar e estar sujeito a errar ou se omitir?”
    Vamos reativar nossas conversações! Precisamos (re)aprender e nos (re)criar todos os dias.
    Beijo grande!

    • Robson Freire disse:

      Tati eu tenho pensado muito nessas questões que me inquietam atualmente. A guria mais nova da Ana Beatriz é fã de vários Youtubers (Bibi,Cellbit, Autentic Games, etc) e eu fui a alguns eventos deles aqui em João Pessoa e me surpreendi com o nível de adoração e histeria coletiva em que essa garotada está inserida. Parecia os Beatles chegando aos EUA nos anos 50/60. Gritaria, choro, sorrisos e lágrimas na mesma proporção do meu espanto.

      Me perguntei se eles tinham ideia do poder de influenciar que eles exerciam naquelas jovens mentes… Sai pancado geral com aquilo. E aí foi que me dei conta da seguinte pergunta: Por que nos professores não usamos isso a nosso favor?

      Agora vem a viagem básica na maionese: Que louco seria se nossos alunos tivessem essa idolatria/ligação conosco (caso a gente consiga se apropriar adequadamente da linguagem deles dentro do contexto de vídeo/youtuber).

      Agora descobrir como fazer isso é que é o grande desafio para nos professores.

      Imensamente grato pela visita e pelo comentário delicado e gentil.

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